Home Escola Os professores

Os professores

97837
70

Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou o ensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode ser deles, aliás. Os alunos estão lá a contragosto, por isso não contam. O ministério muda quase todos os anos, por isso conta ainda menos. Os únicos que se mantêm tempo suficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vão conseguindo escapar com vida.

É evidente que a culpa é deles. E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é uma acusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam os professores. Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas que escolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão ser colocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano de um aluno ou de qualquer um dos seus familiares. O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se eles possuíssem algum tipo de sabedoria, tê-Ia-iam usado em proveito próprio. É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas com esta capacidade de discernimento? Parece-me claro que não.

A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento.
O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta por passar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro e a ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater. Sem nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofro de quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivar este contacto entre crianças e adultos masoquistas.

Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão. Antigamente, havia as escolas C+S;hoje, caminhamos para o modelo de escola S/M. Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agora o há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomando sempre novas qualidades, este mundo.

Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povo cigano.
Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bem das escaramuças. Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iam pedir explicações a estes professores. Um cigano em cada escola, é a minha proposta.
Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menos esperança.

Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de ser agredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressores vivem, claramente, não está preparada para o mundo.

Ricardo Araújo Pereira
in Opinião, Boca do Inferno, Revista Visão

70 COMMENTS

  1. Há uma clara vingança dos socráticos nos professores. O que fizeram com a classe docente, passando a aposentação dos 56 para os 67 e dando a outras classes profissionais esse regime especial foi o início desse processo vingativo. A notícia de hoje de que professores doentes são obrigados a dar aulas não surpreende ninguém. Nas escolas há precisamente essa ideia, a de que o PS, através de Sócrates quer vingar-se do facto de terem sido os professores os 1.ºs a denunciarem o que consideravam insustentável. Provou-se que os professores tinham razão, ainda assim o ressabiamento leva a este triste cenário. Talvez venham a arrepender-se, os professores deixaram o PS e estão à espera de um sinal para tomar posições mais radicais.

    • Deixem-se de tretas, não misturem os assuntos, em Portugal há muitas profissões a ganharem muito mais do que merecem e quando digo merecem, tem a ver com o ordenado mínimo, como é que um trabalhador não qualificado pode ganhar 580€ brutos , tem os trabalhos mais duros a nível físico e tem reformas a partir dos 65 anos, e um professor do segundo ciclo pode ganhar 3,500€ ou mais e quer a reforma a partir dos 56, será que chegam á idade da reforma piores? vão dizer que quero nivelar por baixo, como já ouvi, mas o problema é que ou sobem todos ou não sobe ninguém, temos de parar todos os ordenados altos e puxar pelo mínimo para que haja melhor distribuição da riqueza e menos ignorantes, porque a falta de dinheiro também afecta e muito a cultura, reivindiquem sim melhores condições de trabalho, e que não tenham de concorrer todos os anos a uma vaga de professor, e que deixem de haver professores mais de cinco anos em contrato, ou há trabalho ou mudam de profissão, sim porque o estado não é obrigado a dar emprego a ninguém, mas também não é sério que nada façam para informar quantos professores são precisos.

      • Sou professor há 15 anos e ganho cerca de 1100 euros líquidos. Se o argumento para um bom vencimento é o esforço físico, então ainda devíamos estar na idade da pedra…

        • Alexandre Henriques , nâo sei do que se queixa se ganha esse valor , tem muito boa gente a ganhar menos de metade e a trabalhar muito mas muito mais ….

          • Sim. É verdade sr. José Pessoa.
            Mas só compara ordenados e horas de trabalho?! (entendo que o “trabalhar mais” a que se refere seja em número de horas…)
            Então pergunto-lhe: – Essa “boa gente” pode ter a profissão de professor? Está qualificado para?
            E arrisco-me a dizer-lhe que o sr José Pessoa nunca terá, por certo, razões de queixa porque existe muito “boa gente” a trabalhar muito mais que o sr, que nem tem tempo para fazer comentários na net, que nem tem possibilidades económicas de ter computador e trabalho muito mas muito mais que o Sr. José Pessoa! Nunca se queixe e já agora concorra ao próximo Concurso de professores! 😉

      • seria bom que se inteirasse das remunerações dos professores antes de atirar assim um número para o ar.a partir daí vi que não valia a pena ler o resto da sua dissertação pois devia carecer de verdade.

        • Aquele tipo de cima…dos 3500? é mais um que vive no mundo só dele a querer enganar os outros que andam de olhos tapados e que lhe dão atenção…nem sei se é do mundo dos macacos…ao menos esses têm algum espirito critico…

      • 3500€????? Em que país??? Em Portugal NÃO é de certeza. Sou professora há 20 anos e ganho 1100€. Mas por que é que não se informam conveniente mente antes de falar?

        • 10º escalão – Índice 370 – Remuneração mensal: 3.364,29€
          De acordo com as tabelas anexas ao Despacho n.º 84-A/2018, de 2 de Janeiro de 2018

          • Mas Sr. Anónimo (!!!! E que conveniente, o seu nome!!!!!!), está a gozar comigo/ conosco? Então o senhor não ouviu falar em congelamento das carreiras docentes????????pois olhe, eu cá, que já ando a ensinar desde os meus 20 anos -sim, fui trabalhadora-estudante e excelente aluna-já vou para os meus 56 e olhe, quem me dera não ter de o aturar a si e a todos os mini -anónimos que há já 14 anos de congelamento e vilipéndio, me andam a dizer que me farto de ter privilégios e de ganhar bueeeeeeeee de dinheiro!!! E já agora, 1500 euros por mês até já era bom, sabe? Mas nem isso recebo, depois dos cortes, taxas, sobretaxas e faseamentos. Só me apetece dizer um camião inteiro de palavrões. Mas sou uma senhora. E sinceramente, estaria a dar-lhe muita, demasiada, desperdiçada importância… Ad Lucem, a todos os meus excelentes colegas. Morrer, SIM. MAS DE PÉ!!!

      • Sou professor nas AEC’s à vários anos e ganho a quantia de 250€ por mês. O pior é que ainda tenho de fazer uns bons km em deslocações. Antes de falar, deve ouvir primeiro… é por isso que tem dois ouvidos é só uma boca!

      • Quando se fazem comentários, não deveria ser algo infundado só porque, não tendo mais nada para fazer, o tempo permite a elocuência crítica gratuita. A fundamentação e a veracidade devem estar presentes. Só a ignorância e o desconhecimento da vida, real, de um professor pode criar estes Dom Quixote, cavaleiros de triste figura a arremessar contra os moinhos de vento da sua ignorância. É, no mínimo, lamentável. Mas estes votam também!

        • Eu não sei o que, Ana Luísa faz na vida?, mas, deu-me a entender, ser professora. “Escrever elocuência desta maneira, deixa-me um pouco perplexo?!!”
          (Eloquência)

          • Sr José Macedo, já viu os bons professores que se estão a desperdiçar neste país?! Concorra! 😉

      • Um professor do 2o ciclo mesmo no topo da carreira nunca ganhou mais de 2200€. De onde veio essa dos 3.500€? Eu tenho 57 anos e já ganhei 1.500€. Desde que a crise se instalou em 2000 eu tive um valente corte no vencimento.

      • Um professor de 2 ciclo (ou de 1, 3 ou secundário) tem uma (alguns mais que uma), mestrados e, até, doutoranentos. Não lhe podemos pagar o mesmo que à senhora da engomadoria, com todo o respeito por quem engoma. Chama-se “mão de obra qualificada”. Quanto aos 3500 euros, “a coisa mais atrevida que existe é a ignorância”!

        • Eu diria até que a ignorância é quando se tenta tirar doutoramentos e acaba-se com um doutoranento… até porque não vejo professores doutores no ensino secundário há bastante tempo…

      • Gostaria de saber qual a tabela salarial que pesquisou.Sou professor e tomara eu receber metade desse valor que diz que um professor recebe.Quem não sabe é melhor estar calado para não dizer todos estes disparates.Cada um pior que o outro. Que horror viver num pais com pessoas que têm este nível de cultura e de pensamento.

      • O Sr nem devia ter direito a emitir opinião! Quando os meus alunos não conseguem perceber que 2+2=4, eu mando-os calar (não sou professor só ensino especial). Pois qualquer raciocínio que possa surgir daquela cabecinha, será sempre de veracidade falaciosas. O Sr assemelha-se com bastante rigor a este exemplo que acabei de dar. Assim sendo, como poderá compreender a escala de grandeza para um ordenado de 3500€ de um professor? Não pode, claro! Cale-se!

        • Desculpe Sr José Alexandre Silva mas quando escreve “Quando os meus alunos não conseguem perceber que 2+2=4, eu mando-os calar (não sou professor só ensino especial). Pois qualquer raciocínio que possa surgir daquela cabecinha, será sempre de veracidade falaciosas. ” , questiono-me se será professor de Educação Especial pois um docente Especializado não fala assim dos seus alunos. Desculpe a sinceridade.

      • Só por curiosidade… onde é que um professor do 2o ciclo tem esse salário??? Quer dizer 3500€, não é? Sabe sou professora do 2o ciclo há mais de 20 anos e não levo para casa 1200€… quero saber onde recebem esse valor para eu tentar a minha sorte. Tanta burrice é ignorância que por aí anda!

      • Quase nao merecia o tempo da resposta, mas fiquei admirado, quem sao os professores que ganham 3500 euros. Informe—se e … estude. A maioria dos que conheço, e sao muitos, nao ganha mais de 1400 euros mês com mais de 20 anos de swrviço e sem extras da figa aos impostos…

      • Quanto recebeu por este comentário? Ser avençado pelo poder é das funções mais vis. Concorra, amigo… Ainda há vagas!

      • Gostava de saber onde foi buscar os 3500€ por mês???? Deve estar a confundir um professor com algum deputado ou juiz!! Só pode ser…

      • Este senhor dos 3500 euros deve viver noutro pais!!!!
        Ah!
        Já agora… o “a “leva acento grave!!!! É “à ” e não “á ” !!!! A sua professora devia ganhar bem mais dinheiro psra o ensinar melhor!!!!

  2. Sou professora quase há trinta anos. Só me chegam à conta cerca de 1500 €. Gostaria de saber quem me fica com os outros 2000!!!

  3. Esse PORCONTA deve ser mais um anormal que so quer criar confusao. Aqueles que o silencio seria de ouro…….tadinhos

    • Onde fica a árvore do senhor PORCONTA? Li o texto de Ricardo Araújo Pereira e ele finaliza o seu artigo da seguinte forma: «Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de ser agredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressores vivem…» Posso portanto telefonar então à polícia? é facílimo agredir professores, verbal ou fisicamente, sem qualquer fundamento. Se senhores como PORCONTA escrevem e lêem, por mais mal e parcamente (sim, senhores, é parcamente e não «porcamente», embora o povo mudasse a palavra com alguma razão!) é porque houve professores, muitas vezes mal pagos e subvalorizados, que lho ensinaram…

  4. Sou professor há 26 anos, com a carreira congelada no 4º escalão. Este mês o meu vencimento líquido foi de 1313€. E repito, vencimento líquido…é esse que interessa, é com ele que pagamos as nossas contas e não com o vencimento ilíquido. Mas mesmo o ilíquido, exmº PORCONTA, é de 1982€ e não 3500€.

    • A propósito deste artigo de RAP e de tantos comentários produzidos, muito haveria a dizer em relação à classe dos professores e do ensino em Portugal.

      Nota prévia: não sou professor mas tenho habilitações pedagógicas experiência em formação e ensino não formal, tenho familiares directos e amigos próximos que são professores (e que andam de casa às costas e tudo o resto, vivo isso e já passei por isso), tenho familiares que estiveram ligados ao ministério e fiz parte de várias associações de pais, de assembleias estatutárias, comissões e vários outros órgãos de gestão escolar em várias realidades e contextos. Acompanho vários blogues, fóruns e autores sobre a educação e mantenho interesse na temática.

      Tenho alguns anos de “convívio” e experiência directa da realidade de ensino. Não sou a favor nem contra nada nem ninguém, tenho as minhas opiniões e convicções que defendo e apresento numa perspectiva de reflexão, de discussão e diálogo e de contributo para a melhoria do ensino no seu todo.

      Há muito que defendo que a responsabilidade do ensino em Portugal é, directamente, dos seus intervenientes – ministério, sindicatos, professores, funcionários, pais e alunos mas, indirectamente, também das comunidades educativas e escolares e de todos nós enquanto cidadãos, sendo obviamente o nível de responsabilidades diferente de caso para caso.

      E para o artigo em apreço e considerando apenas a classe de professores, a verdade é que têm muitas responsabilidades no actual panorama do ensino. Não deixando no entanto de ter muita razão em muitos aspectos também.

      Continua-se a assistir a muita discussão diária sobre o ensino mas a verdade é que o debate sobre a essência do ensino e aspectos fundamentais do mesmo continua por fazer no sentido lato e abrangente, sendo que na prática o foco da discussão que passa para a opinião pública é essencialmente sobre os direitos e regalias dos professores, com todas as generalizações inerentes e, por isso, também perigosas.

      No entanto:

      1) Continua por fazer a discussão séria e honesta dos efeitos da quebra de natalidade contínua no número de alunos ao longo dos últimos anos e que se irá continuar a verificar. Nos últimos anos foram menos algumas centenas de milhares de alunos que entraram no sistema. Existem estudos e projecções alarmantes para o futuro próximo sobre o assunto mas não se discute publicamente este tema e o efeito que isso tem e terá no ensino. Se há menos alunos, menor é necessidade de professores, logo menos oportunidades existirão e mais desemprego ocorrerá. Que soluções e que futuro para esses professores, as suas vidas, as suas carreiras, as suas expectativas, os seus desejos, as suas naturais ambições?

      2) Continua por fazer a análise real das actuais e futuras necessidades de professores. Actualmente existe um claro excesso do número de professores para as reais necessidades existentes, basta atentar aos números actuais. No entanto, continuam a formar-se professores todos os anos que continuam a ser “lançados” num mercado saturado, mesmo que se tenham congelado vários cursos e seja menor o número de licenciados a sair anualmente.
      Por outro lado, e considerando a queda do número de alunos e numa altura em que apenas 0,3% dos professores têm menos 40 anos, o que vai acontecer à classe daqui a uns anos? O que está a ser projectado? Que medidas se estão já a tomar para precaver esse futuro?

      3) Os representantes dos professores – sindicatos, estão há muito na mão das mesmas figuras que continuam a perpetuar-se nos cargos, politizados e ao serviço de interesses partidários e de estratégias que muitas vezes não são verdadeiramente defensoras da classe que representam. No entanto, os órgãos dos sindicatos só fazem aquilo que os associados o permitirem. Considerando que cada vez menos professores são sindicalizados e que aqueles que o são estão na sua maioria alheados e não participam activamente (não vão às assembleias, não participam nas eleições, não apresentam alternativas, não são voz activa, não exigem responsabilidades aos seus representantes, não elegem novos representantes) a situação vai-se mantendo, as figuras não se renovam, as estratégias são as mesmas de sempre e os sindicatos vão-se mantendo ao serviço de interesses que na maioria das vezes não são os da classe, pelo contrário, com todos os prejuízos daí decorrentes (para os professores todos), mesmo que no imediato a sensação possa ser de uma conquista (efémera) e mesmo que muitas vezes só para parte da classe.

      4) Os professores são pouco exigentes em relação à própria classe. Todos sabemos que existem bons e maus profissionais em todas as áreas. E também é certo que nem todos os profissionais têm competência, perfil e capacidade para exercerem as funções que desempenham. O mesmo se passa com os professores. A questão da avaliação, como se colocou, toda a discussão e como se faz actualmente é um péssimo contributo para todos. Considerando que “uma maçã podre no cesto acaba por contaminar todas as maçãs”, o facto de os professores encobrirem e protegerem os maus colegas (a nível profissional), implica que estão a contribuir para o enfraquecimento da classe no seu todo. Porque o que passa para a opinião pública são sempre os maus exemplos que depois estão na base da generalização. Exemplos existem muitos e podia dar inúmeros e todos os professores conhecem casos concretos. Mas, por alheamento, desinteresse, omissão, cumplicidade, receio e por todos os motivos e mais alguns, as situações continuam a verificar-se. E, diariamente, a minar e a fragilizar a credibilidade da classe. Porque se há um professor um professor competente isso é o que se espera mas se há um professor incompetente então são todos.

      5) Os professores são e estão pouco unidos. Os da velha guarda contra os contratados. Uns contra os outros. Todos se queixam uns dos outros. Ou porque são novos e têm pouca experiência ou porque são velhos e nem uma tabela de excel sabem usar para lançar notas. Ou porque têm a mania que sabem tudo ou porque os materiais que usam estão desajustados e são (literalmente) do século passado. Ou porque estão de passagem ou porque estão cheios de mordomias e têm os horários que querem (nota: como é possível haver professores com estatuto para não trabalharem à Sexta-feira e/ou Segunda-feira e terem horários a “pedido” e conforme os seus interesses!). Ou porque são contratados e são os desgraçados para levar com as burocracias todas ou porque são os velhos que não querem fazer nada e empurram tudo para os outros. Ou porque têm as regalias todas (menos horas, mais vencimento, mais tudo) num egoísmo atroz sem consciência do que isso custa ao País e que dificilmente os colegas nada disso terão.
      Basta ver alguns blogues e fóruns para perceber o nível da discussão, as ofensas, o enxovalho, num espectáculo tantas vezes degradante.
      E esta relação minada entre pares é provocada, alimentada e aproveitada por quem governa e pior! por quem representa os professores. Dividir para reinar e para ir cada vez mais subjugando uma classe inteira.
      E infelizmente, os professores vão permitindo e alimentando este sistema! Com todas as consequências também ao nível da imagem da classe perante a opinião pública.

      6) Os professores não percebem que nem tudo o que os rodeia está contra eles. E nem tudo o que rodeia os professores percebe os professores.
      Se infelizmente existem muitos elementos da comunidade que falham a vários níveis (e este tema daria um artigo por si só), também há muitos que estão do lado dos professores, que estão disponíveis para colaborar e que poderiam ser seus aliados mas que acabam por ser desconsiderados e olhados de lado porque (aparentemente) “não percebem nada do ensino, porque não têm nada que se meter, porque não são da escola e porque muitos até são uns selvagens, incultos e nem sequer têm direito a opinar sobre algo que é exclusivo de uns tantos iluminados que dão aulas” (o risco da generalização ao contrário que também acontece).
      E isto acontece porque o diálogo entre as partes muitas vezes não se faz, porque as posições estão extremadas, porque há uma desconfiança entranhada, porque uns pensam ter um estatuto e um privilégio de classe, porque os outros acham que esses têm a mania, porque uns acham que eles é que sabem, porque os outros acham que esses muitas vezes poucos sabem, e porque e porque e porque…

      7) Os professores acham que não têm que dar educação nem dão. Mas têm que dar e dão! Porque ensinar é educar. E educar é ensinar! Não é possível dissociar as duas!
      Independentemente da educação que os alunos têm que trazer de casa (e que infelizmente muitas vezes não trazem – e isso dava outro artigo).
      Porque os alunos passam a maior parte do tempo na escola (outra artigo), porque também se educa pelo exemplo e pela prática. Porque os professores acabam por ser modelos para os seus alunos (e todos se lembram de professores que pelo bom exemplo ficam para a vida!)
      Que exemplo espera dar um professor que chega sempre atrasado às suas aulas? Ou que chega sem ter tomado banho? Ou com aspecto descuidado? Ou com as roupas sujas ou rotas? Ou com os seus próprios materiais degradados e danificados? Ou que está nos intervalos encostado mesmo à porta da escola a fumar e deita as beatas para o chão? Ou que deita papéis para o chão? Ou que atende o telemóvel na aula? Ou que está no café junto à escola com linguagem imprópria com alunos a ouvirem? Ou que vai alcoolizado para a escola? Ou que passa à frente dos alunos da fila do bar ou do refeitório só porque é professor? Ou que passa nos corredores e não cumprimenta alunos, funcionários ou colegas? Ou que vai ao wc e deixa tudo sujo e nem lava as mãos? Ou que nem sequer arruma a sua cadeira ao sair da sala? Ou que está a dar aulas e a mascar pastilha? Ou que envia recados na caderneta com erros ortográficos de palmatória? Ou que não cumpre prazos? Ou que não respeita as opiniões dos colegas nas reuniões, nos conselhos, no desempenho de funções? São apenas alguns exemplos concretos e muitos mais haveria a dar.
      O que esperam os professores que não acham que têm que educar e que, efectivamente, educam? Os professores educam sim e têm que dar o exemplo e ser exigentes também na educação! Faz parte da profissão, é implícito.

      8) O próprio discurso dos professores apresenta várias contradições o que acaba por enfraquecer a sua própria argumentação, razões e defesa. Queixam-se que levam muito trabalho para casa mas na maioria dos casos não ficam na escola a trabalhar após o período de aulas (nunca são as 07h30 de horário de trabalho), quando a maioria das escolas actualmente tem condições para tal. (quantos trabalhadores estão 8 e mais horas e no emprego e também levam trabalho para casa?) Queixam-se que andam cansados mas muitos deles dão explicações e formação fora do horário laboral (muitas vezes em negócios e rendimentos ilegalmente não declarados). Queixam-se das formações que obrigatoriamente têm que frequentar ao final do dia ou ao fim de semana mas rejeitam que as mesmas se realizem em horário normal nos períodos de pausa lectiva do Natal, Páscoa ou Verão. Queixam-se muito dos custos dos materiais mas continuam a aceitar e a receber em casa todas as ofertas das editoras (livros, manuais, materiais, conteúdos, telemóveis, tablets e outras) numa ligação no mínimo, eticamente “sensível”. Queixam-se da carga horária mas não referem os dias de férias que ilegalmente, na prática, têm a mais durante as pausas lectivas (ainda estou para conhecer o primeiro professor que, não sendo obrigado, na semana entre o Natal e o Ano Novo ou na Páscoa ou a partir de meados de Julho se apresenta diariamente na Escola para cumprir a sua obrigação de respeitar o seu horário ou de não apresentar uma série de argumentos completamente infundados e disparatados para cumprir o que é de contrato).

      9) Os professores queixam-se muito da sua realidade, com muitas razões mas infelizmente não são os únicos com razões de queixa! Porque há muita gente que se desloca diariamente muitas horas para ir trabalhar, que vive separada da família durante a semana por motivos profissionais, que sente pressão, que é desconsiderada, maltratada, desrespeitada, desconsiderada, ameaçada, agredida. Que vivem a prazo e com receio, na incerteza e cansadas da vida. E que têm tantas ou mais habilitações que os professores e que são tão ou mais capazes que os professores e que têm muito mais responsabilidades que os professores.
      Mas que não são professores e que por isso não têm uma tabela de remunerações, mais subsídio de alimentação, mais o artigo tal e tal e tal para meterem e justificarem faltas e que ganham o ordenado mínimo ou pouco mais que isso!
      Porque efectivamente nem tudo gira à volta dos professores.
      Fica um simples exercício para os professores do público repensarem algumas situações… mas nem é preciso ir mais longe, basta olharem para tantos colegas do privado e imaginarem se estivessem no lugar deles.

      E porque este meu escrito vai longo, termino por aqui, embora muito mais houvesse a referir em relação aos professores (é o tópico) mas, sobretudo, em relação ao ensino.

      E esse é um dos problemas, a falta de discussão e diálogo sério, real e concreto, olhos nos olhos, sem demagogias, com todos e entre todos os intervenientes. Ouvir, compreender e interagir com as partes, com fraternidade, para chegar a entendimentos, e a um objectivo comum – um ensino digno, justo e respeitoso!

      E os professores são uma das partes.

      Que passa problemas, que está desmotivada, que é pressionada, que perdeu poder, autonomia e prestígio, que é desrespeitada e desconsiderada. Infelizmente como muitas outras profissões e trabalhadores neste País.

      Quem tem razões de queixa válidas e concretas que precisam de ser compreendidas e entendidas. Como tantos outros portugueses, incluindo pais, alunos e funcionários.

      Que precisam de apoio, compreensão e carinho. Como todos!

      Mas para isso, também é preciso que os professores deixem de olhar só para o umbigo, de constantemente darem tiros nos pés, de acabarem com demagogias e de perceberem que também têm que alterar e melhorar algo e dar o seu contributo a outros níveis.

      Porque precisamos dos professores de corpo e alma e porque – independentemente de tudo, o seu papel continua a ser essencial no futuro deste País!

      E infelizmente muitos se esquecem disso. Incluindo tantos professores…

  5. O Porcontas concerteza estava a referir o ordenado de um professor por período escolar, toda a gente o percebeu mal…

  6. Fui professora durante 40 anos e o meu vencimento nunca foi de 3.500.00. Quem dera que tivesse sido! Aposentei-me e levei pantufada velha, porque não tinha a idade, e já tinha 60 anos. Foram 23% a serem retirados, depois de ter descontado 40 anos. Fiquei com um vencimento “chorudo”!!! E durante o tempo que leccionei, fiz um pouco de tudo, até carregar móveis de uma escola para outra – Se o sr. Porconta pensa que não fazemos esforço físico, desengane-se. Fazêmo-lo muito mais: corrigimos provas até altas horas da noite depois de termos um dia de trabalho a aturar os filhos mal-educados de pais sem vergonha e sem educação; preparamos aulas e, se casados, temos a casa para limpar, o marido para tratar e os filhos para ensinar, ouvir, acarinhar e educar – que é coisa que a maioria dos porconta’s não fazem . E mais não digo , que já me alonguei mais do que pensava. Só mais uma coisa: Não temos tempo para estar sentados em cafés, durante o dia inteiro a receber dinheiro dos contribuinte sem fazer NADA!

  7. Agora que o país está a crescer e a movimentar a economia, urge descongelar as carreiras dos professores. Têm um papel importante, que deve ser reconhecido oor uma sociedade esclarecida, e com futuro. Eu agradeço aos professores que tive, aos professores dos meus filhos. Bem hajam!

  8. Vós ides ser todos apanhados de surpresa se não acordam,vós ainda não desteis conta que o Mundo está a mudar muito rápidamente, continuam pregados á ilusão, olhem que falta menos de 3 meses, a culpa de Portugal estar mal é o próprio povo que só quer novelas e futebol. A Europa vai acabar, depois como é que vai ser? A Europa está tesa não tem dinheiro para sustentar países falidos!

  9. Tenho pena dos alunos dos professores que comentaram os 3500€. O comentador disse “pode ganhar” que é diferente de “ganha” e claramente está-se a referir a salários brutos, em contexto do que o próprio o disse na frase anterior. Não fazia a minima ideia de quanto pode ganhar um professor, mas pesquisando no google aparece isto: http://www.spgl.pt/Media/Default/Info/24000/200/70/6/Vencimentos%202017l.pdf . No topo aparece o valor (3.364,29 €) o que arredondando para simplificar as conversas – como as pessoas normais fazem – dá logo os 3500€ . Este valor provavelmente ainda pode ser aumentado com outros suplementos que várias escolas dão.

    Claramente os professores que comentaram não sabem sequer do que se passa com os salários da sua profissão. Duvido que saibam para ensinar alguma coisa de jeito. Claramente são muito bem pagos.

    • Sr Rudolfo, arredonde-se para 3.400 €… Não? Os professores que um dia atingiram o escalão que lhes permitiu ganhar esse salário, ou um escalão próximo desse, já estão na reforma! Os que estão a lecionar agora, com as carreiras congeladas há anos e cortes, difícilmente atingirão esse bendito escalao, no final de suas carreiras! Que suplementos?
      E a que trabalho leve se refere o Sr Porconta? Tenho assistido, nestes últimos anos, a algo que não me tembro de ter visto, quando era aluna, nem de quando iniciei a carreira: um crescente aumento de depressões, AVC’s, Fibriomialgia, etc., entre os meus colegas de profissão que conheço!
      E como é que neste país, ainda se acha que alguém que faz parte do grupo “mão de obra qualificada” deve contentar-se com uns parcos mil e poucos €/mês, para aturar miúdos profundamente mal educados, que não querem ser educados, nem instruídos?

  10. Frase filosófica que lamento não me recordar do nome do filósofo que escreveu e que abaixo transcrevo: ” A educação de um povo, depende da educação dos seus governantes”. Agora digo eu: que educação se espera de um povo cujos governantes apresentam licenciaturas falsas, grandes corruptos que para os cidadãos sobram impostos mais impostos para cobrir os seus desmandos!?… E mais não digo. Quem tiver dois dedos de testa que reflita.

  11. Ninguém se incomoda com os salários dos médicos oude outras profissões nobres. O problema é que toda a gente pensa que pode ensinar. Toda a gente pensa que um docente ganha imenso. Toda a gente pe saque é só férias e muito lazer. A profissão docente é desrespeitada por pessoas incultas e pelos letrados. É uma profissão de um enorme desgate psicológico. É das profissões mais importantes que temos na sociedade moderna. Na Finlâdia os docentes são bem pagos, respeitados, altamente qualificados e têm a oportunidade de opinar na praça pública relativamente ao status quo da profissão. Na tuga são pessoas de fato que nunca deram aulas que decidem o futuro da docência. Os pais tratam os docentes pior do que os funcionários de limpeza. A sociedade em geral esquece que sem docentes não há as restantes profissões!

  12. Quando estava a tirar o meu curso de professora, sim, porque os professores estudam para ter o seu curso, dizia uma das minhas professoras: “a ignorância é muito atrevida”. Como é tão verdade! Só quando se tem cultura se dá importância a cultura. Senão vejamos: governantes com diplomas falsos, nomeiam qualquer um para ministro da educação; indivíduos que não conhecem minimamente uma escola do país e nem imaginam como trabalha um professor a começar pelo1º ciclo. Para agravar a situação inventam acordos ortográficos. Como há-de estar a educação neste país?!

  13. A propósito deste artigo de RAP e de tantos comentários produzidos, muito haveria a dizer em relação à classe dos professores e do ensino em Portugal.

    Nota prévia: não sou professor mas tenho habilitações pedagógicas experiência em formação e ensino não formal, tenho familiares directos e amigos próximos que são professores (e que andam de casa às costas e tudo o resto, vivo isso e já passei por isso), tenho familiares que estiveram ligados ao ministério e fiz parte de várias associações de pais, de assembleias estatutárias, comissões e vários outros órgãos de gestão escolar em várias realidades e contextos. Acompanho vários blogues, fóruns e autores sobre a educação e mantenho interesse na temática.

    Tenho alguns anos de “convívio” e experiência directa da realidade de ensino. Não sou a favor nem contra nada nem ninguém, tenho as minhas opiniões e convicções que defendo e apresento numa perspectiva de reflexão, de discussão e diálogo e de contributo para a melhoria do ensino no seu todo.

    Há muito que defendo que a responsabilidade do ensino em Portugal é, directamente, dos seus intervenientes – ministério, sindicatos, professores, funcionários, pais e alunos mas, indirectamente, também das comunidades educativas e escolares e de todos nós enquanto cidadãos, sendo obviamente o nível de responsabilidades diferente de caso para caso.

    E para o artigo em apreço e considerando apenas a classe de professores, a verdade é que têm muitas responsabilidades no actual panorama do ensino. Não deixando no entanto de ter muita razão em muitos aspectos também.

    Continua-se a assistir a muita discussão diária sobre o ensino mas a verdade é que o debate sobre a essência do ensino e aspectos fundamentais do mesmo continua por fazer no sentido lato e abrangente, sendo que na prática o foco da discussão que passa para a opinião pública é essencialmente sobre os direitos e regalias dos professores, com todas as generalizações inerentes e, por isso, também perigosas.

    No entanto:

    1) Continua por fazer a discussão séria e honesta dos efeitos da quebra de natalidade contínua no número de alunos ao longo dos últimos anos e que se irá continuar a verificar. Nos últimos anos foram menos algumas centenas de milhares de alunos que entraram no sistema. Existem estudos e projecções alarmantes para o futuro próximo sobre o assunto mas não se discute publicamente este tema e o efeito que isso tem e terá no ensino. Se há menos alunos, menor é necessidade de professores, logo menos oportunidades existirão e mais desemprego ocorrerá. Que soluções e que futuro para esses professores, as suas vidas, as suas carreiras, as suas expectativas, os seus desejos, as suas naturais ambições?

    2) Continua por fazer a análise real das actuais e futuras necessidades de professores. Actualmente existe um claro excesso do número de professores para as reais necessidades existentes, basta atentar aos números actuais. No entanto, continuam a formar-se professores todos os anos que continuam a ser “lançados” num mercado saturado, mesmo que se tenham congelado vários cursos e seja menor o número de licenciados a sair anualmente.
    Por outro lado, e considerando a queda do número de alunos e numa altura em que apenas 0,3% dos professores têm menos 40 anos, o que vai acontecer à classe daqui a uns anos? O que está a ser projectado? Que medidas se estão já a tomar para precaver esse futuro?

    3) Os representantes dos professores – sindicatos, estão há muito na mão das mesmas figuras que continuam a perpetuar-se nos cargos, politizados e ao serviço de interesses partidários e de estratégias que muitas vezes não são verdadeiramente defensoras da classe que representam. No entanto, os órgãos dos sindicatos só fazem aquilo que os associados o permitirem. Considerando que cada vez menos professores são sindicalizados e que aqueles que o são estão na sua maioria alheados e não participam activamente (não vão às assembleias, não participam nas eleições, não apresentam alternativas, não são voz activa, não exigem responsabilidades aos seus representantes, não elegem novos representantes) a situação vai-se mantendo, as figuras não se renovam, as estratégias são as mesmas de sempre e os sindicatos vão-se mantendo ao serviço de interesses que na maioria das vezes não são os da classe, pelo contrário, com todos os prejuízos daí decorrentes (para os professores todos), mesmo que no imediato a sensação possa ser de uma conquista (efémera) e mesmo que muitas vezes só para parte da classe.

    4) Os professores são pouco exigentes em relação à própria classe. Todos sabemos que existem bons e maus profissionais em todas as áreas. E também é certo que nem todos os profissionais têm competência, perfil e capacidade para exercerem as funções que desempenham. O mesmo se passa com os professores. A questão da avaliação, como se colocou, toda a discussão e como se faz actualmente é um péssimo contributo para todos. Considerando que “uma maçã podre no cesto acaba por contaminar todas as maçãs”, o facto de os professores encobrirem e protegerem os maus colegas (a nível profissional), implica que estão a contribuir para o enfraquecimento da classe no seu todo. Porque o que passa para a opinião pública são sempre os maus exemplos que depois estão na base da generalização. Exemplos existem muitos e podia dar inúmeros e todos os professores conhecem casos concretos. Mas, por alheamento, desinteresse, omissão, cumplicidade, receio e por todos os motivos e mais alguns, as situações continuam a verificar-se. E, diariamente, a minar e a fragilizar a credibilidade da classe. Porque se há um professor um professor competente isso é o que se espera mas se há um professor incompetente então são todos.

    5) Os professores são e estão pouco unidos. Os da velha guarda contra os contratados. Uns contra os outros. Todos se queixam uns dos outros. Ou porque são novos e têm pouca experiência ou porque são velhos e nem uma tabela de excel sabem usar para lançar notas. Ou porque têm a mania que sabem tudo ou porque os materiais que usam estão desajustados e são (literalmente) do século passado. Ou porque estão de passagem ou porque estão cheios de mordomias e têm os horários que querem (nota: como é possível haver professores com estatuto para não trabalharem à Sexta-feira e/ou Segunda-feira e terem horários a “pedido” e conforme os seus interesses!). Ou porque são contratados e são os desgraçados para levar com as burocracias todas ou porque são os velhos que não querem fazer nada e empurram tudo para os outros. Ou porque têm as regalias todas (menos horas, mais vencimento, mais tudo) num egoísmo atroz sem consciência do que isso custa ao País e que dificilmente os colegas nada disso terão.
    Basta ver alguns blogues e fóruns para perceber o nível da discussão, as ofensas, o enxovalho, num espectáculo tantas vezes degradante.
    E esta relação minada entre pares é provocada, alimentada e aproveitada por quem governa e pior! por quem representa os professores. Dividir para reinar e para ir cada vez mais subjugando uma classe inteira.
    E infelizmente, os professores vão permitindo e alimentando este sistema! Com todas as consequências também ao nível da imagem da classe perante a opinião pública.

    6) Os professores não percebem que nem tudo o que os rodeia está contra eles. E nem tudo o que rodeia os professores percebe os professores.
    Se infelizmente existem muitos elementos da comunidade que falham a vários níveis (e este tema daria um artigo por si só), também há muitos que estão do lado dos professores, que estão disponíveis para colaborar e que poderiam ser seus aliados mas que acabam por ser desconsiderados e olhados de lado porque (aparentemente) “não percebem nada do ensino, porque não têm nada que se meter, porque não são da escola e porque muitos até são uns selvagens, incultos e nem sequer têm direito a opinar sobre algo que é exclusivo de uns tantos iluminados que dão aulas” (o risco da generalização ao contrário que também acontece).
    E isto acontece porque o diálogo entre as partes muitas vezes não se faz, porque as posições estão extremadas, porque há uma desconfiança entranhada, porque uns pensam ter um estatuto e um privilégio de classe, porque os outros acham que esses têm a mania, porque uns acham que eles é que sabem, porque os outros acham que esses muitas vezes poucos sabem, e porque e porque e porque…

    7) Os professores acham que não têm que dar educação nem dão. Mas têm que dar e dão! Porque ensinar é educar. E educar é ensinar! Não é possível dissociar as duas!
    Independentemente da educação que os alunos têm que trazer de casa (e que infelizmente muitas vezes não trazem – e isso dava outro artigo).
    Porque os alunos passam a maior parte do tempo na escola (outra artigo), porque também se educa pelo exemplo e pela prática. Porque os professores acabam por ser modelos para os seus alunos (e todos se lembram de professores que pelo bom exemplo ficam para a vida!)
    Que exemplo espera dar um professor que chega sempre atrasado às suas aulas? Ou que chega sem ter tomado banho? Ou com aspecto descuidado? Ou com as roupas sujas ou rotas? Ou com os seus próprios materiais degradados e danificados? Ou que está nos intervalos encostado mesmo à porta da escola a fumar e deita as beatas para o chão? Ou que deita papéis para o chão? Ou que atende o telemóvel na aula? Ou que está no café junto à escola com linguagem imprópria com alunos a ouvirem? Ou que vai alcoolizado para a escola? Ou que passa à frente dos alunos da fila do bar ou do refeitório só porque é professor? Ou que passa nos corredores e não cumprimenta alunos, funcionários ou colegas? Ou que vai ao wc e deixa tudo sujo e nem lava as mãos? Ou que nem sequer arruma a sua cadeira ao sair da sala? Ou que está a dar aulas e a mascar pastilha? Ou que envia recados na caderneta com erros ortográficos de palmatória? Ou que não cumpre prazos? Ou que não respeita as opiniões dos colegas nas reuniões, nos conselhos, no desempenho de funções? São apenas alguns exemplos concretos e muitos mais haveria a dar.
    O que esperam os professores que não acham que têm que educar e que, efectivamente, educam? Os professores educam sim e têm que dar o exemplo e ser exigentes também na educação! Faz parte da profissão, é implícito.

    8) O próprio discurso dos professores apresenta várias contradições o que acaba por enfraquecer a sua própria argumentação, razões e defesa. Queixam-se que levam muito trabalho para casa mas na maioria dos casos não ficam na escola a trabalhar após o período de aulas (nunca são as 07h30 de horário de trabalho), quando a maioria das escolas actualmente tem condições para tal. (quantos trabalhadores estão 8 e mais horas e no emprego e também levam trabalho para casa?) Queixam-se que andam cansados mas muitos deles dão explicações e formação fora do horário laboral (muitas vezes em negócios e rendimentos ilegalmente não declarados). Queixam-se das formações que obrigatoriamente têm que frequentar ao final do dia ou ao fim de semana mas rejeitam que as mesmas se realizem em horário normal nos períodos de pausa lectiva do Natal, Páscoa ou Verão. Queixam-se muito dos custos dos materiais mas continuam a aceitar e a receber em casa todas as ofertas das editoras (livros, manuais, materiais, conteúdos, telemóveis, tablets e outras) numa ligação no mínimo, eticamente “sensível”. Queixam-se da carga horária mas não referem os dias de férias que ilegalmente, na prática, têm a mais durante as pausas lectivas (ainda estou para conhecer o primeiro professor que, não sendo obrigado, na semana entre o Natal e o Ano Novo ou na Páscoa ou a partir de meados de Julho se apresenta diariamente na Escola para cumprir a sua obrigação de respeitar o seu horário ou de não apresentar uma série de argumentos completamente infundados e disparatados para cumprir o que é de contrato).

    9) Os professores queixam-se muito da sua realidade, com muitas razões mas infelizmente não são os únicos com razões de queixa! Porque há muita gente que se desloca diariamente muitas horas para ir trabalhar, que vive separada da família durante a semana por motivos profissionais, que sente pressão, que é desconsiderada, maltratada, desrespeitada, desconsiderada, ameaçada, agredida. Que vivem a prazo e com receio, na incerteza e cansadas da vida. E que têm tantas ou mais habilitações que os professores e que são tão ou mais capazes que os professores e que têm muito mais responsabilidades que os professores.
    Mas que não são professores e que por isso não têm uma tabela de remunerações, mais subsídio de alimentação, mais o artigo tal e tal e tal para meterem e justificarem faltas e que ganham o ordenado mínimo ou pouco mais que isso!
    Porque efectivamente nem tudo gira à volta dos professores.
    Fica um simples exercício para os professores do público repensarem algumas situações… mas nem é preciso ir mais longe, basta olharem para tantos colegas do privado e imaginarem se estivessem no lugar deles.

    E porque este meu escrito vai longo, termino por aqui, embora muito mais houvesse a referir em relação aos professores (é o tópico) mas, sobretudo, em relação ao ensino.

    E esse é um dos problemas, a falta de discussão e diálogo sério, real e concreto, olhos nos olhos, sem demagogias, com todos e entre todos os intervenientes. Ouvir, compreender e interagir com as partes, com fraternidade, para chegar a entendimentos, e a um objectivo comum – um ensino digno, justo e respeitoso!

    E os professores são uma das partes.

    Que passa problemas, que está desmotivada, que é pressionada, que perdeu poder, autonomia e prestígio, que é desrespeitada e desconsiderada. Infelizmente como muitas outras profissões e trabalhadores neste País.

    Quem tem razões de queixa válidas e concretas que precisam de ser compreendidas e entendidas. Como tantos outros portugueses, incluindo pais, alunos e funcionários.

    Que precisam de apoio, compreensão e carinho. Como todos!

    Mas para isso, também é preciso que os professores deixem de olhar só para o umbigo, de constantemente darem tiros nos pés, de acabarem com demagogias e de perceberem que também têm que alterar e melhorar algo e dar o seu contributo a outros níveis.

    Porque precisamos dos professores de corpo e alma e porque – independentemente de tudo, o seu papel continua a ser essencial no futuro deste País!

    E infelizmente muitos se esquecem disso. Incluindo tantos professores…

    • O comentário é muito longo, mas toca em muitos pontos críticos. Existe no entanto um ponto importante que não focou no cansaço do professor. Por cada aula um professor toma uma série de decisões num ambiente muitas vezes adverso. O cansaço não se reflete apenas na carga letiva, mas sim no contexto da própria aula.

      • Caro Alexandre,

        antes de mais as desculpas pela extensão do comentário, mas achei importante focar um conjunto de pontos que considero pertinentes.

        Como referi, mais ainda haveria a referir e a analisar.

        Por exemplo, a forma como o ministério tem lidado ao longo dos anos com o ensino, o experimentalismo constante com todas as alterações e mudanças a um ritmo exagerado e tantas vezes desajustadas e sem nexo, as decisões tomadas no conforto de gabinetes sem, muitas vezes, se conhecer a realidade no terreno, sem se perceber dos assuntos, sem se ouvir e valorizar a visão e opiniões de quem “sabe da poda” e, principalmente, ao serviço de interesses, ideologias ou megalomanias tem sido um desastre.

        Com todas as consequências inerentes no ensino e na sua qualidade. E este tem sido um processo continuo de degradação do ensino, em que ninguém sai a ganhar.

        E isso, naturalmente, reflecte-se também em todos os intervenientes no ensino e tem levado à saturação, à descrença, ao desacreditar e ao cansaço de todos, incluindo obviamente os professores.

        E em relação ao contexto da aula que refere e bem, esse acaba muitas vezes por ser o epicentro e reflexo de tudo.

        Considero que, neste particular, se poderiam tomar várias medidas práticas no imediato: a redução do número de alunos por turma; a existência de um professor auxiliar em determinadas aulas e contextos; a existência de um verdadeiro sistema de apoio em cada escola, com uma equipa de psicólogos e terapeutas (em função do número de alunos e não um psicólogo por escola ou agrupamento como sucede) para alunos e, principalmente, para professores; a existência de um sistema de apoio a professores com dificuldades económicas ou deslocados; a existência de um sistema/modelo de gestão de conflitos por escola que facilite o relacionamento e o diálogo entre professores e alunos; a introdução de duas ou três “mini-pausas” ao longo do ano, aproveitando feriados para fins-de-semana prolongados, para permitir alguma descompressão e descanso.

        Estas são apenas algumas ideias e muitas outras haverá. Por exemplo, a adequação dos horários escolares (percebendo que há professores e alunos que fazem muitos quilómetros todos os dias e que têm que se levantar de madrugada para entrarem na escola às 8h00, com as consequências inerentes); a adequação dos currículos e dos tempos lectivos; a existência de verdadeiros percursos alternativos para os alunos; a introdução de sistemas que tornem a escola mais apelativa e interessante aos alunos (aproveitando as pausas lectivas e abrindo as escolas para actividades lúdico-pedagógicas, que permitam a consolidação de conhecimentos e matérias, a realização de actividades diferentes do que habitualmente se faz na escola e um maior divertimento ao alunos, tornando dessa forma a escola mais apelativa e interessante e um local onde eles queiram estar); um tempo próprio para actividades extra-curriculares e assumir isso como componente essencial na escola (os mais diversos tipos de clubes, o desporto escolar, oficinas experimentais e práticas sobre as mais diversas temáticas, a realização de festas temáticas abertas à comunidade); a criação de sistemas de bonificações, recompensas e atribuição de prémios em função da produtividade e cumprimento de objectivos (para alunos e professores) para estimular a positividade e produtividade.

        É certo que algumas medidas até já estão preconizadas e outras criadas até, mas é preciso implementá-las a sério e em tempo útil e de forma adequada e ajustada. Felizmente, também existem muito bons exemplos de boas práticas em muitas escolas, basta divulgar e replicar esses conceitos.

        Só que, para isso é necessário investimento. E para isso são necessários recursos. Que muitas vezes até existem mas que tantas vezes são mal canalizados e geridos. A nível central, a nível regional mas também e muito a nível local. Mas isso daria outro artigo.

        Cumprimentos

  14. “O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se eles possuíssem algum tipo de sabedoria, tê-Ia-iam usado em proveito próprio. É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas com esta capacidade de discernimento? Parece-me claro que não.
    Lendo o citado, devo acrescentar que por esta ordem de ideias seria um país sem professores. Os professores não valem nada. Há tanta gente bem formada neste país, quem os formou? Não foram os professores? Foi o cozinheiro ou o sapateiro?

  15. 3500 euros?!? Só se se tratar de uma “professora” de algum bordel de luxo!!! lolol
    Inacreditável a ignorância de algumas pessoas…

  16. Sou professora há mais de 35 anos e o meu salário não ultrapassa os 1300 euros e agora estou doente e extremamente cansada. Mandem os professores para campos de concentração pois são uns inúteis e débeis mentais . Quanto à formação já passei fome pois saía da escola tarde e ia direta para outra escola longe da minha e regressava às onze da noite. É tudo muito lindo , não me pronuncio sobre outras profissôes porque nada sei , mas toda a gente opina sobre os docentes.Abençoada a santa ignorância , muito obrigada a todos.

  17. Sempre ouvi dizer que quem não está bem muda-se…o problema é que a grande maioria dos senhores e senhoras que leccionam hoje em dia tem a consciência de que não conseguiriam arranjar forma melhor de pagar as suas despesas…têm a consciência de que, se fossem trabalhar para o privado (obviamente falo dos professores do ensino público) ou, até mesmo, trocassem de ministério, iriam perder muitas regalias económicas e laborais. É por isso que protestam. Talvez, sem mudar de trabalho e protestando um bocado (ou se não gostar de protestar juntando-se a um grupo de protesto bem pago, criado para o efeito como por ex. o recente SToP) consigam mais um pouco do que o bastante que já têm. Por favor, voltem ao mundo real…voltem ao mundo em que as outras pessoas vivem… E, por favor, não prejudiquem os nossos filhos. Ah…e aproveito para dizer que qualquer pessoa em Portugal cumpre uma requisição de serviços mínimos obrigatórios…a não ser, pelos vistos, uma classe que acha que pode ser diferente. Obviamente, não falo de todos, porque sei e reconheço que há verdadeiros profissionais, mas que estes são uma minoria. Façam-no por vocação e não pelo que fazem. E mais uma vez…quem está mal, muda-se.

    • Quem lhe disse que os professores não vão cumprir os serviços mínimos? Estes podem é ser ilegais, mas isso é outra conversa…

    • Parece-me que o Sr. Rafael tem algum “trauma” ou “cotovelite” com professores!
      Gostava de ter essas “pseudoregalias” que afirma terem os professores? Porque não concorre? Se calhar porque tem a “consciência” de que não tem capacidades para!
      A maioria dos professores são professores por opção, por vocação e não por ” não conseguirem arranjar melhor forma de pagar as suas despesas”, como o Sr. refere. Ao contrário, muitos dos que os criticam é que não têm capacidade, nem vocação nem formação para exercer a profissão de professor, que dizem ser “tão bem paga”!
      É como no futebol , tantos ambicionavam ser “Cristianos Ronaldos” mas infelizmente não têm capacidade para! Uns criticam de forma “invejosa” outros, pelo contrário, reconhecem a sua capacidade e admiram-no!
      Em relação aos professores também se passa o mesmo, muitas pessoas sabem que não têm capacidade para desempenharem a função de professor mas ó criticam porque “invejam” os “ordenados chorudos”, as férias, as “pseudo regalias” ! Felizmente ainda existem aqueles que reconhecem não ter capacidade para exercer a função de professor mas admiram a profissão e quem a desempenha!
      Quanto ao pedido de “não prejudiquem os nossos filhos” , limito-me a salientar que quem prejudica os filhos são os próprios pais, do ponto de vista de valores e formação moral, quando proferem comentários que desvalorizam, desrespeitam e desautorizam aqueles que os formam, os ouvem, os acarinham e lhes dedicam mais atenção diária do que os próprios pais! Existem ainda felizmente, muitos “vossos filhos” que não “agridem” professores mas pelo contrário os valorizam e admiram.

      • Não… Não estou preocupado com os vossos ordenados chorudos, nem com as férias ou os dias sem trabalhar dissimulados, nem tão pouco com a carga horária ridiculamente reduzida (comparando com os outros sectores da função pública ou do privado). Estou preocupado sim com o estado do ensino, com a sobreposição dos vossos interesses ao interesse superior da função que desempenham. Tenho imensos amigos e conhecidos professores, e como é obvio, cada um desempenha a sua profissão à sua maneira, uns melhor, outros menos bem, uns com gosto, considerando gratificante a oportunidade de transmitir bases e conhecimentos aos seus alunos, outros nem tanto. Nao tenho formação para leccionar tal como você também não tem para desempenhar as minhas funções na minha área. Nem entendi tão pouco o seu interesse em se superiorizar tendo como base uns anitos na universidade que bem sabemos como são.Faz-me rir este tipo de atitude. Quando aos filhos, garanto-lhe, sempre respeitadores (com os professores, colegas, funcionarios das escolas e a sociedade em geral, tendo como principio de que toda a gente deve ser tratada da mesma forma) e excelentes alunos. O problema agora é este (e apenas este): onde estão as notas? A culpa até pode ser do governo mas, se não há orçamento para honrar os compromissos,o que vão fazer? Parar o país, gozar um período sabático ate vos serem repostos os direitos? Se toda a gente fizesse o mesmo amanhã você não comeria porque os funcionários dos supermercados talhos e peixarias estariam em greve, nem se deslocaria para o trabalho porque os postos de combustível estariam fechados, nem andaria na rua porque não sentiria segurança pois a policia estaria em greve.Ganhe juízo. Além disso tenho amigos, licenciados via ensino, que, apesar da vocação para dar aulas, optaram por outras áreas de trabalho (trabalho sim) como forma de ganhar a vida e não precisarem de andar por ai a chorarem-se e a dar uma de coitadinhos.
        A verdade é esta, há prioridades para o dinheiro público e vocês deviam ter vergonha por quererem passá-las à frente.Poderia ficar a noite toda a escrever sobre o assunto mas sei que não tem interesse quando uma das partes só quer ouvir (neste caso ler) o que lhe convém. Chame-lhe cotovelite se quiser mas primeiro pense um bocado no que se passa à sua volta e não apenas com os seus. Boa noite…

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here