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Os problemas estruturais da escola portuguesa.

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A pandemia veio agravar os problemas estruturais da escola portuguesa, a saber:

 

  • O principal problema está na falta de transparência, consequência de ser um sistema centralizado, no ministério e no diretor. Em termos de pandemia a prova desta afirmação é que não se conhece o número de infetados nas escolas, havendo diretores que comunicam o que se está a passar, a maioria nada diz. Esta prática de esconder o que se passa, não é nova, como no caso da tentativa de abafar os casos de indisciplina para ficar bem na fotografia. Tudo isto resulta de se ter escolhido um sistema de gestão pouco participado e transparente, centrado na figura do diretor, dependente da sua consciência democrática. A democracia defende-se com equilíbrio no balanço de poderes.

 

  • O segundo problema está na tentativa de transformar os professores em meros executantes, em que o ministério dá a estratégia e os diretores arranjam a melhor forma de a executar. Os professores não são vistos como seres pensantes, mas seres moldáveis através de uma direção musculada e uma política de formação. As práticas de se arranjar soluções debatidas coletivamente estão em desuso, restando algumas em professores mais velhos que se recusam a ser tratados como meros executantes. Daí a opção de a “autonomia” se concretizar através da municipalização.

 

  • A escola portuguesa sofreu bastantes cortes orçamentais durante o período de ajustamento estrutural da economia no tempo da tróica, mas foi a que menos recuperou na fase mais recente após os cortes, numa lógica de que com o decréscimo da população estudantil haveria margem de manobra para algumas melhorias. As consequências é ainda existirem muitos alunos por turma, os professores não terem tido todo o tempo de serviço recuperado e poucos computadores disponíveis que permitam ensinar usando as Tics.

 

  • Os instrumentos que permitem concretizar estas opções políticas são as leis de gestão das escolas, o estatuto da carreira docente e avaliação do desempenho e quem governa e seus apoiantes (a geringonça) terem tido outras prioridades orçamentais. A avaliação do desempenho e a carreira docente têm afunilado a progressão dos professores com quotas. Outro instrumento de dominação está no acesso à carreira com contratos de trabalho de muitas poucas horas, a norma travão e a falta de apoios para deslocações para longe de casa. Com tudo isto temos afastado os candidatos ao ensino, que tendo paixão pela profissão quando confrontados com a proletarização aproveitam a primeira oportunidade para abandonarem a profissão e este ano atingiu-se o máximo com cerca de 20 a 25 mil alunos sem professores.

 

Concluindo precisamos de um governo que encare os problemas da educação de frente e não se limite a gerir o que existe, numa lógica de navegação à vista. São precisas reformas estruturais, haja coragem.

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