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Os Professores Ganham Muito Dinheiro? Sim E Não

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Apesar de Alexandre Homem de Cristo não ser uma “personagem” consensual no mundo educativo, gosto particularmente da forma como argumenta, fá-lo com factos.

Revejo-me nas suas conclusões tirando o ponto 4, não considero que um professor experiente seja um melhor professor, como não considero que um professor mais jovem seja um melhor professor. É uma questão de competência e a competência não tem idade…


So what? O tira-teimas sobre os salários em quatro ideias-chave

Primeira ideia-chave: a OCDE não se enganou e usou os dados correctos (mas tratou-os). Existem várias formas de analisar uma mesma realidade e, mesmo havendo umas potencialmente melhores do que outras, todas têm a sua validade, desde que cumpram os requisitos técnicos e científicos. Neste caso, a Comissão Europeia fez a sua análise dos salários com base nos salários nominais (i.e. os valores que constam dos recibos de vencimento) e não compara os salários entre países. Ora, a OCDE faz essa comparação e, para que esta seja válida, opta por uniformizar os salários de todos os países através de um tratamento estatístico. Foi o que foi feito no relatório que tanta polémica provocou: a OCDE aplicou um tratamento aos dados dos salários que é estatisticamente correcto e que conduziu a conclusões válidas. O ponto foi que esse tratamento estatístico produziu novos valores de referência para a comparação salarial, que não são os das folhas de vencimento e que não devem ser mencionados como tal. O problema é que houve quem os mencionasse dessa forma, misturando alhos com bugalhos, nomeadamente na comunicação social, levando muita gente ao engano e provocando a indignação dos professores.

Segunda ideia-chave: a OCDE tem razão. É correcta a afirmação de que os professores portugueses ganham mais dinheiro do que outros trabalhadores igualmente qualificados. Essa conclusão não é, aliás, exclusiva da OCDE e já antes havia sido assinalada pela Comissão Europeia – que indica que os professores têm salários bastante acima do PIB per capita. É mesmo assim e basta olhar à volta: não há muita gente, mesmo qualificada, a ganhar 3 mil euros brutos no topo da carreira. Ora, isto não é dizer que os professores ganham muito dinheiro ou demasiado dinheiro. É só dizer que os professores devem ser bem-remunerados e, para a realidade portuguesa, até o são.

Terceira ideia-chave: a “vantagem” salarial dos professores tem duas explicações simples. Por um lado, a diferença de salários entre professores e outros igualmente qualificados diz muito sobre o mercado de trabalho português, que paga muito mal (sobretudo no privado) aos trabalhadores qualificados. Ou seja, a diferença é grande não porque os professores ganhem muito, mas porque os outros ganham pouco. Por outro lado, quando se comparam dados médios, o envelhecimento da classe docente enviesa as comparações. Isto porque cerca de metade dos professores tem 50 ou mais anos de idade e, tendencialmente, salários mais próximos do topo da carreira, situação que não se verifica em muitas outras carreiras.

Quarta ideia-chave: aumentar salários só parece ser eficaz através de bonificações. Numa óptica de políticas públicas, quando se discutem aumentos salariais com vista a atrair melhores professores ou a produzir melhores resultados, a investigação académica responde com a inexistência dessa relação causa-efeito. O principal efeito identificado, no que diz respeito aos aumentos salariais, surge através de bonificações para atrair, nas colocações pelas escolas, os professores mais experientes para os contextos educativos mais difíceis ou geograficamente isolados. Talvez seja esta uma política pública a ponderar, nomeadamente para as escolas do interior do nosso país (onde, em média, estão os professores com menor experiência e os alunos mais necessitados), de modo a promover uma melhoria na aprendizagem dos alunos.


E já que estamos a falar de dinheiro…

Porquê fazer greve? “Um valor assustador foi roubado do meu vencimento”

14 COMMENTS

  1. Alexandre,

    Mas se a gente olhar para o lado e começar a ler o que o José Manuel Fernandes escreve sobre o tema, é de fugir!!!!

  2. Caro Alexandre Henriques. Lamento que V. Exa. também enverede pela propagação da mentira dos nossos governantes e da comunicação social. Os alhos e bogalhos que são constantemente transmitidos à opinião pública são de que os professores estão, na sua maioria, no topo da carreira e que ganham cerca de 3000 Euros. Deviam dizer BRUTOS, que significam menos de 2000 euros líquidos! A maior parte dos professores com 50 anos de idade (média de idades dos professores no exercício de funções) estão como eu, no 3º escalão (23 anos de serviço) e auferem 1335 euros líquidos (com o subsídio de refeição incluído). Ora, podemos considerar que este vencimento representa a média dos vencimentos dos professores em Portugal. O senhor considera mesmo que este valor traz dignidade à profissão mais nobre que um estado civilizado pode ter ? Se eu com 23 anos de serviço tenho um vencimento bruto de 1900 euros, como pode o senhor afirmar que se atinge este patamar com 15 anos de carreira? As mentiras com que os sucessivos governos têm alimentado a comunicação social têm um único propósito político: aumentar a sua popularidade e subir nas sondagens, pois descobriram desde a grande manifestação de 2008 que a generalidade dos portugueses odeia os professores e adora vê-los a serem achincalhados. É este o povo e país que temos. Posso dizer-lhe que estamos em alta velocidade em direção ao abismo, os pais já não educam os filhos (não sabem nem querem), os professores são atacados e desautorizados constantemente, e mantêm-se precários durante uma vida inteira. Estão à espera de um futuro risonho para Portugal ?

  3. Caro Alexandre Henriques,
    Acaba de dar uma machada final na ILC.
    Para além de palavras bonitas, alicerçadas em pseudo ciência económica e sociológica, o artigo de AHC mais não faz que dar razão aos que defendem, tipo Arquitecto Fernandes, que” reposições de carreira” são igual a “banca rota”.
    Uma coisa é o que se escreve e outra é o que se lê nas entrelinhas.
    Há dias em que não saímos bem do espaldar. Em vez de apoiarmos o pés no chão, batemos com a cabeça. E, de pois dá nisto.
    Também leio todos os artigos do referido senhor Ex-conselheiro. Continuo sem perceber porque é que alguém, não se afirma pelo que é mais pelo que foi, transitoriamente.
    Reconheço no entanto, se calhar estou enganado, que quase tudo que o articulista escreve, está claramente formatado por uma matriz ideológica, que curiosamente é a mesma do “jornal”.
    Virá daí mal ao mundo? Não, mas que não há escritos inocentes,não há. No caso deste cavalheiro, nunca houve.
    Acabo de ouvir uma crónica de Helena Matos, outra colunista do “jornal”, claramente alinhada politicamente. O que é bom, pois não deixa dúvidas a ninguém. Nessa crónica histórica falou da importância dos nomes das família nobres.
    O senhor articulista também arrasta com ele o peso do nome, senão vejamos:
    Alexandre, o Grande;
    Cristo, o filho de Deus feito Homem.
    O “convencimento científico” que põe nos seus ensaios fazem deste Homem de Deus, um príncipe da ciência, no caso deste artigo da “ciência oculta”.
    Caro Alexandre, espero que a sua admiração derive do facto de terem o mesmo nome.

    • Meu caro, o AHC reconhece que houve um erro na interpretação dos nossos vencimentos pois não publicaram os critérios na comunicação social. Ele não diz que os professores ganham muito, mas os outros ganham pouco. É alguma mentira? Explica tb que a avançada idade dos professores origina consequentemente a estarem em escalões mais altos, o que por sua vez inclina a massa salarial. Isto são factos, qual é o stress???
      E já agora, qual é a relação da ILC com isto, onde é que dei a machadada final na dita??? Entrámos no campo do paranormal, só pode…

  4. Dar publicidade a neoliberais facciosos mentirosos é tao grave como o original.
    Dizer que os profs ganham muito e os outros é que ganham pouco dá para todas as situações. Qualquer politico ou Mexia da vida pode dizer o mesmo. Eu não ganho muito os outros é que ganham pouco.

    Seja sério Alexandre. Tire a venda do seu mundinho. Um prof de 50 com 25 anos de serviço ganha 1300€. Isso é que deve ser publicitado. Falar do 10 escalão que é virtual é uma mentira pegada.
    Abra os olhos homem.
    Jogar com medias dá para tudo. Os jornais e tvs já estão cheios de mentiras não lhes dê mais crédito. Diga a verdade.

    • Não é o 10º é o 9º escalão. Sejamos sérios e não ponha o Pedro uma pala que só olha para o que lhe convém. Sou professor há 17 anos, estou no 2º escalão sem receber o vencimento correspondente, estou chateado com o governo, ME e outros, mas não ignoro aquilo que é factual. ONDE É QUE ESTÁ UMA FRASE MINHA A DIZER QUE OS PROFESSORES SÃO BEM PAGOS??? Vem para aqui uma gentinha radical de bandeirinha na mão que é incapaz de ver a realidade. Irra que já não tenho paciência para vos aturar!!!

  5. O absurdo é que no início da carreira o salário base é pouco mais de 800€ e no topo passe do 3000€.
    É preciso nivelar e aproximar os valores.
    Muitos professores, provavelmente no topo da carreira até são os que menos sabem ensinar.

    • Pedro,

      “O absurdo é que no início da carreira o salário base é pouco mais de 800€ e no topo passe do 3000€.”
      Não está a misturar o líquido com o ilíquido?

      “Muitos professores, provavelmente no topo da carreira até são os que menos sabem ensinar.”

      Essa agora foi forte!!!!!!

      E não é verdade.

  6. Caro Alexandre, analisemos de outro prisma o artigo de Alexandre o Filho de Deus:
    i) se os outros ganham mal, por comparação os professores ganham até bem;
    ii) se os outros, progridem de 10 em 10 anos; os professores só devem progredir 70% desses doa 9 anos “em atraso.
    iii) se o equilíbrio orçamental está em causa, os professores devem perceber isso melhor que ninguém;
    iv) se os professores são são solidários (e SÂO!), devem aceitar os 2 anos,___ meses e ___ .
    Se isto assim for, para que serve a ILC?
    Alexandre, o se homónimo Filho de Deus não dorme e às vezes parece escrever direito por linhas tortas
    A finalizar: então o José Manel é tendencioso?
    Não, não é!
    Se ler o “caderno de encargos” do jornal onde o ex-camarada escreve, fica a conhecer os fundadores do jornal, onde verá o nome do José Manuel e a respetiva orientação ideológica: de Direita.
    Isso é mau, não, não é. É honesto, pois diz ao que vem. Pior seria ser como outros que se dizem pluralistas e estão, como estão…
    Leio muitas vezes o “dito cujo jornal” pois tenho curiosidade em acompanhar o pensamento político dos principais articulista que lá escrevem.
    São um pouco saudosistas do Professor Catedrático Paço os Dias a Guiar de Mota.
    Saudades, cada um tens a que tem.
    Bem haja e ponto final.

    • Eu não gosto de ler textos com bagagem acoplada… Estas teses altamente elaboradas de 2ª e 3ª intenções nas minhas publicações sinceramente até me dão vontade de rir. Eu sou muito básico… leio, se gosto ou acho que tem relevância publico, concordando ou não. Considero o José Manuel tendencioso sim, é a minha opinião. Agora se é amiguinho ou toma café com o AHO, não quero saber disso para nada, eu não sou advogado de defesa do AHO, era só o que mais me faltava.
      EU concordo que os professores do topo ganham bem, e bem significa que está bem assim.
      Eu concordo que os professores em início de carreira ganham mal.
      Acredito que quem fez o estudo da OCDE foi honesto, mas colocou variáveis que deturpam a análise. A comunicação social devia ter salvaguardado essas variáveis.

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