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Os professores é que nos endireitam.

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Há pouco tempo li uma crónica do Miguel Esteves Cardoso sobre o norte. A crónica dizia às tantas: “No Norte são as pessoas do Norte que nos endireitam”. Para mim foi uma frase familiar. Compreendi-a perfeitamente. Tenho uma costela nortenha e percebo o que ele quer dizer.

A propósito desta frase lembrei-me desta analogia para com os professores.

No meio de todo este mediatismo que teima em atirar para o lodo o trabalho dos professores (Claro que não me esqueço que há maus professores, assim como há maus médicos, polícias, arquitetos e por aí em diante) mas não me posso esquecer que quando falo acerca de Educação e da forma como a entendo, cheia de ideias, certezas e ideais a maior parte dos meus colegas  diz: “Sim Joana tens toda a razão, e é isso que eu faço”. Sinto, cada vez mais, que quando abordo a importância de criar uma relação de confiança com os nossos alunos, do trabalho direto e responsável em detrimento da escravidão aos programas; da importância de conhecer os alunos e não desistir à primeira contrariedade não estou a dar novidade nenhuma, nem acabo propriamente de descobrir a pólvora. Não. Não porque existem cada vez mais profissionais incríveis. E eu sei disso. Trabalho já há anos suficientes em várias escolas e conheço o trabalho diário de muitos professores. Profissionais que encaram a Educação e o ato de ensinar numa perspetiva cada vez mais relacional, mais alegre, mais positiva e mais virada para o exterior, mesmo quando presos a um currículo. Embora nos queiram fazer acreditar que não.

Temos atualmente toda uma comunicação social e uma grande parte da sociedade a querer endireitar os professores, mas esquecem-se que são os professores que nos endireitam. Ajudam a regular a equilibrar as expetativas e as aflições de muitos pais que colocam os filhos pela primeira vez na escola e ajudam a percorrer um caminho que traz grandes ansiedades a ambos. São os professores que conversam com os pais regularmente; que estão disponíveis para ouvir; que sabem avaliar pedagogicamente um aluno; sabem aquilo que necessita e dominam as técnicas e as ferramentas para chegarem a bom porto. São os professores que nos endireitam quando ligamos assustados sobre uma queda, uma nota, um choro de um filho. São eles que às vezes chegam a conhecer melhor um filho (sim, acontece). E são eles que endireitam os pais quando os chamam a assumir as suas responsabilidades.

Há maus professores. Há. Mas esses não merecem ser chamados de professores e devem ser penalizados como em qualquer outra profissão. Mas a norma (e isto é real) são os bons professores, que são acima de tudo, seres humanos formidáveis.

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