Home Escola Os alunos estão a dar o “tilt” e os professores também…

Os alunos estão a dar o “tilt” e os professores também…

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Amanhã começa a 12ª semana de aulas… 60 dias úteis, 264 horas, 15840 minutos, mais coisa menos coisa…

Este é o 5º ano que registo e analiso os dados de indisciplina da minha escola e ano após ano verifico que é no 1º período que ocorrem mais situações de indisciplina. Não é preciso ser grande especialista para perceber que é no 1º período que decorre o braço de ferro entre os métodos de ensino do professor e a conduta dos alunos. É também no 1º período que estes definem posições estratégicas na “hierarquia” da turma, criando grupos e grupinhos com alguns ódios de estimação à mistura – a adolescência no seu melhor. Ambas as situações são potenciadoras de momentos de frisson, que de lés-a-lés, fazem disparar o gatilho do professor terminando com um categórico “Põe-te na rua imediatamente!”

Mas é também no 1º período que ocorre outro fenómeno que é certamente transversal a muitas outras escolas, intitulado… “Estou tão farto de ti que já nem te posso ver…”. Este não é um sentimento restrito a alunos, os professores também sentem este fenómeno que transforma a sua enorme paciência numa escala atómico molecular. Esta situação é particularmente evidente em finais de novembro, princípios de dezembro, onde além do desgaste acumulado por quase 3 meses de aulas ininterruptas, surgem os bónus das dezenas de correções de testes e toda a preparação para as reuniões de avaliação do 1º período, num mergulho “relaxante” nas águas calientes das grelhas de Excel.

Por isso, estes últimos tempos têm sido férteis em queixas, desabafos e interpelações, que começam desde o momento em que meto os pés na escola, passando pelos supostos intervalos e que terminam no ping ping das participações que vão chovendo no email criado para o efeito.

O burnout docente e já agora dos alunos, é real, não se restringe às margens de “n” estudos sobre a matéria. O 1º período é o mais longo e mais penoso dos três, e enquanto no passado existiam aquilo a que se chamavam – reuniões intercalares – que permitiam uma pausa educativa e aliviavam a pressão de todos os intervenientes, agora é non stop.

A pressão social dos pais, que por seu lado sofrem a pressão patronal, levou a esta avalanche educativa num modelo que aposta claramente na quantidade. É preciso tempo na educação e é preciso dar tempo. Existem ritmos próprios que não se coadunam com a exigência dos resultados. Agora que temos nova gerência, talvez não fosse descabido pensar um pouco no calendário escolar, permitindo uma otimização do processo educativo, isto para não falar na brutalidade da carga letiva, pois essa mexe com outros interesses que, em estado de graça, não convém para já mexer…

Deixo-vos com um link para o artigo da Oficina de Psicologia, intitulado:

Os professores, o stress e o burnout

P.S: o timing da FNE não podia ser melhor, pois foi publicado hoje no seu site os resultados de uma campanha pela saúde docente. Deixo-vos com as suas reivindicações e um excerto do que se concluiu.

Sete meses depois a FNE está em condições de apresentar um caderno reivindicativo que permita uma evolução positiva nos atuais mecanismos de proteção na saúde para os trabalhadores da Educação a saber:

  • Um novo paradigma de prevenção, que impeça que os profissionais da educação atinjam níveis graves das doenças profissionais. 
  • A atualização da lista nacional de doenças profissionais, tendo em conta a realidade nacional atual e nomeadamente incluindo o stress; 
  • Inclusão no setor público do regime de Medicina do Trabalho já existente no setor privado (consulta médica periódica anual).
  • A eleição de representantes de Saúde e Segurança no Trabalho em cada agrupamento ou escola não agrupada.
  • O direito a uma formação contínua em Saúde e Segurança no Trabalho para todos os profissionais da educação.
  • A inclusão de pais e alunos na promoção de uma verdadeira cultura de Saúde e Segurança na comunidade escolar.
  • A necessidade de uma estreita colaboração entre as escolas, os Centros de Saúde e os hospitais.
  • A criação de uma base de dados não nominal de lesões e doenças profissionais de trabalhadores da educação, para efeitos estatísticos e de prevenção.
  • A prestação de consultoria jurídica e técnica aos profissionais da educação e às lideranças escolares sobre a execução da avaliação de risco nas escolas.
  • A inclusão da Saúde e Segurança no Trabalho na formação inicial dos professores.
  • O fortalecimento dos programas nacionais de saúde e segurança nas escolas.
  • A promoção do intercâmbio de boas práticas à escala nacional e internacional.

A natureza e a organização do trabalho nas escolas têm vindo a ser identificados como razões essenciais de redução da qualidade das condições de trabalho, quer para docentes, quer para não docentes. As exigências são muitas e diárias. Em Portugal, estudos recentes revelam que 30% dos docentes têm níveis elevados deburnout e 20% apresentam níveis médios.

No caso dos docentes, a dimensão da sua insatisfação deve-se em grande parte à desvalorização do papel docente, que é causa e consequência de grande precariedade nas condições de trabalho de tais profissionais.

Stress

Em relação à área do stress, foram validados 223 questionários.

Cerca de um quarto (23,3%) revelou que no seu percurso profissional já experienciou situações agudas de stress profissional.

17,4% afirmou desconhecer os fatores de risco a nível profissional que podem gerar stress.

38,5% afirmaram desconhecer o síndrome de burnout. 43,9% afirma mesmo ignorar os sintomas deburnout

85% afirmou que até esta iniciativa não teve qualquer formação sobre a questão do stress em educação.

Conferência Final da Campanha da Saúde FNE. FNE reivindica alterações no atual mapa das doenças profissionais

Boa semana 😉

2 COMMENTS

  1. Gostaria de sublinhar que o ambiente nas escolas, no que diz respeito ao ruído, ultrapassa em muito aquilo que é suportável para um ser humano. Com estes níveis há profissionais que são obrigados a usar proteção auditiva. Falo do ruído durante os intervalos, com os alunos aos gritos dentro dos blocos, alguns dos quais, ainda por cima, fazem eco. É uma tortura!
    Obrigada.

  2. Boa noite. Temos o gosto de apresentar o nosso projeto Psicologia Clínica In Company, que é objetivamente um serviço de consultadoria para entidades/organizações, que tem como propósito proporcionar um serviço de Apoio Psicológico Aos Colaboradores. Na área da Saúde Psicológica/ Mental, sabemos que os professores são uma profissão de risco e que 50 a 60% do absentismo é causado pelo stresse, ansiedade, depressão, provocando obviamente diminuição da produtividade, baixa qualidade na prestação de serviços no ensino, desmotivação laboral, pessoal e familiar.
    O nossa missão é a realização de consultas para avaliação psicológica, acompanhamento e respetivo tratamento, aumentando assim o grau de satisfação e de bem estar psicológico, de desenvolvimento pessoal, de promoção de saúde e prevenção de doença.

    Na expectativa pessoal de ter suscitado interesse pelo nosso trabalho,

    As melhores saudações
    Dr. Rui Amorim
    Psicólogo Clínico. Membro efetivo da Ordem Psicólogos, com mais de 15 anos de experiência clínica.
    Pós-Graduado em Psicologia Forense e em Terapias Cognitivas e Comportamentais​.
    Formador certificado pelo IEFP desde 2002 com mais de 3000 horas de formação ministrada
    Formador certificado pelo “Conselho Científico- Pedagógico da Formação Contínua” para os domínio de A47 Psicologia e D11 Educação para a Saúde.
    Direção Técnica PSIVAL Consulting

    Consulte-nos http://www.psivalconsulting.com/

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