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O Tutor mágico… (Atualizado)

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mágicoNão sou dos que considera o ensino vocacional uma aberração, julgo que precisava é de ser otimizado. Não faz sentido que estes cursos tenham tão grande carga letiva e com currículos “viciados” no ensino tradicional. Porém, a ideia de incluir uma vertente mais prática, com forte componente empresarial não me choca, até me agrada. Faltou no meu entender turmas mais reduzidas, currículos simplificados, com abordagens individualizadas e nos casos mais extremos uma forte formação social.

Só que na prática os vocacionais tornaram-se filtros da escola pública, eliminando impurezas alunos do sistema para que outros possam brilhar e fazer brilhar as suas escolas em “ranquices” nacionais. Para quem não tem que lecionar os ditos até dão bastante jeito, mas um gueto é sempre um gueto e são poucos os que conseguem sobreviver a um.

Tiago Rodrigues aposta agora em tutorias, como se fosse algo novo, inovador e fresco. Que eu saiba elas já existem mas em menor duração. Só que as tutorias, quer no modelo atual, quer no novo que aí vem, levantam-me duas grandes questões.

A primeira está diretamente relacionada com o perfil do tutor, não é qualquer um que tem perfil para lidar com este tipo de miúdos e se a ideia for um simples explicador pessoal, esqueçam lá isso que ao fim de duas ou três aulas vão encontrar o aluno no café em frente à escola. Quem estiver perante este tipo de alunos tem de ser um pouco professor mas muito mais psicólogo do que professor e nem todos os colegas têm a paciência ou a motivação para ir por esse caminho.

A segunda preocupação está na limitação que a escola tem em resolver a fonte do problema e a fonte está maioritariamente em casa. Alunos que têm 5,6,7, 10 negativas, não é em 4 tempos de tutoria semanal que vão resolver o problema estrutural família. O aluno precisa de ser desmontado e reconstruido, mas a família também, adivinha-se por isso uma tarefa hercúlea para o novo tutor. Além disso, quem anda no terreno conhece bem as dificuldades que a chamada ação social escolar tem. O investimento em novos professores é curto e parece-me apenas uma medida de marketing que cai sempre bem entre nós.

Continuo a acreditar que o caminho para alunos indisciplinados e que possuam várias retenções no seu currículo, tem inevitavelmente que passar por uma abordagem familiar e por um ensino baseado em metodologias diferenciadas e com objetivos executáveis. E aqui Tiago Brandão está a pensar corretamente ao deixar em aberto diferentes vias de ensino sem ser o ensino regular, apesar de também estes precisarem de um “refresh”. Adaptar o ensino a alunos diferentes é um sinal de inteligência e maturidade educativa, aplicar a mesma “chapa” a todos eles é apenas mais do mesmo e os alunos não são robôs nem a escola uma fábrica.

Apoio ao estudo e apoio socioemocional. Tutor chega às escolas já em setembro

E como vai funcionar este sistema de tutorias para os alunos a partir dos 12 anos (com duas ou mais retenções)? “Essas tutorias terão uma gestão flexível adaptada aos alunos e por outro lado haverá também possibilidade de inserção nessas tutorias das equipas psicológicas e da ação social escolar”, avançou o governante.

O secretário de Estado da Educação João Costa, que é quem esteve a trabalhar neste assunto, completou que a função destes tutores será dar apoio ao estudo a estes alunos e apoio socioemocional, ou seja, “apoio à gestão de problemas relacionais com a escola, com a turma e com a família”.

O governante esclareceu que estes alunos que poderão frequentar as aulas complementares de tutoria estarão integrados numa qualquer oferta curricular disponível atualmente no básico, exceto o vocacional. Estamos a falar do ensino regular, dos cursos de educação e formação, das turmas PIEF (Programa Integrado de Educação e Formação), e outros.

Atualização:

Não me tinha apercebido que o tutor ficará com 10 alunos a seu cargo. Afinal não se trata de uma tutoria, pois quem percebe o funcionamento de uma tutoria sabe que certos assuntos são privados e os alunos em grupo não partilham os verdadeiros motivos do seu comportamento/insucesso. Se se pretende uma referência, esta não é adquirida em grupos de 10 alunos. E se estamos a falar de uma aula em número reduzido não estou a ver o professor de matemática a dar apoio de inglês, geografia ou história.

Há aqui uma grande confusão e não me agrada nada o caminho que isto está a levar.

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