Início Editorial Os Professores Precisam De Tempo, Os Alunos Precisam De Tempo, Os Pais...

Os Professores Precisam De Tempo, Os Alunos Precisam De Tempo, Os Pais Precisam De Tempo, A Sociedade Precisa De Tempo

7456
1

Numa das suas filiais no Japão, a conhecida empresa Microsoft reduziu a semana de trabalho para 4 dias durante 1 mês. O teste realizado levou a ganhos de produtividade na ordem dos 40%, redução de 23% no uso de eletricidade, redução de 59% de páginas impressas e 92% dos trabalhadores mostraram satisfação com a experiência.

Já se sabia, mas o conceito de horário fixo e de mais horas não são significativos de maior produtividade. O foco para aumentar os índices de produtividade deve ser a motivação dos profissionais, dando-lhes objetivos e tempo para se reequilibrarem emocionalmente. Trabalhadores felizes produzem mais e o risco de burnout e consequentes baixas médicas diminuem de forma acentuada.

Em Portugal, nomeadamente no ensino, assistimos ao oposto do que foi implementado nesta experiência piloto, com professores a trabalharem muitas vezes mais de 40 horas por semana, e alunos que somando à sua carga horária os trabalhos de casa, os trabalhos de grupo, os testes e o estudo contínuo, ultrapassam frequentemente o horário laboral dos seus progenitores.

Costumo dizer à minha filha que tenho de lhe marcar na agenda 1 hora para que possamos fazer coisas em família, pois a sua escola teima em invadir o nosso tempo familiar.

Ultrapassando este parêntesis mais pessoal, as diferentes reformas que fomos assistindo ao longo dos anos nunca se centraram numa questão essencial, o Tempo. Tempo para as aulas, tempo para recuperar alunos em dificuldades, tempo para preparar as aulas, tempo para articulação entre pares, tempo para refletir e naturalmente tempo para desligar e recalibrar.

Podem vir com flexibilidades, autonomias, ensinos centrados nos alunos/professores, processos ou resultados, venham com aquilo que vierem, todas ignoraram a premissa essencial e que mais potencia o sucesso – o Tempo!

É impossível os professores trabalharem em articulação sem tempo, é impossível os professores recuperarem alunos sem tempo, é impossível os pais serem pais sem tempo!

Em Espanha os professores não têm aulas da parte da tarde e utilizam esse tempo para planificar, articular, flexibilizar. Em vários países, os alunos têm uma carga letiva reduzida, com apoios significativos que lhes permite acompanhar o pelotão da frente.

O respeito pelo tempo da família, a valorização social da família, colocando-a à frente das questões laborais, são esquecidas sistematicamente em Portugal, levando a que os membros da comunidade educativa se ataquem mutuamente, quando afinal, todos são vítimas e todos são reféns da falta de… Tempo.

Haja coragem! Como houve para assumir que os chumbos são para acabar, goste-se ou não, concorde-se ou não, ao menos assumiram o que já se faz há demasiado tempo por debaixo da mesa e onde as pressões roçavam o absurdo.

Haja coragem para reduzir os currículos, reduzir a carga letiva e se preciso for, reduzir o número de disciplinas!

Haja coragem para dar tempo, para reconquistar o tempo! As escolas desesperam por tempo, pois o que falta não são mais reformas, o que falta mesmo é apenas e só tempo.

Alexandre Henriques

 

Microsoft Japão testa semana de trabalho de quatro dias. Produtividade aumentou 40%

A semana de quatro dias de trabalho da Microsoft no Japão seria possível em Portugal?

COMPARTILHE

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here