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Pais saturados que filhos NEE só façam bolos e pizas nas escolas

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Pais de alunos com necessidades educativas especiais queixam-se daquilo que é ensinado aos filhos, bem como da falta de condições nas escolas em tempos de pandemia.
Bolos, pizas e, no caso dos mais pequenos, jogos do “quem é quem” e puzzles: “É este o trabalho deles durante 12 anos de ensino obrigatório no ensino especial”, confessou ao i Maria Ferreira, mãe de dois meninos com autismo, de 11 anos, que frequentam uma escola de ensino especial na Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira. E diz ser esta uma das principais batalhas do seu dia–a-dia: fazer com que os filhos aprendam muito mais do que aquilo que lhes ensinam.

“Não saem deste registo e não investem nas crianças, que chegam aos 18 anos sem terem sido trabalhados, como se os alunos com necessidades educativas especiais não tivessem capacidade de aprender. Todos têm. Como disse, a maioria dos pais quer os miúdos na escola. E ficam entregues em ‘armazém’. Eu acredito nas capacidades dos meus, mas não acredito na escola, ao contrário dos professores e da própria escola, ministério, etc. São minados à partida porque nem sequer se dão ao trabalho de trabalhar com eles, na maioria dos casos”, começou por dizer, sublinhando que está a ponderar colocar os seus dois filhos em ensino doméstico ou individual. Mas a legislação não facilita, diz. “Também há relatos de maus-tratos. Os meus têm terror absoluto de passar na antiga escola deles. E não sabem relatar o que aconteceu. Mas, por lei, não posso tê-los em ensino doméstico ou individual sem ter de ir a tribunal. É o que temos. Se as medidas são restritivas para alunos sem necessidades educativas especiais, para alunos com essas necessidades fui logo avisada de que é um caminho longo que inclui tribunais. Porque a lei acha que as crianças deficientes devem estar no ensino público por causa da inclusão. É muito triste não ter opção de escolha”, atirou, querendo reforçar que, antes da pandemia de covid-19 se ter instalado em Portugal, estes episódios já aconteciam.

(…)

Fonte: Jornal I

1 COMMENT

  1. Sim, é verdade, é muito preocupante.
    Não basta apregoar a inclusão e fazer legislação. É muito pouco, diria nada, para quem precisa de um apoio que permita a cada aluno, na sua especificidade, desenvolver, ao máximo, a respetiva autonomia.
    Diferentes, cada vez mais diferentes, apesar da retórica!

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