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OCDE Quer Diretores “Capazes De Avaliar Professores”

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Num relatório divulgado na passada quinta-feira, sobre o uso de recursos escolares em Portugal, a OCDE fez uma série de considerações.

Entre outras, a avaliação dos professores e os seus concursos merecem particular destaque. A OCDE aponta limitações das escolas em escolher os seus professores e as dificuldades dos professores em ficarem colocados onde pretendem. As razões para ambos os casos são sobejamente conhecidas: a falta de confiança nos diretores em respeitar critérios de colocação, fruto do que aconteceu num passado recente; e o aglomeração populacional existente que origina o aparecimento de muitos professores desterrados (presente!).

Sobre a avaliação de professores, considero benéfico que os coordenadores de departamento façam um trabalho de acompanhamento dos “seus” professores, aliás, há muito que defendo que os coordenadores de departamento sejam muito mais do que transmissores do conselho pedagógico. Porém e indo à questão central deste artigo, não me agrada nada a ideia de ver reforçados os poderes do diretor na avaliação dos seus professores. Se a ideia é reforçar a formação dos diretores, significa que a OCDE não está satisfeita com a influência que os lideres escolares têm na avaliação dos seus professores.

Se em algumas escolas os professores já se sentem reféns e/ou amordaçados pelos seus diretores, atribuir-lhes ainda mais poder desequilibraria de forma decisiva a relação entre ambos.

Os professores devem ser professores diretores, não diretores professores. A escola deve apostar em mecanismos de compensação de poder para assim fomentar uma saudável democracia escolar.

De salientar ainda as preocupações da OCDE sobre a municipalização escolar

Fica um excerto da notícia


OCDE recomenda mudanças nas regras de colocação de professores nas escolas e na sua avaliação

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) aconselha Portugal a rever, “a longo prazo”, o sistema de colocação de professores nas escolas. Recomenda que se aposte na avaliação dos docentes. E diz que o país devia abrir mais “as portas das salas de aula” — ou seja, fazer com que as aulas sejam mais observadas, nomeadamente pelos “coordenadores de departamento” dos estabelecimentos de ensino, para que estes possam “fornecer feedback regular aos professores” sobre o seu trabalho.

Num relatório divulgado nesta quinta-feira, sobre o uso de recursos escolares em Portugal, com foco no financiamento, na governança e nos recursos humanos das escolas, a OCDE diz que as crianças em Portugal têm “professores experientes e altamente qualificados”. E que o concurso nacional de professores, que os coloca nas escolas, tem regras transparentes.

Mas, para a OCDE, os estabelecimentos de ensino “têm uma capacidade limitada de expressar as suas preferências por um candidato específico”. Tal como os docentes têm pouca margem para escolher um determinado tipo de escola. O que pode resultar num desencontro “entre as necessidades das escolas e os interesses e competências dos professores”.

Esta política de atribuição de professores faz com que “alguns estejam insatisfeitos com a escola em que trabalham”, o que parece “afectar desproporcionalmente” os alunos com mais dificuldades e provenientes de famílias mais pobres. Ou seja, os mais vulneráveis. O documento intitulado OECD Reviews of School Resources identifica ainda a “instabilidade” de um modelo de colocação de docentes que faz com que haja grande movimento de professores entre escolas, por vezes com “atraso na colocação” dos mesmos.

Há mais sugestões. Como esta: Portugal deveria considerar investir na formação dos seus líderes escolares para que estes sejam capazes de avaliar os professores.

(…)

Alargar a autonomia das escolas — Portugal tem também feito esforços nesta área, refere-se —, é outra recomendação. E a descentralização em curso, para as autarquias, não é esquecida. “A descentralização pode ter efeitos indesejados no que diz respeito à equidade na educação face aos diferentes níveis de capacidade das escolas do país”, isto se não for acompanhada por recursos e um processo de monitorização, afirma a OCDE. Sugestão: “Integrar a descentralização da gestão escolar no alargamento da autonomia das escolas. Isso pode incluir atribuir responsabilidade aos municípios por todos os assuntos operacionais, responsabilidade às escolas por recursos financeiros e humanos directamente relacionados com o ensino e a aprendizagem, e responsabilidade ao governo central por capacitar as instituições locais.”

Fonte: Público

(carregar na imagem para aceder)

3 COMMENTS

  1. Os líderes escolares que deveriam avaliar as aulas dos professores são os Coordenadores de Departamento, de resto, eleitos pelos próprios professores.

  2. Todos sabemos que o grande problema da Educação Pública em Portugal é mais umas observaçõezinhas de aulas e umas quatro ou cinco grelhas… A OCDE faz o trabalho de quem manda e quem devia ter algum sentido crítico, e saber ao que eles andam, vai aplaudindo… É o que temos!

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