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Os queixinhas dos professores.

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Os professores são uns privilegiados que estão sempre a queixar-se, toda a gente já sabe. São uma classe profissional useira e vezeira na arte do resmungo; que o digam os senhores ministros da educação ao longo dos anos, coitados, o que sofreram para os apaziguar, aparentemente sem sucesso.

Os professores são pessoas que não conseguem passar muito tempo sem estar sob as luzes da ribalta. São gente carente, que quando não tem nada do que reclamar, inventa. Ora digam-me lá se não é isto. Primeiro, ai jesus que não ganham vínculo, que não têm estabilidade, e mi mi mi. E depois de finalmente ganharem vínculo que tanto desejaram, ficam contentes? Não ficam.

Os professores lembram-me sempre a vizinha Miquelina, coitada, que tem a mania das doenças e a quem não se pode perguntar “como está?”, que ela vai logo de desenrolar a eterna cantilena dos achaques, vai para mais de quarenta anos. Com os professores é igual.

Aqui há uns anos era um ai ai ai que não queriam ser avaliados, porque isto e porque aquilo. Madraços que só querem ganhar sem fazer nenhum, é o que é. Vá lá, vá lá, que aquela senhora ministra (abençoadinha) lá os conseguiu pôr a trabalhar e agora é vê-los a fazer os seus relatórios de auto-avaliação todos os anos que é um rigor! Agora é que a coisa funciona em pleno. É assim mesmo, ou pensavam que eram mais que os outros?

Passa-se um tempito, lá vêm eles outra vez: é um deus-nos-acuda que não há democracia nas escolas e patati patatá. Não há democracia? Ó senhores, tende juízo. Vê-se logo que não sabem o que são verdadeiros problemas laborais.

Digam-me lá, senhores professores: vocês porventura têm – só a título de exemplo – um dress code obrigatório, como têm os cirurgiões e os funcionários do McDonalds? Não têm. Pois não. Chega-se o Inverno e os senhores professores têm TODA a liberdade de ir para as aulas carregados com quantos casacos, cachecóis e gorros quiserem, não têm? E podem perfeitamente mantê-los nas salas de aulas geladas e escrever no quadro com as luvas nas mãos, que ninguém vos proíbe, pois é? Queria ver-vos, se só pudessem usar aquele véuzinho diáfano como as meninas da Emirates. Ah, pois é.

E não têm os senhores professores TODA a liberdade para poder desempenhar em casa, no morno aconchego do sofá, tarefas de âmbito profissional? Estarão, por acaso, impedidos de corrigir os testes das suas oito turmas na madorra ensolarada de uma manhã de Sábado? Ou até mesmo de aproveitar as horas tranquilas e silenciosas da madrugada para calmamente preparar as suas aulas? Alguém os chateia com isso? E já alguma vez viram um funcionário do pingo doce ter o privilégio de poder aproveitar o serão aconchegante do lar para fatiar o fiambre ou embalar os croquetes do take-away? Disso não falam eles.

E não têm igualmente os senhores professores toda a liberdade para se queixar, gritar, barafustar, espernear, enfim – gritarem aos quatro ventos a sua indignação e revolta quando são insultados e / ou agredidos no cumprimento das vossas funções? Serão porventura impedidos de verbalizar as suas dores e partilhar com o mundo as suas mágoas? Talvez os senhores professores nunca se tenham apercebido – por serem pessoas sobejamente conhecidas pelo seu egocentrismo e alheamento perante as desditas dos seus concidadãos – que têm sido (incompreensivelmente) poupados à estrita observância do lema incontornável das empresas prestadoras de serviços, “o cliente tem sempre razão”. Os professores são uns privilegiados do pior.

MC, autora do blogue Estendal.

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5 COMENTÁRIOS

  1. Gostava de me encontrar com quem escreveu o texto ” Os queixinhas dos professores” para o esclarecer sobre a realidade dos professores que, pelo que escreveu, vê-se que está muito mal informado. Não é só vir para aqui dizer baboseiras. Tem que dar a cara se tiver coragem.

    • Oh santinhas, tenham lá paciência! Mas que disparate de comentários são estes??
      Mas as colegas não conseguem ver que é um texto humorístico? Já ouviram falar de ironia e sarcasmo?
      Sabem o que é verdadeiramente lamentável ?É que pessoas que desempenham a profissão de docente venham para aqui para um BLOG DE PROFESSORES (e no facebook foi a mesma tristeza) mostrar uma total incapacidade de interpretar um texto. Vergonha tenho eu, enquanto professor, de ver colegas de profissão debitar tantas baboseiras!

      Desculpe o Alexandre, que também “tem boca” para se defender, mas isto é uma profunda vergonha alheia.

      Jorge Teixeira, professor há 36 anos (identifico-me para o caso de a Rosário se querer encontrar comigo também).

      • Eu nas partilhas que fiz ainda disse que era um texto carregado de ironia e bom humor… não posso fazer mais Jorge 😉

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