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Os “cavalinhos selvagens” do 1º ciclo.

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O nosso colega Rui Cardoso do Blogue DeAr Lindo, fez um artigo muito interessante e que mostra uma realidade cada vez mais acentuada. Os “cavalinhos selvagens” que correm livremente pelos recreios do 1º ciclo estão a perder o encanto e a beleza de vê-los brincar já não traz o retorno de outrora.

Muitos são os pais que ficam à porta do recreio num “ai, ai, ai” “ui, ui, ui” que o seu anjinho seja vítima de um diabrete qualquer. Mas como refere o Rui, a mudança mais significativa está no à vontade com que se diz “não” ao assistente operacional/professor e se tivermos um bocadinho de “sorte”, até podemos ser brindados com um Vai pró C…, ou Eu vou contar ao meu Pai e logo vais ver.

Esta má educação de chupeta na boca é uma novidade nas escolas e andamos todos meio que “grogues” com a forma de lidar com ela. Se cumprirmos com o que diz o estatuto do aluno e mandarmos as crianças mais complicadas para casa, estaremos a enviar os ditos para a fonte do problema. A estratégia resulta, disso não tenho dúvidas e tenho provas, mas vai restringir-se ao apaziguamento da turma/professor (importante sim senhor), mas pouco alterando a postura do prevaricador a médio/longo prazo. É a solução de último recurso, mas existe e não deve ser simplesmente riscada por traumas moralistas.

Se por outro lado deixamo-nos levar por avisos “fofinhos”, embevecidos pelo tamanho e carinha laroca dos “pestinhas”, estaremos apenas a seguir a linha dos papás de telecomando na mão, que são incapazes de levantar o rabiote do sofá e tomar as medidas necessárias para colocar os pontos nos “i”.

A solução tem de ser plural e tem de envolver todos. A escola tem de se organizar e passar a associar mais as palavras aos atos. Regras claras, consequências diretas e interiorização imediata de que existe sempre uma consequência, seja ela boa ou má. E acima de tudo deixar de ignorar aquilo a que pomposamente chamamos “Ah, são coisas de miúdos…”.

Também acabemos com a incoerência de mensagens que enviamos aos alunos, por exemplo: quando um menino te bater tens de ir contar; quando um menino te bater, tens de te defender; ou ainda vá, chega de queixinhas, que mais não é que negligenciarmos o nosso papel de educadores. Aliás, esta confusão de (des)orientações que passamos aos miúdos, lembra-me sempre o incentivo que é dado às crianças de tenra idade para comerem com as mãos e depois quando se quer que comam com os talheres, ficamos todos surpreendidos por continuarem a comer com as… mãos. Entendamo-nos sim!

Os pais têm de ser responsabilizados e precisam de ser seriamente penalizados pela indisciplina dos seus filhos ou falta de acompanhamento dos mesmos. Seja pelo agravamento do IRS, por multas, ou pela eliminação dos benefícios sociais, algo precisa de ser feito e efetivamente aplicado. A chave está em casa e apesar de tantas más influências, é possível ter crianças educadas e com aproveitamento escolar e até não faltam bons exemplos por aí.

Por fim, apostar cada vez mais em equipas multidisciplinares que permitam orientar as crianças mas principalmente os pais. Elas existem e fazem um excelente trabalho, mas a questão é saber se são suficientes.

Há apenas um ponto em que tenho uma visão um pouco diferente da do Rui Cardoso, apesar dos pais passarem menos tempo com os filhos – é verdade – não acredito que este seja um fator determinante para a falta de educação dos mesmos. Tem é que existir mais coerência, mais limites, mais consequências e mais feedbacks positivos. O problema não está na falta de tempo, está sim na ausência parental mesmo quando estão todos na mesma casa e ao mesmo tempo…

Não podemos é desistir, não podemos atirar a toalha ao chão, se não for por eles, ao menos que seja pelos nossos filhos…

Fica o artigo, um bom artigo.

Andam as escolas a ficar perigosas?…

Há uns anos, era difícil ouvir relatos de um aluno ter sido mais agressivo com um adulto, com quem contactava na escola. Hoje já não é assim, é usual. As escolas estão a ficar perigosas.

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