Home Escola Os exames são o expoente máximo da falta de confiança nas escolas.

Os exames são o expoente máximo da falta de confiança nas escolas.

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Hoje na capa do Expresso surge a notícia de que apenas 3% dos alunos foram retidos por causa dos exames do 4º, 6º e 9º ano. Conclui-se assim, que estes não são a causa das reprovações. Num raciocínio meramente especulativo, se a taxa de retenção fosse de 10%, 20% ou 30%, terminava-se automaticamente com os exames? Ou mantinha-se os ditos porque afinal já eram relevantes na percentagem de alunos retidos?

desconfiançaEsta notícia mostra que parte da opinião pública encara os exames como um mecanismo de retenção/aprovação dos alunos, mas esquecem-se que essa não é a sua função.

Os exames são um mecanismo externo para avaliar o conhecimento dos alunos e também uniformizar os conteúdos lecionados nas escolas. Esta obsessão pelos ditos deturpou esta ideia, pois estendeu a avaliação aos professores e respetivas escolas, culminando nos mediáticos mas pouco conclusivos rankings escolares.

Quem está dentro das escolas sabe que estamos perante uma autêntica febre “examinal”: os testes são feitos como exames; os ritmos dos alunos não são respeitados; os professores “jogam” com as classificações para impedir certos alunos de ir a exame, evitando assim ficar mal vistos; alguns alunos são empurrados para o ensino profissional/ vocacional excluindo-os dos exames para, mais uma vez, não baixar a média da escola; se um professor fica doente de uma disciplina que tem exame, surgem logo os apoios para isto e para aquilo, mas se for de uma disciplina que não tem exame ninguém quer saber.

E quando chegam os ditos… bem, toda a logística é de um rigor burocrático que alguns procedimentos chegam a roçar o ridículo.

Esta competição e obsessão da tutela em tudo controlar e em tudo saber, só revela (mais uma vez) que não se confia nas escolas, não se confia nos seus professores e não se confia nos saberes adquiridos pelos alunos. Somemos isto à falta de autonomia escolar e estamos perante um sistema educativo amarrado nele próprio e que está sempre a olhar por cima do ombro…

Mas se existe tanta desconfiança, porque razão estamos todos aptos a lecionar e somos avaliados com classificações de bom e muito bom? Alguma coisa não bate certo…

Deixo-vos com a opinião do Diretor do IAVE que subscrevo na íntegra e com o link para a notícia

Hélder de Sousa, diretor do IAVE, explicou ao Expresso que as avaliações internas podem ter-se tornado mais exigentes para prevenir taxas de retenção maiores em anos de provas. Afirmando que “os sistemas sem avaliação entram em declínio”,o diretor do IAVE diz que houve uma “histeria social” que fez com que os exames servissem “para tudo”, quando deviam, na opinião de Hélder de Sousa, servir para dar informação sobre o que os alunos sabem ou não.

Exames do ensino básico quase sem impacto nos chumbos

4 COMMENTS

  1. Já agora porque é que somos todos avaliados se os professores fizeram licenciaturas e foram encartados pelas universidades. Será que isso não é um sintoma de desconfiança em relação às universidades?

  2. Diz o opinador que “os professores “jogam” com as classificações para impedir certos alunos de ir a exame” e que “alguns alunos são empurrados para o ensino profissional/ vocacional excluindo-os dos exames”.
    Isto é terrível!
    Um opinador que não sabe que os exames do 4.º e 6.º anos – os que estavam em discussão no artigo do Expresso – são (eram) realizados por TODOS os alunos é uma desgraça.
    Uma lástima!

    • O opinador sabe, como estava à espera que o participante soubesse, que a referência foi feita na globalidade e não na especificidade…

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