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Pais não discutam junto ao filhos…

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pais a discutirOs casais sempre discutiram, pelo que não é novidade que “ainda” o façam hoje, não poucas vezes, sendo um dos sinais de vitalidade da relação. Duas pessoas que vivam juntas fazendo ou não, o percurso mais ou menos rápido de paixão ao amor, têm as suas individualidades, que se têm que adaptar -sem anular – à vida em comum. Individualidades hoje parecendo-se por demasiado com egocentrismo e egoísmos, erradamente. Mas, viver a dois sem anular personalidades, dá trabalho, necessitando de muitos compromissos, logo, não é fácil. Tudo seria normal, tudo seria natural, pena porém, hoje, estarem as relações assumidamente antes de tudo “muito mais descartáveis”, e haver pouco empenho em as começar com aposta num “estar”, mais duradoiro.

Demasiado facilmente se perde a tolerância para aturar o outro, para estar com o outro, para dialogar com o outro, cultivando entendimentos, sentido de facto a relação. No meio “disto tudo” têm filhos, soberbamente planeados ou totalmente imprevistos, sem meios-termos, e que não poucas vezes parecem ser “uma posse” dos progenitores, mais delas que deles, e não alguém que se quer ter para amar, e fazer crescer para a independência futura. E, os filhos são muitas vezes, demasiadas vezes joguetes das mães, dos pais, quando a relação pode começar a tremer, e quando rebenta. E, discussões sem fim na frente dos filhos, são em demasiados casos a normalidade, e ainda para agravar passando-as para as “redes socias” tão indispensáveis para a grande maioria, abertas ao mundo e a tudo que sejam mais “confusões”. Que nunca mais se limam!

Um destes dias cedo de manhã, um automóvel “estacionado “ junto a uma passadeira no meio da rua, um miúdo pelos 3 a 5 anos na cadeira própria no banco de trás a choramingar, e ninguém no lugar do condutor. Tudo “isto” chama a atenção. E uma senhora/ jovem entre os 30/ 35 anos no passeio aos berros ao telemóvel, algo tão usual nestes dias – a permanência ao telemóvel e os berros – que fazia ouvir-se plenamente do outro lado da rua, mesmo não querendo fazê-lo. E o
espectáculo era no mínimo desconfortável, com o miúdo com ar de aflito quase imóvel, o automóvel estacionado onde não devia – hoje tão habitual – a mãe a berrar e mexendo-se energicamente de telemóvel em punho. E, como tudo se ouvia, mesmo não querendo, a suposta mãe berrava “se tu queres fazer guerra, eu faço-te a folha e “meto” – hoje já não se coloca nada, mete-se – tudo no facebook e vais ver as vergonhas que de ti vou contar, até junto “fotos” – abreviatura de fotografias”. E, com um outro palavrão de permeio, isto era repetido à exaustão, e mesmo continuado a fazer o percurso a pé, já não tão próximo como aquando atravessando a passadeira, era impossível não “ter” que ouvir. E o miúdo estarrecido lá dentro. Deverá este espectáculo ter continuado, até ao limite do cartão do telemóvel, da bateria do mesmo ou do desligar intempestivo de um deles.

Seria de antever, que esta nunca seria a forma de chegarem a um entendimento, a um esforço de compreensão, de resolução de situações que a vida em comum aporta, e muito menos com a criança no automóvel a “presenciar “ tudo. E se tudo rebentar entre os dois, que é o mais usual, dado não haver de parte a parte a vontade e a coragem necessárias para que tal não aconteça, a criança que assistia, como tantas e tantas outras, vai ser o joguete essencialmente da mãe mas também do pai, na resolução das suas questiúnculas e de tudo inerente à separação. E o interesse, pela/da criança já estava negligenciado, o que interessava no caso era o que a mãe tinha para “insultar” o pai da criança – que já estaria a deixar de ser seu companheiro/marido – e do outro lado deveria estar a suceder algo de “parecido”. Maioritariamente não se sabe quando é devido, a mãe e pai, mandar em conjunto nos filhos, dizer “não quando é não”, e à mínima zanga, tão normal entre casais, a solução é a separação. E o interesse dos filhos é o que menos vale nestas trapalhadas todas. E depois queixamo-nos que os miúdos são uns selvagens! De quem será a culpa?

Augusto Küttner de Magalhães

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