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Os melhores TPC? As boas maneiras…

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Hoje vamos falar da diferença entre educação e instrução. Não, não são o mesmo e as duas complementam-se. Para que a última funcione é necessário que a primeira esteja apreendida. Não são sinónimos, o que poderá acontecer em certos contextos, mas na verdade têm funções muito diferentes.

A educação é da responsabilidade da família, dos educadores, aqueles que são responsáveis pelos seus descendentes, os seus educandos, aqueles que se estão ainda a formar. Quer isto dizer que a educação deve vir de casa, aprendida com os seus progenitores, familiares ou educadores em geral.
As regras básicas incluem os chamados cumprimentos, sejam eles formais ou não. Dizer bom-dia ou boa-tarde é uma forma simples de se fazer notado num sentido positivo. Não implica classe social nem estatuto e muito menos quantificação monetária. De igual modo o obrigado e o se faz favor fica bem a toda a gente, demonstra que houve preocupação em passar valores da máxima importância.
Outra questão é a compostura em sala de aula. Muitos alunos desconhecem por completo o que é uma cadeira e demora uma eternidade a demonstrar para que serve. Ridículo. Como se comportam em casa? Ninguém os ensina? Permitem comportamentos irresponsáveis e cretinos? Parece que sim.
Assim sendo como se consegue trabalhar num ambiente que não oferece as condições mínimas? Entre o explicar como se senta e pedir para estarem quietos, porque aproveitam logo a deixa para não dar atenção e começar a fazer alguma coisa de útil, escoa-se o tempo e a quantidade de trabalho fica reduzida.
Como pode um/a professor/a dar início à passagem do conhecimento, aquilo que se chama instrução, se o chamado trabalho de casa não vem feito? Quando me refiro a trabalho de casa quero dizer as boas maneiras. A escola só deve fornecer a instrução e não a educação mas, infelizmente, o papel do professor é ingrato. Tem de prover as duas.
Não é a escola, enquanto instituição nem os professores, enquanto pessoas que devem assegurar a educação. A instrução sim e é para isso que existe a escola. O que está a acontecer neste momento, é que as crianças e adolescentes são jogados nas escolas e os professores que se amanhem. Tome e vejam lá o que conseguem fazer. Algumas crianças nem conseguem estar perante outras.
A forma de tratamento é outro cavalo de batalha. O tratamento que os pais ensinam e permitem é da sua responsabilidade mas devem instruir os seus filhos no sentido de saberem lidar com todo o tipo de pessoas. Sem querer parecer pretenciosa nem convencida, penso que a melhor forma que existe ainda é o de professor ou professora.
As crianças são esponjas e aprendem com facilidade desde que lhes ensinem, já o referi. Gradualmente vão entendendo como se dirigir a cada tipo de pessoa. É necessário que estejam preparadas para saber falar com todo o tipo de pessoas e saber quem é quem. O amor familiar é importante mas o que se transmite em sala de aula tem outra função. Passar um ensinamento é um acto de amor que acontece todos os dias.
Quando se consegue a atenção daqueles seres pequeninos, de olhos colocados no ser maior, é uma grande satisfação. Não é uma questão de ser o líder mas sim aquele que pretende que o oiçam, que saibam aquilo que lhes está a passar. Na verdade é uma relação de ensino-aprendizagem porque cada aluno tem um modo próprio de aprender.
Cada dia é mais um pequeno passo, um pequeno tesouro que ficou guardado, um bem que vai ser útil pela vida fora. Começa com uma letra, depois uma sílaba, uma palavra, um número, uma conta e aos poucos o baú está a encher. Insistir é querer que saibam arrumar os conhecimentos e os usem quando é necessário.
A instrução é a bagagem que se acumula para o dia a dia, as ferramentas que permitem arranjar as situações e avançar nos caminhos. Existem tantas formas de ensinar mas o que importa é a vontade de transmitir os saberes, de perceber que os ouvem e que os entendem. É saber interpretar.
É isto que a escola deve fornecer. Gradualmente, por isso é que está distribuída em ciclos. Um/a professor/a que goste da sua profissão é um bom profissional porque estimula os seus alunos, planta a semente da curiosidade e quer fazê-la crescer. Estamos constantemente a aprender porque ensinar e aprender é contínuo.
A escola não é uma tragédia e os trabalhos não são um castigo. Antes pelo contrário. As escolas são templos do saber e os trabalhos de casa são os prémios. Ajudar os filhos nas suas tarefas é um tempo de qualidade, é um modo muito salutar de convívio entre pais e filhos. O/a professor/a deu o mote mas o tema deve ser desenvolvido, também, pelos progenitores.
Aprendemos todos os dias e saber estar em sociedade, poder exigir implica que saibamos como se faz. Todos são peças importantes deste enorme mundo e as suas contribuições são de grande valor. Na verdade os professores também são pais e querem formar cidadãos decididos e determinados. Só assim é que se complementa a educação com a instrução.
Margarida Vale

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