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Obrigar Uma Criança A Dar Um Beijo Aos Avós É Um Ato De Violência?

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Obrigar sob ameaça sim, pode ser considerado uma violência, “obrigar” por uma questão de respeito por um ato social básico de saudação entre familiares, é um ato de cidadania e educação que deve ser fomentado e transmitido de pais para filhos.

É uma tradição muito arreigada, de tal forma que já perdi a conta às vezes que vi uma mãe dizer “se não dás um beijinho à avó vais ver o que te acontece” ou “dá um beijinho ao avô e ganhas o brinquedo”. É contra este tipo de fenómeno que eu estou a falar e isto perturba as pessoas, porque mexe com a sensação de pureza e da naturalidade das relações familiares.

Daniel Cardoso

A questão originou uma polémica tal que até um lar de idosos respondeu e de uma forma muito particular.

Ficam as declarações do professor Daniel Cardoso no programa Prós e Contras e a devida resposta…

https://youtu.be/I-dDM900ve4

Hoje, os idosos do Centro Comunitário da Gafanha do Carmo, Aveiro, “responderam” à polémica com este vídeo…

Podem também ler a entrevista dada ao DN.

Daniel Cardoso: “Não usei o exemplo do beijinho ao avô e avó por acaso”

4 COMMENTS

  1. OBRIGAR uma criança a actos de intimidade contra a sua vontade é sempre discutível porque está a aprender que a sua vontade intima não é respeitada, daí que apareçam sujeitos que mais tarde aceitam com submissão as praxes académicas ou a violência no namoro por exemplo.
    Foi isso que o professor abordou e trata-se de uma discussão antiga e bem fundamentada, não foi a maneira mais feliz de lançar o debate público e devia-se de ter dado o exemplo de “OBRIGAR a dar um beijo a estranhos”, que no fundo retrata o mesmo acto de “domesticação” contra a intimidade, a criança merece tanto ou mais respeito como um adulto, deve ser ensinada a manifestar simpatia e cordialidade mas sempre atentos à sensibilidade intima da criança.

  2. Pós -modernos que se apoiam num pós-moderno, Foulcault. A concepção de poder no pensador francês não é a verdade, como muitos andam por aí a dizer… Dai-nos paciência para aturar o ”chalupismo”, desta escatologia ocidental…
    Estes senhores nem sequer percebem nada, mas nada, de desenvolvimento infantil, mas falam porque leram uns quantos autores e os repetem … assim vai o desconcerto do mundo e a criação de um mundo niilista sem barreiras de qualquer natureza… E querem que os seus valores morais sejam a ”verdade” dos outros… Depois admiram-se que saia mais um Bolsonaro !

  3. Lamento a forma como as pessoas reagiram à intervenção deste professor. É uma triste demonstração da nossa ignorância; do nosso moralismo salazarento.
    O professor defendeu que a afetividade é espontâneo.
    Esses beijinhos por obrigação convivem bem com toda a espécie de falta de respeito e violência. E não representam afeto.

  4. Teresa Damásio
    Sem dúvida que este tema baseia-se num acto que só deverá ser espontâneo.
    Eu fui uma “vítima” dessa obrigação. 0 meu avô materno (que amei muito) tinha regras que considerava “obrigatórias” numa família. Uma delas era o “beijo”. Não crítico quem o faz por prazer, mas eu, ainda hoje, não gosto muito de dar beijos. Beijos verdadeiros. Apertar os labios na bochecha do outro. Um dia, ao ver o meu avô à distância virei precipitamente para outra rua para não o beijar. Porém ele viu. Quando chegou a casa até chorou por eu ter feito semelhante acto. A minha avó obrigou-me a pedir-lhe desculpa. Mas, por incrível que pareça aquele meu acto de “desespero” tornou o meu beijo “dispensável”. Não sei se por mágoa, mas nunca mais se falou no assunto. É minha obrigação dizer que os meus pais na época (cerca de 1964) nunca interferiram nesta “guerrinha”. Actualmente não dou beijos, a não ser os falsos: cara com cara. E quanto aos meus netos, nunca os beijei nas faces. Sempre o fiz na cabeça e na nuca. Hoje, eles abraçam-me, e para mim é uma alegria.
    Como poder beijar um ser (o avô paterno) UE era alcoólico e cheirava a vinho? Jamais! Devo referir ir que adoro abraços e abracinhos. É muito mais íntimo, segundo o meu ponto de vista.

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