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Os exames nacionais (quase) só medem a memorização.

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Subscrevo. Fiz tantos exames que só posso concordar com a afirmação de Alexandre Homem Cristo em mais uma grande artigo para o Observador.

Lembro-me de passar horas a “marrar” para os exames e depois de o fazer era esquecer e “marrar” para o próximo. Muitos dizem que é assim que se aprende… eu digo que é apenas aprender para esquecer…

A escola tornou-se um centro de treino para exames, já digo isto há muito tempo e até nas provas de aferição se verificou isso.

Os três problemas dos exames nacionais

Sem pensamento crítico ou capacidade para articular as diferentes informações, pouco distinguirá o jovem que conhece uma determinada data histórica daquele outro jovem que, em dois cliques, a descobriu pesquisando no Google.

So what? Cinco ideias a reter sobre os exames nacionais

Ideia um: os exames nacionais valorizam essencialmente a memorização – por vezes, só valorizam a memorização. Nesse sentido, estão desfasados das orientações estratégicas (nacionais e internacionais), que apontam para além da aquisição de conhecimento e pedem um aprofundamento nas escolas da aprendizagem de competências, tais como o pensamento crítico ou a resolução de problemas complexos.

Ideia dois: algo na concepção dos exames nacionais parece estar a falhar. Por um lado, não se compreende que, sucessivamente, haja médias e medianas negativas nas mesmas disciplinas nos exames nacionais – como se, todos os anos, o sistema educativo falhasse e os alunos fossem para a universidade sem saber os mínimos. Por outro lado, não se percebe como é que a evolução das classificações dos exames nacionais está tão desligada das avaliações internacionais, que apontam para melhorias sustentadas dos alunos portugueses nos últimos 10 anos o que não aparece nos exames nacionais.

Ideia três: a relação dos exames nacionais com o acesso ao ensino superior está a ter efeitos perversos no sistema educativo. Desde logo, porque orienta todo o ensino para o exame, já que são os resultados no exame que definem o sucesso – só se ensina e aprende em função do que sai no exame. Depois, porque limita qualquer forma de inovação pedagógicaninguém arrisca inovar porque treinar alunos para o exame é a opção mais segura. Por fim, porque bloqueia qualquer reflexão acerca da sua eficácia – ninguém quer mexer nos exames nacionais porque, ao fazê-lo, está a mexer no acesso ao ensino superior.

Ideia quatro: nenhum dos problemas descritos é resolúvel enquanto os exames nacionais forem peça central do acesso ao ensino superior. É essa articulação que, indirectamente, impõe as condições do comportamento do sistema educativo. É, por exemplo, por causa do acesso ao ensino superior que os exames têm de testar a memorização – torna as respostas e a correcção das provas mais objectiva. É, por exemplo, por causa do acesso ao ensino superior que os exames assumem tamanha importância e forçam que o ensino secundário seja todo ele orientado para o exame – matando qualquer possibilidade de inovação pedagógica. Se se quiser cumprir as orientações nacionais e internacionais quanto ao futuro da Educação, a libertação do ensino secundário (e dos exames nacionais) do acesso ao ensino superior é condição imprescindível. E por que razão não se faz? Entre outras razões, porque as universidades não têm interesse nisso.

Ideia cinco: a solução não é prescindir dos exames no final do secundário, mas sim ter exames adequados para o que se pretende que os alunos aprendam. Nem oito, nem oitenta. Ao contrário das habituais discussões sobre se deve ou não haver exames, o que está aqui em causa é, fundamentalmente, rever o modelo de exames nacionais, para que estes correspondam às estratégias nacionais para a Educação. Neste momento, não correspondem. Pior ainda, esse desfasamento impede o cumprimento das estratégias nacionais.

4 COMMENTS

  1. A direita virou fofinha e anti-exames!!! Ainda me faltava viver para ver isto!
    Até concordo, moderadamente, com algumas das ideias expressas… Não fosse o pequeno pormenor de que estudando para os exames não se aprende nada! Gostava de saber, gostava mesmo, como é que sem conhecimento Matemático, daquele que é preciso mesmo marrar no duro, se faz alguma Ciência… Ou como se sabe uma língua como o Latim, Anatomia, Grego Antigo, sei lá… sem estudar duramente… Ah, mas parece que isto agora não interessa nada … resolve-se tudo com uma pesquisa na net! Querem os vossos filhos ignorantes sigam então esse vosso caminho, para os meus não!

  2. É absolutamente perfeito: pensamento crítico e aplicação de competências sem recorrer à memorização! Deve se a chamada crítica sem conteúdo? É lindo mas perfeitamente absurdo!

  3. Ideia seis: em alguns exames aparecem bonecos (tipo extraterrestres) a falar… Infantilidade no seu melhor!

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