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O Trono dos Diretores

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guerra dos tronos

O cargo de diretor deve ser o mais criticado da comunidade educativa, com justiça ou sem justiça, quem decide torna-se um alvo e deve passar o tempo com as orelhas a arder. Apesar das críticas de quem nunca se engana e nunca tem dúvidas,  poucos são os que se chegam à frente na hora H. Não sou advogado de defesa dos diretores, mas é preciso dizer algumas verdades antes de entrar nas críticas propriamente ditas.

O caso que se segue é apenas mais um episódio dos muitos atritos que existem nas escolas entre professores e diretores. Não vou falar do caso em concreto pois não estou dentro do assunto e por isso não devo fazer juízos precipitados, mas em abstrato podemos e devemos abordar a questão da gestão escolar e as queixas frequentes da sua diminuta democracia.

Num passado recente, a credibilidade do diretor foi fortemente abalada pelos critérios manhosos que surgiram, um pouco por todo o lado, na defunta BCE. Ainda hoje ecoam essas suspeitas, pois quando se fala em concursos, tudo corre para lista de graduação – um mal menor digo eu. A BCE foi apenas um exemplo dos excessos que podem ser cometidos, mas existem mais: a avaliação dos alunos e a indisciplina estarão certamente no topo das queixas… Pessoalmente tenho a sorte de trabalhar com um diretor honesto, afável e demasiado altruísta. E fico-me por aqui pois podem achar que estou interessado em engraxar sapatos, apesar de eu e ele sabermos que a frontalidade é a base da nossa relação e a sua(minha) avaliação não me aquece nem me arrefece.

Constato diariamente que ser diretor não é fácil e pode levar qualquer um a “passar-se” da cabeça e dizer aquilo que não quer e não pode. Eu certamente não teria tanta paciência e a minha inteligência emocional precisa de fazer um upgrade quanto a “tricas” diz respeito. É um cargo que não invejo e apesar de existirem diretores que não passam de ditadores frustrados, mantenho uma opinião positiva quanto à sua dedicação e competência. Aliás, a ideia que tenho sobre os diretores é muito semelhante à que tenho sobre professores, pais e assistentes operacionais.

Mas os tiques de autoritarismo são uma consequência do modelo unipessoal que existe nas escolas e estas, quer queiramos quer não, ficaram reféns dos seus diretores e respetivos conselhos gerais. É muito fácil criar uma rede estreita e perpetuar o poder e a segurança que daí advém pode, nos casos mais extremos, levar professores, funcionários e alunos a sentirem-se acorrentados, sem voz, afetados na sua dignidade profissional e por vezes pessoal.

Um diretor faz uma escola! Para o bem e para o mal… E não é qualquer um que tem a capacidade de se sentar no “trono de ferro” sem ficar obcecado com ele.

O modelo de gestão e a seu tempo vou provar o que digo, é um tema incómodo até para os próprios. A tutela precisa rapidamente de ouvir a sua escola e mudar o modelo vigente. Se não o fizer, Tiago Rodrigues, que afirmou no passado e cumpriu, diga-se a verdade, será apenas mais um que se sentou no seu “trono de ferro” e que ficou aquém das expetativas. E aqui agrego a questão da municipalização e fraca autonomia escolar, que teima em persistir…

O texto que se segue é retirado do blogue Bravio e é um exemplo, neste caso mau exemplo, do que não se pode, nem deve dizer, principalmente com espetadores à mistura.

texto bravio

(carregar na imagem para aceder à totalidade do artigo)

E a segunda parte podem ler aqui

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1 COMENTÁRIO

  1. …não sou poeta para acreditar que são diretores apesar das 200 moedas por mês a mais que ganham aos professores! e além disso deviam ser professores, como o general que um dia foi soldado que saiu da caserna e deu o corpo às balas!

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