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Os professores estão obcecados com a lista de graduação.

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O estudo hoje apresentado sobre o concurso de professores vai ao encontro do que defendo há muito tempo. Os professores têm voz e não devem ficar refém de organizações ou personalidades com interesses políticos, devem dizer por si o que realmente pensam. Está na hora de falarmos pela nossa boca e esta casa dar-vos-á o tempo de antena de que precisarem.

A Nossa Opinião Também Conta!

Existem várias conclusões do estudo, mas é inevitável focarmos a nossa atenção na lista de graduação. Como referi à jornalista Clara Viana do jornal Público.

Já Alexandre Henriques considera que os resultados obtidos dão conta de “um corpo docente desconfiado e muito cansado de anos de injustas ultrapassagens”. “Está na hora de colocar o concurso de professores como um mero procedimento e não um momento de convulsão educativo, utilizado muitas vezes como um barómetro político. Ouça-se os professores, respeite-se as suas opiniões e dêem-lhes a estabilidade de que precisam”, exorta este docente.

O que indiretamente responde à dúvida levantada por Isabel Leiria do jornal Expresso.

Outra das conclusões deste estudo é que também uma maioria clara dos professores defende que a sua avaliação de desempenho não tenha reflexos na sua graduação profissional.(…)

O inquérito não permite saber se desconfiam da avaliação praticada nas escolas ou em que aspetos admitiria consequências e reflexos dessa apreciação.

Neste momento existe quase uma obsessão pela lista de graduação e apesar do Ministério de Educação ser o autor de um dos momentos mais negros do concurso de professores – a BCE, um concurso centralizado por este e em fila indiana digamos assim, é o único que dará alguma segurança/confiança aos professores.

Sou da opinião que a avaliação deveria afetar a nossa graduação profissional, e acredito que muitos dos professores que disseram não à sua inclusão também pensem assim. Só que tal como eles, eu também não confio na avaliação docente. Foi mau demais aquilo a que assistimos, a avaliação dos professores apenas serviu para castrar a progressão na carreira e colegas com os quais almoçávamos e trabalhávamos todos os dias ficaram com a cruz de avaliar os seus parceiros/amigos. A avaliação que temos hoje em dia e que foi criada por Nuno Crato é um insulto à dignidade docente, não só pelo seu modelo, mas pelo congelamento das carreiras que dura há 8 anos.

Através do ComRegras e o DeAr Lindo, os professores disseram presente e responderam a David Justino e a diretores que defendem o modelo de seleção de professores pelas escolas (não são todos, vejam o gráfico aqui), já afirmei que um modelo centralizado não é o ideal, mas é o único que neste momento dará estabilidade às escolas.

Neste momento a bola está no lado do Ministério de Educação, a minha esperança legitima até por aquilo que Tiago Rodrigues fez no início do seu mandato, é que os professores sejam ouvidos.

7 COMMENTS

  1. Parabéns ao ComRegras pelo excelente trabalho que tem feito no sentido de perceber o que pensam e acham diferentes membros da comunidade educativa sobre a escola que temos e a que pretendemos ter! Só percebendo e discutindo as diferentes sensibilidades se poderão chegar a consensos que agradem a todas as partes e contribuam para o superior interesse daqueles que são realmente o centro da educação: os alunos.

    Neste processo, não nos podemos esquecer daqueles que são os objetivos do sistema educativo: criar cidadãos participativos, competentes para o século XXI, saudáveis e felizes! Assim, a construção das comunidades educativas (incluindo o processo de colocação e avaliação dos professores) deve acima de tudo ser pensado para cumprir estes objetivos. E criar nos professores sentimentos de realização profissional e pessoal é algo que deve ser tido em conta neste processo de forma séria, porque só quando nos sentimos felizes, reconhecidos e realizados damos o melhor de nós próprios.

    Parabéns e continuem com o excelente trabalho!

  2. Antes de mais os meus mais sinceros parabéns por esta iniciativa. Além disso, teve boa visibilidade e relançou a discussão em torno de um tema importante – a forma de recrutamento.
    Evidentemente, há quem queira distorcer a discussão. David Justino é um deles.
    Importaria que os jornalista fizessem o trabalho de casa e tentassem ouvir professores em vez de contribuírem para os contorcionismos.
    É evidente que um dos fatores que, seguramente, legitima a lista graduada é o medo e a desconfiança que todos sentem pelas injustiças, indeléveis, da BCE. Concurso que todos sabemos favoreceu o compadrio, a cunha, o favorecimento através de critérios de selecção à medida. Não faltam inúmeros exemplos.
    Não consta que este método de selecção tenha produzido melhorias substanciais de resultados nessas escolas. E é mentira que as escolas tenham escolhido os melhores – NA MAIOR PARTE DOS CASOS FICARAM COM OS QUE OU NÃO TINHAM ALTERNATIVA DE COLOCAÇÃO OU NÃO CONSEGUIAM APROXIMAR-SE NA SUA ZONA GEOGRÁFICA. Este foi o verdadeiro ponto de partida da BCE e assim sempre aconteceu. Acrescento o facto de algumas escolas com contrato de autonomia definirem critérios de seleção que pouco divergiam dos critérios da lista graduada.
    Sobre a avaliação de desempenho nem vale a pena perder muito tempo – caberá na cabeça de alguém que o resultado de uma avaliação de desempenho com cotas impostas administrativamente pese na graduação? Teriam de existir critérios muitíssimo objetivos, de fácil aplicação e verificação. E claro, sem cotas. Caso contrário seria muito injusto e uma questão de sorte haver ou cota.
    Verifica-se, mais uma vez, que o sistema de colocação nacional por lista graduada é o menos injusto. Há previsibilidade, justiça e confiança. As pessoas sabem com o que contar.
    O modelo de concurso é o menor dos problemas da educação em Portugal.
    Devia discutir-se os currículos, o modelo de formação inicial de professores, a indisciplina nas escolas, os horários de professores e alunos, a constituição das turmas, o modelo de gestão das escolas, os recurso físicos e materiais e tantos outros detalhes….

    • “O modelo de concurso é o menor dos problemas da educação em Portugal.
      Devia discutir-se os currículos, o modelo de formação inicial de professores, a indisciplina nas escolas, os horários de professores e alunos, a constituição das turmas, o modelo de gestão das escolas, os recurso físicos e materiais e tantos outros detalhes….”

  3. “até por aquilo que Tiago Rodrigues fez no inicio do seu mandato…”
    Lembro-me que o que fez for suspender a BCE e manter os seus efeitos renovando as colocações que na mesma BCE tiveram origem.
    É isto motivo de esperança?!

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