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Os meus filhos e a namorada do meu ex-marido

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Por vezes, o consultório do dentista torna-se um local de conversa, quando o doente que está antes de nós tem complicações e demora mais, e as pessoas na sala se prestam a falar, o que hoje raramente acontece, convenhamos.

Assim, estávamos três, uma jovem entre os 30 e os 40 anos, a empregada, e eu, e fui buscar água àqueles dispositivos adequados que existem por todo o lado com um garrafão em cima de pernas para um ar, e duas torneiras quente e fria, perguntei-lhe se queria, disse que sim e bebemos dois copos de água.

frase-chega-uma-hora-na-vida-em-que-o-melhor-marido-e-o-ex-marido-e-vice-versa-maite-proenca-160450Tinha-me acabado de acontecer estar já a meio da “passadeira” para peões ali em frente, e outra jovem ao volante de janela aberto ter gritado “oh velho, sai da frente”. Tento controlar-me, evitar ao máximo o palavrão, mas mandei-a a um sítio – asneira soft – tendo ficado entre o incomodado e o triste por estarmos cada vez mais sem respeito, sem paciência, sem tolerância.

E a jovem no consultório dizia-me que tinha dois filhos, o rapaz entrara na adolescência – a idade difícil – e a rapariga era mais nova, e como mãe tentava sempre incluir-lhes valores e o mesmo fazia o ex-marido, e os avós.

Ex-marido! Disse-lhe que ficava positivamente espantado por não ter dito “o pai dos meus filhos”. Porquê se tinha sido marido? Respondi: Por hoje ser costumeiro, passar só a pai dos filhos.

Replicou que, primeiro tinha sido marido, depois pai dos filhos, e agora ex-marido e pai dos filhos, à mesma.

E disse que, para os miúdos terem uma boa educação, correcta e concertada entre ambos, quase todos os dias falavam rapidamente ao telefone sobre o comportamento dos filhos, e “regras” por ambos a serem seguidas mesmo que “separadamente”, a tal partilha, legal e práctica!

E, até um sábado em que era fim-de-semana dos miúdos com o pai, este lhe telefonou a dizer que a filha estava a choramingar e a querer que a mãe viesse ter com eles a um jardim próximo onde estavam todos, os miúdos, os filhos da namorada e esta.

E foi, estiveram um bocado juntos e depois o ex-marido foi com a actual namorada e os filhos, de ambos, e ela foi à sua vida.

É bonito, é correcto, é pouco usual, quando se assume que se teve um marido e não só o pai dos filhos – e nem está em causa, evidentemente, o papel assinado, e se foi primeiro pai e depois marido, mas a circunstância de os filhos não serem um “acaso” – que passou a “Ex”, e manterem-se separados, mas com cuidados com os filhos de ambos. E se, se quer que no futuro os filhos não insultem os velhos nas passadeiras, que podem ser os próprios pais, mães ou avós- se não deles de outros -, convém dar-lhes educação, carinho e amor, e dizer “não quando tem que ser não”! Educar, a sério e não no actual generalizado faz de conta, em que os filhos mandam nos pais/mães!

Augusto Küttner de Magalhães

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