Home Escola Os patinhos feios das escolas…

Os patinhos feios das escolas…

184
1

equipaNão têm voz e raramente são ouvidos, são olhados de cima para baixo, mas sem eles as escolas não funcionavam… Estou a falar dos assistentes operacionais. Se nos queixamos que a profissão docente não é valorizada, o que dizer dos assistentes operacionais? O concurso para assistentes operacionais que está a decorrer, é uma gota num oceano de trabalho precário.

Todos temos de lutar pela dignificação dos assistentes operacionais, dignificá-los é dignificar as escolas. Mas também eles têm de se organizar e de se fazer respeitar, e a melhor forma de o fazerem é desempenhar os seus cargos de forma competente, profissional e com brio. Deixar-se levar pela letargia, na sombra das más condições laborais só potencia a diferença e a indiferença…

Fica o artigo de Armanda Zenhas do site educare.

Quem é capaz de lhes dar o seu valor?

Não há como não dar pelo começo de mais um ano letivo. Ainda o mês de setembro não tinha entrado e já ele fazia títulos de notícia nos vários órgãos de comunicação social, tendo sido chamada a atenção para a colocação de 2822 assistentes operacionais (vulgo funcionários) nas escolas.

Porque foi notícia esta colocação de funcionários nas escolas? Pelo número 2822? Por ser perfeitamente justificada esta colocação, embora ainda insuficiente? Por ser, apesar disso, uma medida positiva, não obstante a colocação devesse estar finalizada já antes do início das aulas? É certo que estas questões foram surgindo nas notícias, mas de forma marginal. O destaque foi para o excesso de habilitações de muitos candidatos, em que se contam licenciaturas, mestrados e até doutoramentos, para um cargo em que apenas é exigida a escolaridade obrigatória.

Que fazem os assistentes operacionais nas escolas? Qual a sua importância para a qualidade da educação? Nas notícias surgia referida a sua responsabilidade na vigilância dos recreios e na manutenção da limpeza dos espaços escolares. Com efeito, cabem-lhes as tarefas de limpeza, como lhes cabe também a vigilância dos recreios e de outros espaços da escola. São-lhe ainda reservadas as tarefas de atendimento de alunos e profissionais da escola (principalmente professores e outros assistentes operacionais) em vários serviços, como, por exemplo, o bufete, a cantina e a papelaria. Os pais são atendidos por assistentes operacionais na sua chegada à escola e são por eles orientados para os serviços que pretendem, alguns dos quais também da sua responsabilidade.

O número de assistentes operacionais, a sua formação profissional e a eficácia do seu trabalho podem ser desconsiderados quando se fala das condições determinantes para a promoção do sucesso educativo? Aqui ficam algumas questões que poderemos colocar, em busca de uma resposta.

O número de alunos de uma escola, com a sua diversidade etária, convivendo no mesmo espaço de recreio e nos mesmos corredores, afeta a forma como cada um se sente na escola? O número de funcionários que supervisiona esses espaços e a sua formação para lidar com crianças e jovens influenciam o modo como estes se sentem na escola? Têm implicações na eficácia da gestão do relacionamento entre os alunos, da prevenção da ocorrência de conflitos mais ou menos graves, da resolução destes de maneira mais eficaz? O quotidiano dos recreios com o que aí se passa e os sentimentos e as emoções que gera nos alunos pode promover/inibir a sua vontade de aprender e as suas condições para estarem nas aulas atentos e concentrados?

O espaço deste artigo não me permite aprofundar esta reflexão nem estendê-la a outras áreas de intervenção dos assistentes operacionais, que referi, nomeadamente o atendimento a alunos, professores e pais em vários serviços e situações. Por isso, passo agora a uma questão diferente: Será a escolaridade obrigatória suficiente para o cumprimento de tão exigentes funções? Serão a licenciatura, o mestrado ou o doutoramento respostas para as lacunas deixadas pela escolaridade básica? Ou será necessário investir em formação especializada e adequada às funções destes profissionais? Não constituirão o aumento do número de assistentes operacionais nas escolas e um sério e estruturado investimento na sua formação medidas essenciais para garantir a existência de condições promotoras do sucesso escolar?

A notícia de licenciados, mestres e doutores concorrendo para funções inadequadas à sua formação deixa completamente a descoberto o seu drama, que coloca questões profundas e reclama medidas. Lanço o convite a que o (auto)questionamento não se detenha neste grave problema e penetre nas questões entreabertas agora para o ramo profissional trazido às notícias, os assistentes operacionais, e para as suas implicações na qualidade das escolas.

Neste início de ano letivo, quando entrar na escola com o seu filho, pense nos profissionais que o vão receber, na importância que vão ter na escolaridade das crianças e nas dificuldades com que se batem para garantir ao seu trabalho a qualidade que os estudantes e o país merecem.

Armanda Zenha (2015).” Quem é capaz de lhes dar o seu valor?”. www.educare.pt, 9 de setembro
Imagem retirada de: https://www.farmaciabarreiros.com

1 COMMENT

  1. É preciso dizer que estes profissionais, e muitos deles com tempo de serviço longo podem vir a exercer funções nas câmaras que nada tem que ver com a educação. Como é sabido com a passagem das escolas para as autarquias estes profissionais não foram ouvidos nem achados na mudança de “patrão”. Hoje, a trabalhar nas câmaras municipais são considerados assistentes operacionais mas com um leque de funções que nem sequer imaginamos. Sem desprimor para os coveiros, também estes são assistentes operacionais, e também et que sempre trabalhei na educação poderei vir a abrir buracos nos cemitérios.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here