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O Sofrimento Ético Dos Professores Quando São Obrigados A Falsear Resultados

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“Estava a ser pressionada a trabalhar para a estatística e não a trabalhar para a qualidade”

“Pode-se morrer por excesso de trabalho”

“78% dos professores está em Burnout e 20% dos professores está dependente de medicação”

O recente programa da Linha da Frente da RTP aborda o tema do burnout, da exaustão e das pressões das chefias. A profissão docente não fica esquecida e pode ser vista entre os minutos 16 e 24.

Sobre o título do artigo, é uma citação de uma Historiadora do Trabalho e que podem ver na reportagem. Não tenho dúvidas em afirmar que mais do que o burnout, o que consome a alma dos professores é o sentimento de injustiça, de desprezo pelo seu trabalho e pelo seu juízo avaliativo, sendo estes forçados a falsear resultados a bem das estatísticas, a bem da imagem da sua escola, a bem das políticas educativas.

De visualização altamente recomendada!

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6 COMENTÁRIOS

  1. Ninguém consegue avaliar o estado de sofrimento e o turbilhão de emoções que povoava a colega quando deu esta entrevista. A equipa de reportagem foi sensível e deu-lhe espaço para desabar. Força a todas as Genovevas deste reino da (des)educação.
    O Alexandre pegou no ponto certo: são os profissionais escrupulosos e briosos os primeiros a sofrer de burnout, porque simplesmente são os que se importam.

  2. Os meus parabéns à Genoveva por ter a coragem de dar voz a que muitos professores estão a sentir neste momento, mas não sabem como reagir ou a quem recorrer… Revejo-me nas suas palavras, pois eu também já sofri como ela… No lugar de se dar apoio psicológico e de se amparar os profissionais em Burnout, estes ainda acabam por ser mais massacrados e perseguidos, pois existe muita boa gente que se aproveita das fragilidades dos outros para se promoverem. A avaliação de desempenho deteriorou completamente as relações laborais onde a competição mina o trabalho colaborativo. As pessoas que encaram a profissão com mais seriedade são as que sofrem mais, pois são incapazes de compactuar com um sistema que promove maus rapidamente os lambe-botas e os delatores do que aqueles que cumprem. Os coleguinhas que se predispõem a fazer determinados servicinhos sujos, como desacreditar um colega ou vigiá-lo, tem também as regalias todas. Quem cumpre sem compactuar com o sistema é posto de lado, sendo contemplado, na distribuição de serviço, com as piores turmas e com horários de merda.
    Está na hora de dizer BASTA! Vamos dar voz a todas as Genonevas deste país que sofrem porque querem exercer a profissão com seriedade e não as deixam, boicotando o seu trabalho.
    Deixo também aqui uma observação à carneirada que se deixa influenciar pelos boatos orquestrado por gente perversa no lugar de pensarem pela própria cabecinha… Este facto conduz uma pessoa ao isolamento social, ficando–lhe vedada a criação de vínculos afectivos… Este fator cria entraves se estivermos num local onde se misturam amizades com trabalho… Aprendam a separar as águas!!! Chiça… Custa muito dar valor a quem já deu provas disso?

    • Concordo e também vejo isso.
      Os “excelente” e os “muito bom” completamente às escondidas.
      Gente que começa as aulas com 20 minutos de atraso a t QQerem os “muito bom”.
      Comissão de avaliação a fazer julgamentos sumários.
      Lambebotismo a la carte.
      Enfim, o pântano instalado.

  3. A luta solitária de muitos começa a ter voz, a voz dos que se importam e amam a profissão!
    Enfrentar a realidade pode ser o princípio da procura de uma escola que faça algum sentido, que assuma que a qualidade exige objetivos claros, avaliação rigorosa, para reformular/alterar, e muita paciência. Só passados muitos anos se poderá ver se os nossos alunos tiveram sucesso (encontram uma forma devida que os realize e permita viver com dignidade).

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