Home Escola Observador | Levar os alunos para o século XXI? A Finlândia já...

Observador | Levar os alunos para o século XXI? A Finlândia já o fez

175
7

Mais um excelente trabalho de Alexandre Homem de Cristo.

Deixo as conclusões, mas recomendo a leitura do totalidade do artigo. Sublinhados de minha autoria.

So what? Quatro pontos a fixar da reforma curricular finlandesa

Primeiro ponto: uma reforma que pretenda alterar estruturalmente o ensino deve ser preparada com tempo e envolver todos. A reforma curricular finlandesa iniciou-se em 2012 e só foi implementada em 2016. Ao longo de cinco anos, peritos organizados por grupos de trabalho desenvolveram os objectivos do curriculum, definir as novas competências e ajustaram os conteúdos das disciplinas. No processo, houve mudanças de governo e ministros da Educação, mas não houve mudanças de rumo. Há que resistir à tentação de fazer em cinco meses o que deve demorar cinco anos.

Segundo ponto: as reformas estruturais devem basear-se em evidências e diagnósticos sólidos, não em palpites. A Finlândia soube reflectir sobre o estado actual do seu sistema educativo, recorrendo às avaliações internacionais, e procurou antecipar cenários futuros para a sua economia, de modo a identificar as necessidades futuras do país. E, paralelamente, soube reconhecer os desafios que o facilitado acesso à informação (através da internet) coloca às escolas – e, assim, apostar em competências transversais. Este trabalho de partida é determinante para alicerçar uma reforma política, porque ajuda a localizar os problemas, clarificar as soluções e a acordar as estratégias para a sua implementação.

Terceiro ponto: a autonomia e a descentralização da educação são factores-chave para levar os alunos para o século XXI. A diversidade pedagógica e de necessidades educativas dos alunos exige uma adequação constante das comunidades escolares e capacidade de decisão de proximidade – sobre o curriculum, mas também sobre os professores e práticas pedagógicas. Ou seja, a reforma curricular finlandesa foi implementada num sistema que estava preparado para a acolher.

Quarto ponto: o grande esforço da reforma recai sobre os professores. São eles os principais responsáveis pela inovação das aulas temáticas, são eles que têm agora o dever de trabalhar mais em cooperação entre colegas, são eles que devem aprofundar as suas competências tecnológicas para as introduzir na sala de aula. É sabido que a profissão de professor é, na Finlândia, de acesso extremamente exigente, recrutando-se apenas os melhores entre os melhores. Mesmo assim, não é expectável que os professores virem super-homens e se adaptem a tudo de repente – talvez esse receio explique as suas incertezas quanto ao potencial da reforma. Ora, as autoridades finlandesas perceberam isso e atribuíram a cada escola um professor cuja função é apoiar os seus colegas a implementar o curriculum e as novas tecnologias. Parece um detalhe, mas o sucesso da implementação desta reforma joga-se aí.

 

7 COMMENTS

  1. Alexandre Homem Cristo representa , na área da educação , algumas das ideias da direita mais tramontana…. Parece agora maravilhado com um sistema de educação totalmente público… Não me surpreende… até aquilo que não acreditamos pode servir os nossos propósitos de atacar a Escola Pública Portuguesa…
    A opinião de AHC, pública e publicada, é de ataque à Escola Pública nacional e , particularmente aos professores que a servem ! Foi uma das vozes mais ativas na ofensiva ao atual Ministro da Educação e, particularmente, ao Secretário de Estado João Costa! Atacou, sem dó nem piedade, as reformas e as intenções, que não passavam disso mesmo… As suas opiniões, com que discordo muitas vezes, são públicas e facilmente acessíveis na rede.
    Foi o autor da frase : “Em termos gerais, quem quer ser professor são os piores alunos, os mais pobres e os menos cultos” . E fico-me por aqui que só isto me bastaria!

    • Você chama “totalmente público” a um sistema educativo em que as escolas são geridas pelas autarquias. Exatamente o modelo que você não quer para Portugal. Ao que chega a cegueira de fazer ataques ad hominen…

      • Não percebi… ? As escolas não são públicas ? Diga-me, por favor, então, como são geridas as escolas na Finlândia?…
        Generalizei, de facto, existem escolas privadas, poucas, na Finlândia…
        Por falar em premissas falsas onde é que me viu a defender o ensino finlandês??? Ad hominem?

      • Informo-o, provavelmente saberá…, a municipalização da educação na Finlândia, a partir dos anos 90, deu muito maior poder aos professores… o que, de facto, me agrada!

  2. … só mais uma coisinha! É verdade que os professores na Finlândia são muito respeitados porque serão excelentes ! Mas essa é apenas uma parte da história… são-no, também, ao contrário do que nos querem fazer crer certos articulistas, não porque o sistema finlandês é muito seletivo, mas porque os professores tiverem um papel fundamental na resistência , durante a guerra contra os Russos…

  3. Faltou acrescentar que, na Finlândia, a profissão de professor, além de ser altamente exigente, é socialmente bem vista e, simultaneamente, bem paga. Aposto que nunca um ministro finlandês se vangloriou que não fazia mal perder os professores pois tinha conquistado a opinião pública. Tivemos mais disto do que do exemplo finlandês.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here