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Os Professores Que “Traumatizam” Os… Pais

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Vou já arrumar a questão dos professores que cometem excessos de linguagem e que mal tratam verbalmente os seus alunos de forma reiterada. São maus profissionais e não deviam lecionar! Ponto!

Porém, há algo extremamente importante e que é desvalorizado vezes sem conta quando as queixas dos mais novos sobre os seus professores chegam a casa. Chama-se, contexto!

Hoje em dia o simples “cala-te”, “está quieto”, “senta-te”, etc, já não são suficientes. É preciso repetir várias vezes pois a maioria dos mais novos nasceu com problemas de audição seletiva… Infelizmente os professores são muitas vezes obrigados a ir mais além, “flexibilizando” a sua abordagem disciplinar para que uma luz se acenda na cabeça dos “cavalinhos selvagens” de modo a que estes acatem as ordens dos professores.

Por vezes, são os mesmos pais que fazem críticas à forma como os professores falam com os alunos, que em casa lhes dão uma valentes chapadas com efeito imediato na correção do comportamento do filho(a). Viva a pedagogia!

Há pais que dizem aos professores “está à vontade para lhe chamar a atenção e se for preciso apertar com ele, aperte”. Porém, há pais que o simples chamar a atenção é pecado capital, pois o seu mais que tudo é um Deus intocável e os seus caprichos de má educação são para ser aceites com um sorriso nos lábios e respetiva vénia…

Os professores fazem mil e uma acrobacias para que a sua mensagem passe, colocando máscaras que por vezes mal lhes servem mas que são necessárias para chegar ao toque com o objetivo atingido – Hoje ensinei!

O artigo que podem ler em baixo, é um claro exemplo da forma deturpada com que se analisa uma expressão infeliz que uma professora proferiu para uma aluna que estava mal sentada.

Porém, o que a encarregada de educação devia também questionar, é o número de vezes que a professora pediu aos seus alunos para estarem com uma postura correta em sala de aula, o número de vezes que a professora advertiu os seus alunos para estarem atentos e o número de vezes que a professora teve que parar a aula para corrigir aspetos que deveriam ser adquiridos em casa. Se é para especular, então especulemos para os dois lados…

O discurso deve ser adaptado ao contexto e o contexto não é replicável em casa. Para julgar devemos passar pela experiência de estar à frente de meninos mal-educados, especialistas em deturpar o que lhe dizem, a contar em casa a versão que lhes convém e que mentem com a facilidade como quem respira.

As teorias pedagógicas são fantásticas, mas precisam de ser bem sucedidas. Os professores aprenderam há muito que nem sempre o padrão é eficaz e a pedagogia é muitas vezes o que funciona e não o que está escrito nos livros. Por vezes é preciso radicalizar para que os alunos saiam da hipnose de mau comportamento e percebam que estão perante um adulto, uma autoridade, um poço de saber que lhes permitirá ser alguém na vida.

Por isso, a todos aqueles que ficam chocados com alguns excessos, lembrem-se sempre que o excesso só surge pois a norma não funcionou. É que as ordens de saída de sala de aula resolvem apenas o problema daquela aula, é preciso que a mensagem passe de forma eficaz e clara.

Infelizmente esta é uma realidade demasiado transversal e que deveria ser mais compreendida pelos (aliados) pais.

Por fim um conselho se me permitem. Lembrem-se sempre que ao falar com os alunos podem estar a “traumatizar” os encarregados de educação. É que nos tempos que correm a pirâmide está invertida e o professor está na sua base.

Alexandre Henriques


PENSAS QUE ESTÁS NA BARRACA ONDE VIVES?

No outro dia, uma professora perguntou isto à minha filha, que tem 12 anos e está no 6º ano. “Pensas que estás na barraca onde vives?”

Ela contou-me, ao jantar, olhar crítico, mas descontração saudável, que tanto me descansa. “Achas bem, mãe?” Primeira (e estúpida) reação minha: “O que é que fizeste para a professora perguntar isso?” Ela, com aquele ar incrédulo dos pré-adolescentes: “Só estava torta na cadeira, mãe. Achas bem uma professora perguntar isso?”

Nesta pergunta, que não afetou a minha filha porque ela não vive numa barraca, está toda a injustiça social, a falta de pedagogia e a falta de empatia que tantas vezes persiste nas salas de aula portuguesas.

Não, não acho. Não valorizei. Não falei com a professora. Não falei sequer com o diretor de turma. Mas não acho. E expliquei porquê à minha filha. Naquela pergunta que a professora lhe fez, e que não a afetou porque ela não vive numa barraca, está toda a injustiça social, a falta de pedagogia e a falta de empatia que tantas vezes persiste nas salas de aula portuguesas.

Na cabeça de quem fez aquela pergunta, que, calha, é professora, uma criança que vive numa barraca porta-se naturalmente mal, tem maus resultados, não tem emenda, talvez não tenha mesmo lugar ali, naquela escola, que, calha, é uma escola pública.

Ora, na minha maneira de ver as coisas, uma criança que ainda viva numa barraca no Portugal do século XXI e da União Europeia e dessas modernices todas dos países desenvolvidos devia ser o centro das atenções da escola pública e não o incómodo, que se suporta ou, tantas vezes, se varre para baixo do tapete.

Uma das questões com que me debato e que me deixa os nervos em franja é porque é que a escola pública, que deveria ser o principal instrumento de justiça social e de criação de igualdade de oportunidades, continue a não conseguir, quase 45 anos depois do 25 de Abril, garantir um ensino igual para todos.

Talvez na infeliz pergunta da professora da minha filha esteja parte da explicação para isso.

Fonte: DN Life

 

 

7 COMMENTS

  1. Sobre a “barraca”, a encarregada de não sabe o que é uma metáfora ou falar em sentido figurado. É de estranhar visto que o discurso dela é bastante articulado. A senhora até poderia viver num palácio, contudo é uma “barraca” (confusão, desorganização) se a menor pensa que pôde compromete-se numa sala de aula como o faz em casa. A senhora deverá adquirir uma consciência. Comigo, garanto que a aluna teria falta disciplinar e sairia da sala com tarefas a serem realizadas no gabinete apropriado para estas situações.

  2. Aqui falta a versão da professora, só temos a versão da aluna e da encarregada de educação. Quem trabalha em educação sabe que os “anjinhos” nunca partem um prato, partem logo a louça toda. Os professores têm limites, os “anjinhos” não, estão em período de crescimento, em período moratório, os excessos são compreendidos, em contrapartida, os excessos do professor que trabalha em “burnout” e é por vezes um deprimido funcional, não são compreendidos.

  3. Caramba! Do que já me livrei… Os meus alunos mentiam muito. Mentiam em relação à sua conduta e mentiam em relação àquilo que eu, efectivamente, dissera. Os encarregados de educação não são educadires, não o querem ser , preferem ser protectores… não adianta tentar fazê-los compreender. Que a vossa cruz seja leve, desejo eu aos colegas no activo.

  4. Provavelmente até serei mais velho em relação aos que aqui comentaram ou, até mesmo, em relação ao autor da postagem. Portanto, já à partida dispenso eventuais observações sobre o meu conhecimento ou experiência de vida. Já tenho calo. Enfim.. Existe vocação e a falta dela. Expressões como “cavalinhos selvagens”, “anjinhos”, “mentiam muito”, “do que já me livrei”, “Comigo, garanto que a aluna teria falta disciplinar ” (então esta é fanfarronice pura de dura) – tudo isto são traços de professores que não têm a menor vocação para tal. É como se vocês fizessem o frete ao terem que aturar as “pestinhas” e as “pestes maiores” (como já ouvi em tempos). Felizmente conheço quem seja realmente um Professor, com P maior. Vocês sois, pelos vistos, apenas umas pessoas que calharam de leccionar.

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