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Pais Usam Telemóveis E Tablets Como Babysitters

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Nove em cada dez casas portuguesas têm smartphonestablets, computadores portáteis ou ligação à Internet. Os dispositivos electrónicos são usados por crianças cada vez mais novas. Os pais são os primeiros a passá-los para as mãos dos filhos e as crianças que mais usam aplicações (apps) são as que têm entre zero e os dois anos, revela o estudo Happy Kids: Aplicações Seguras e Benéficas para Crianças, do Católica Research Centre for Psychological, Family and Social Wellbeing (CRC-W), da Faculdade de Ciências Humanas, da Universidade Católica Portuguesa, que é apresentado em Lisboa nesta terça-feira.

Num inquérito, feito a partir da Pumpkin, uma plataforma usada sobretudo por pais de crianças pequenas, foi perguntado qual a utilização feita das novas tecnologias pelos filhos dos 0 aos 8 anos. Responderam 2677, mas só 1968 respostas foram validadas. A maioria dos inquiridos é de Lisboa (1232), é licenciado e é mãe (53%). Tal como nos anos de 1980, o Papa João Paulo II alertava para a televisão como a “ama electrónica” das crianças, agora, este estudo vem confirmar que os ecrãs continuam a ter essa função, quer em casa quer na rua, por exemplo, nos restaurantes, onde as crianças são postas frente a um tablet ou a um smartphone, dizem 587 pais dos mil que respondem que os filhos usam aplicações. Em casa, acontece quando os pais precisam de trabalhar ou fazer tarefas domésticas, respondem 490. Os dispositivos também podem ajudar a resolver uma birra para 99 dos pais.

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Adquirir competências

Os pais acreditam que o uso dos dispositivos electrónicos permite que os filhos adquiram conhecimentos e competências, nomeadamente para a escola, por exemplo a matemática, leitura e desenvolvimento da língua, na criatividade e concentração. É de jogos como os de construção ou de puzzles que os pais gostam. Mas tudo isto exige muito pouco em termos físicos e os inquiridos reconhecem que o uso das tecnologias pode ser prejudicial para a actividade física (854), o sono (702), a sociabilidade (616) e o comportamento (349).

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O que os pais mais valorizam é a segurança – as aplicações não devem invadir ou expor a privacidade dos filhos. Os inquiridos não gostam que as aplicações sejam viciantes, que não sejam apropriadas para a idade ou que sejam violentas. Por norma, as apps são instaladas pelos próprios pais – e a maior parte (60%) não instala aplicações que sejam pagas. Aliás, só metade dos pais (1000) responde que utilizam apps. Este dado surpreende as autoras Patrícia Dias e Rita Brito, que já fizeram outros estudos nesta área. Para justificar esta resposta, as investigadoras aventam duas hipóteses: ou as crianças chegam às apps a partir dos browsers; ou os pais não estão familiarizados com a palavra e, por isso, respondem que não usam. No entanto, face às respostas dadas, as crianças mais pequenas são as que mais usam, enquanto as mais velhas exploram outros dispositivos.

Os que os pais não sabem

Em vez de se sentarem ao lado dos filhos a fazer coisas em conjunto, os pais optam pelo controlo – da utilização (1330), dos conteúdos (1224), em supervisionar e intervir se necessário (1217). Mas, também há quem responda que as acompanha nas actividades digitais (869) e em ensinar (757). Os pais com mais competências são mais “instrucionais” e os com menos são mais “restritivos”, designa o estudo.

Patrícia Dias e Rita Brito concluem que é importante que os pais saibam que aquilo de que as crianças gostam é diferente do que os pais preferem – “é necessário encontrar elementos comuns que agradem a ambos para fomentar a co-utilização, a forma mais benéfica de mediação parental para toda a família”, sugerem nas recomendações. “A literatura diz que a forma mais indicada para o uso das tecnologias é promover a interacção entre pais e filhos”, sublinha Rita Francisco. Esta é uma estratégia pouco usada, lamenta.

Fonte: Público

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