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Os alunos precisam de tempo para errar, repetir, assimilar e consolidar

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Um dos motivos para a criação das aprendizagens essenciais, foi precisamente para dar tempo aos alunos para adquirirem determinadas competências que são essenciais para o seu futuro enquanto cidadãos. O problema do ensino atual, é a margem muito reduzida que os professores têm para dar aos alunos um acompanhamento efetivo para que estes não percam o comboio do sucesso. A dimensão, a complexidade dos currículos e o elevado número de alunos por turmas, são um obstáculo diário que os professores tentam ultrapassar.

A flexibilização pedagógica, que naturalmente visa a redução das reprovações, pode, se bem implementada, ser um forma de ensinar, aprender e avaliar, que vá ao encontro das necessidades e características reais dos alunos.

Este discurso simpático, consensual, para alguns até redondo… precisa de passar para a prática para provar se vale ou não a pena. Mais de 200 escolas já estão a trabalhar neste novo formato e ainda é muito cedo para tirar conclusões. Mas é aí, na prática, que podem surgir muitas dificuldades. Sou da opinião que a flexibilização pedagógica não pode ser um mecanismo de facilitismo, mas uma forma de permitir uma aprendizagem diferente, através de uma avaliação também ela diferente.

Mas como é que isso se faz? Esta é a pergunta que muitos fazem…

Costumo dar este exemplo que me parece esclarecedor, se um aluno ou grupo de alunos optarem por representar um momento histórico na disciplina de História, pode existir uma articulação com a área curricular de Expressões, neste caso a Expressão Dramática. O aluno, em vez de “marrar” datas e factos, pode adquiri-los representando-os. Parece-me consensual que o aluno memorizava muito mais facilmente os conteúdos e fixava-os durante muito mais tempo.

O Secretário de Estado João Costa tem efetivamente boas ideias, mas existem perigos efetivos para que essas ideias vinguem, mas este é um assunto que irei abordar posteriormente.

Fica um resumo do que este Ministério de Educação está a implementar na escola portuguesa. Eis os tópicos do video que se segue.

a) Educação Pré-escolar;
b) Programa Qualifica;
c) Planos de ação estratégica;
d) Formação contínua de professores;
e) Perfil do Aluno;
f) Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania;
g) Aprendizagens Essenciais;
h) Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular;
i) Modelo de avaliação;
j) Educação inclusiva.

https://youtu.be/857DRPOASjA

Fonte: Leya

5 COMMENTS

  1. «O aluno, em vez de “marrar” datas e factos, pode adquiri-los representando-os.»

    O problema, neste raciocínio, é que parte de uma premissa que me parece errada: a de que a História serve para decorar datas e acontecimentos. E o que vejo nas “flexibilidades” é que aquilo me parece tudo construído desta forma: a “forçar” e a distorcerem as coisas para elas caberem nas planificações e nos projectos que se vão inventando .

    Vamos lá ver uma coisa: eu ensino História há mais de 30 anos e não me lembro de alguma vez ter obrigado um aluno a decorar uma data. E um acontecimento serve para muito pouco fora do seu contexto.

    História não é nada disso, História é sobre compreender o mundo em que vivemos. Perceber de onde viemos, para podermos tomar decisões acertadas sobre a nossa vida e o nosso futuro individual e colectivo.

    Claro que isto se pode articular com quase todas as disciplinas, mas não se deve fazer anulando a identidade de cada uma, muito menos à força, que é o que com o projecto da flexibilidade se anda a fazer, sem o assumir. É atirar a pedra e esconder a mão, e quando der para o torto, o que é quase garantido, lá virão as culpas para os professores que não entenderam as mentes brilhantes que conceberam estas coisas e não se empenharam para que elas funcionassem…

    Desculpa lá, Alexandre, sei que estás mais optimista do que eu, e admito que pode haver quem esteja a conseguir fazer maravilhas nalgum lado, mas quanto mais penso nisto, mais céptico me vou tornando…

    • Não tens de pedir desculpa caro Duarte, sei que estás mais pessimista que eu. Eu estou na expectativa… Sobre as datas é a recordação que tenho de quando era aluno. Lembro-me de decorar, decorar e decorar… Ainda bem que está diferente. Um abraço

  2. Ideias que soam sempre bem no papel e em eloquentes discursos.
    Nao há só uma maneira de ensinar seja o que for, por isso bora lá experimentar umas cenas e alinhar numas novidades(?) e numas ideias e projectos e tal. Assim, em vez de cada um “perder” tempo a preparar o trabalho da sua aula/do seu grupo/do seu projecto, perde-se tempo a debater mas ideias bafientas onde cabe tudo e nada ao mesmo tempo.
    E fundamento científico para tanta experimentação? Onde se pode ler e verificar que o grande problema do ensino é a falta de interdisciplinaridade? Tenho pesquisado, ansiosamente.

    Quando é que os colegas irão perceber que estas mentes iluminadas – mas convenientemente arredadas da sala de aula – não fazem outra coisa senão passar-nos atestados de menoridade para nos retirar autonomia?
    Alguém ainda acredita que as boas ideias educativas nascem em gabinetes arejados, cheios de ideias pré-concebidas a propósito dos intervenientes do processo de ensino/aprendizagem, mas vazios de alunos?

    A mim, esta é (mais) uma carapuça que não serve.
    Querem interdisciplinaridade? Então repensem lá isso das 11h semanais de componete de trabalho individual para preparar 8 níveis diferentes. Ou acham que é suficiente para estudar matemática, história, física, filosofia, inglês, francês e alemão, gramática mais tudo o resto de que preciso para ensinar o que tenho que ensinar? E para elaborar materiais com correcção científica e interesse pedagógico? Chega!

    Lamento muito, mas ide pentear macacos.
    Assumo que não tenho vontade de perder o meu (escasso) tempo a agradar a quem atira bitaites sem ter alunos à sua frente. Tenho as minhas leituras, as minha aulas para preparar, muito a rever, e ainda mais a aprender – o que infelizmente, não tem acontecido nas vossas formações rançosas e pagas do meu bolso…
    As responsabilidades para com os alunos são enormes e não preciso da desajuda permanente de uns secretários de estado que perceberam que dar aulas é muito cansativo.

    • Eu julgo que a ideia da flexibilização é confundida com a obrigatoriedade de ser tudo interdisciplinar, o exemplo foi apenas para mostrar que se pode avaliar e aprender de maneira diferente. Diz e bem que não existe um único caminho para a aprendizagem, mas o que parece é que para muitos que criticam a flexibilização só pode existir um caminho. Exigência sim, diferentes caminhos pode ser e que caminhos? Os professores podem escolher tendo em conta o perfil dos alunos e as necessidades do momento.

  3. Isto tudo para dizer que o Alexandre tem razão, quando diz que os alunos precisam de tempo. Precisam de repetição. Precisam da nossa bondade em deixá-los errar e corrigir, e repetir, e repetir, e repetir… precisam que os deixem aprender e que nos deixem a nós ensinar!

    Não precisam de teorias da carochinha que não resultam na aula de aula, a não ser em condições especiais xpto lagartixa que existem em 10% (?) das salas de aula deste país. E percebam que, quando essas condições idílicas existem, os professores não são uma cambada de cegos. Quando os alunos avançam mais depressa que o “normal”, nós não nos fazemos de parvos e, além de irmos com eles, levamo-los mais à frente.

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