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“Olha o menino no chão, palhaço do caralh…! Fod….”

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Diz o papá, mimando o árbitro do encontro, numa bela tarde de sábado onde as camisolas chegam aos joelhos…

Eu que ando no mundo desportivo desde tenra idade, tenho assistido de tudo um pouco pelos verdadeiros treinadores de bancada, os papás! São seres estranhos que se transformam quando a bola começa a girar e são assolapados por uma vaga de irracionalidade digna de qualquer jardim zoológico…

Em resumo temos:

  • indiferente, que sai do recinto e passa o tempo no telemóvel e a enrolar tabaco;
  • O maníaco-depressivo, que mal a bola começa a rolar transforma as suas cordas vocais em autênticas vibroplates;
  • O protestante compulsivo, que só sabe reclamar, reclamando inclusive com quem reclama, pois não o deixa reclamar sem reclamar;
  • A besta, que ameaça fazer uma espera ao árbitro e ao loirito que mandou o miúdo ao chão;
  • O apreensivo tremeliques, que nos primeiros 15 minutos já aviou umas belas unhas sem verniz, ficando o resto do tempo a dar uma sova às falangetas;
  • Os histéricos, que gritam como se estivessem a fazer uma abdominoplastia sem anestesia;
  • Os pais em loop, que só sabem gritar o nome da criança, “Ó JOÃO!, VAI JOÃO!, DÁ-LHE JOÃO!, CHUTA JOÃO!!! PASSA JOÃO!!! FOD… JOÃO!!!;
  • A sombra, que se isola e sofre em silêncio, apenas se ausentando para testes periódicos ao autoclismo mais próximo;
  • O treinador, que é melhor que o Mourinho e passa o tempo a opiniar sobre as movimentações ofensivas do 4-3-3 que se transforma num 4-4-2 após transições defensivas;
  • O empresário, que mal acaba o jogo dá grandes descascas ao pobre rapaz pois tem grande planos para o dito e já tem na calha uma transferência para o Real Madrid

e…

  • Os pais normais que olham para os outros e dizem… “Tá tudo doido!!!”

Esta inaptidão para deixar a criança usufruir dos benefícios desportivos, querendo à posteriori viver através dos seus rebentos, aquilo que não conseguiram ser enquanto jovens, é uma crise de meia-idade a cada 8 dias…

Os pais têm de ser pais todos os dias e acreditem que os miúdos ouvem o que vem da bancada e absorvem o veneno que é debitado a cada apitadela. Ensinar pelo exemplo devia ser o exemplo mais comum, mas não é…

A falta de educação de muitos pais devia ser merecedora de multa pelos agentes de autoridade que lá fazem gratificado. E se não eles, ao menos que fossem os árbitros dos encontros a mostrar aquilo que muitos filhos também têm vontade de o fazer…

cartão vermelho

Insultos e agressões. Quando os pais são mau exemplo fora de campo

“Os pais não têm pudor em usar palavras agressivas”, diz a árbitra. Consequentemente, “os filhos seguem o exemplo e também as usam.” Por vezes, refere, são os educadores a incentivar a violência dentro do campo: “Não lhe dás hoje, dás-lhe amanhã na escola.” Também se ouve muito o “parte-lhe uma perna”, diz o árbitro Fernando Montenegro.

5 COMMENTS

  1. Concordo, com quase tudo, o que foi escrito neste artigo. Falta acrescentar, que muito do que de falta de educação, do que se passa em campo se deve aos árbitros, mal preparados, arrogantes, provocadores e alguns poucos corruptos mas também existem. Lembro uma célebre equipa de arbitragem constituída por uns irmãos Ramos na formação mais concretamente nos iniciados prejudicaram sistematicamente a Académica OAF. Esses atos culminaram na época 2013/14 no jogo Académica OAF /Gafanha. Esse equipa de arbitragem foi tão incompetente que acabou por descer à distrital agora fazem os disparate na distrital de Viseu.

  2. O artigo fala sobre o comportamento dos pais. Os maus exemplos destes, tema que pouco é debatido. O comportamento dos árbitros é maus do que assunto falado, discutido e esmiuçado por todos os lados, no entanto, mesmo o assunto não seja os árbitros, são eles aqui os primeiros a levarem por tabela. Há que olhar para todas as partes e não fugir do assunto deitando a culpa e lançando a discussão sempre para o mesmo saco de pancada…

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