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Pais e professores são aliados eternos e inimigos constantes.

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Depois das reações que li na página do facebook do ComRegras ao artigo E que tal Ritalina a pedais? Sinto-me na obrigação de acrescentar algo mais.

Em primeiro lugar referir que não considero os pais os principais responsáveis pelo excesso de Ritalina nas crianças. Os principais responsáveis são naturalmente os que a prescrevem. E quando falo em excesso, suporto-me nos números avassaladores de mais de 5 milhões de doses anuais, na opinião de pediatras, psicólogos e no relatório da DGS.

Relatório da Direção Geral da Saúde alerta para consumo excessivo de medicamento usado para tratar a hiperatividade o défice de atenção das crianças

Um relatório da Direção Geral de Saúde, de 2015 e recentemente publicado, indica que as crianças portuguesas até aos 14 anos estão a consumir mais de 5 milhões de doses por ano de metilfenidato, um psicofármaco usado para tratar a hiperatividade e o défice de atenção, segundo notícia de hoje do Correio da Manhã.

Ao grupo etário dos 0 aos 4 anos foram dadas 2900 doses diárias de “calmantes”; o grupo dos 5 aos 9 anos tomou 1261 933 doses; e dos 10 aos 14 anos 3 873751 doses. No conjunto, chegou-se a um total de 5 138584 doses, conclui a notícia.

Não foi por acaso que escolhi o título “E que tal Ritalina a pedais?”, considero que o caminho da medicação em muitos casos pode ser substituído por algo diferente e a imagem escolhida não foi inocente.

A nossa realidade pessoal leva-nos muitas vezes a juízos de valores generalizados – mais uma vez me incluo – mas tenho a certeza que quem lê estas linhas não é o alvo das críticas, quem aqui “perde” o seu tempo é a prova que se preocupa e manifesta a sua vontade em refletir, opinar e permitam-me dizer… aprender, como eu também tenho aprendido.

Estas “tricas” entre pais e professores não nos levam a lado nenhum, o problema da PHDA é muito complexo e precisa de ser trabalhado em conjunto. Pais e professores são aliados eternos e inimigos constantes. O desgaste desta relação oscilante afeta invariavelmente os caminhos educativos.

Os nossos alunos e os nossos filhos precisam de ser “empurrados” para o sucesso e não a causa de eternas discórdias. Lembro que muitos professores também são pais e muitos pais têm na sua família alguém professor… Somos mais parecidos do que aparentamos…

É possível fazermos melhor, é possível sermos melhores e é possível ter a capacidade para aceitar que não somos perfeitos. Cada um de nós não é advogado de defesa de ninguém e não precisa, nem deve sentir, as dores de quem não as merece…

Que a nossa realidade seja a fonte das nossas opiniões, mas que essa mesma realidade seja trabalhada em conjunto e em prol do que mais interessa – as crianças.

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