Início Escola O Salário Dos Professores: Fact-Checking – Paulo Guinote

O Salário Dos Professores: Fact-Checking – Paulo Guinote

Depois da carga fiscal directa do IRS e do pagamento de outras obrigações, o que resta no bolso dos docentes?

1992
2

No recente Dia Mundial do Professor que coincidiu com o dia de “reflexão” para as eleições legislativas, a produção de títulos na comunicação social necessitou de encontrar temas que não chocassem com a atitude reflexiva, acabando por surgirem com destaque alguns “factos” sobre o salário dos professores portugueses e a sua disparidade entre base e topo de carreira, com base num estudo da rede europeia Eurydice. E foram apresentadas “conclusões” ou “evidências” que, como é infelizmente muitas vezes habitual nestes casos, se caracterizam por uma leitura pouco crítica do que, atendendo à fonte “oficial” e para mais internacional, se consideram acima de qualquer análise adicional.

E publicou-se que os professores portugueses “do 3.º ciclo” (já agora… será de todos porque a tabela salarial é comum) ganham 116% mais (acima do dobro) no topo do que na base da carreira, demorando 34 anos a chegar a essa remuneração máxima. Acerca disto, que nominalmente e no papel poderão parecer factos indesmentíveis, eu gostaria de acrescentar um pouco da “análise adicional” que sinto ter ficado por fazer.

2. Em termos de carreira, os 34 anos para ser atingido o topo (índice 370) é uma ficção completa, desafiando os autores do estudo ou os seus divulgadores a apresentarem quantos professores o atingiram em tal período de tempo ou, dos que estão ainda em exercício, que proporção o virá a conseguir. O tempo de serviço não recuperado e a existência de um sistema de quotas para a progressão em vários pontos da carreira inviabilizam que a larga maioria da classe docente chegue ao topo da carreira, estimando eu, sem uma rede internacional a apoiar-me o exercício futurológico, que serão menos do terço previsto no Estatuto que pretendia em 2007 criar a casta dos professores “titulares”.

4. Um docente não casado, sem dependentes, no 1.º escalão, recebe em valor líquido 1133,37€ (menos quase 400€ do que o valor da tabela); no 10.º escalão, na mesma situação, receberá 1989,70€ (menos quase 1400€). São mais 856,33€. O que corresponde a um diferencial real de 75,5%. Numa outra situação, que se pode considerar até mais comum, um docente casado, dois titulares e dois dependentes, no 1.º escalão recebe, em termos líquidos, 1174,37€ (menos cerca de 340€); no 10.º escalão, 2006,70€ (menos quase 1350€). A diferença? 832,33€. O diferencial efectivo? 70,9%.

A diferença entre o valor real e o valor “mediático” com chancela de instituições oficiais internacionais é, sem exageros, “colossal”. No estudo e nas notícias, não sabemos como é nos outros países. É pena que continuemos a consumir informação assim.

Fonte: Publico

COMPARTILHE

2 COMENTÁRIOS

  1. DE lamentar , efetivamente, como se constroem verdades falaciosas, se fornecem informações ensalivadas que ,bem sabemos , na sociedade atual, todos tomam como factos veridicos e, assim, se continua a denegrir a classe dos professores e a por os cidadãos contra estes, quando se faz crer que, afinal, até estão muito bem remunerados !
    Triste !

  2. Eurydice é uma VERGONHA COLOSSAL…. Tem MENTIRAS e FALSIDADES do TAMANHO de uma CATEDRAL…
    Caríssimos… Não gostaria de colocar aqui links para outras páginas ou blogs. Mas, em face do desfaçatez com que os números do Eurydice são apresentados, não me resta outra solução. Num texto intitulado “Salários dos Professores na OCDE – Verdade ou Mentira ?” (em https://ferreirablog.blogs.sapo.pt/42691.html) e noutro Governo mente Sobre Salários dos Professoresem 27 de Maio de 2009 (https://ferreirablog.blogs.sapo.pt/27718.html) escrevi sobre o assunto, colocando disponíveis documentos de salários… bastará ver o que lá está para concluir a FALSIDADE destes ESTUDOS que têm algo de interesse: denegrir a imagem achincalhada dos professores em Portugal. Uma vergonha de povo que não se revolta contra mentirosos e come tudo o que lhes apresentam sem qualquer sentido crítico. Lembram-se de que mais de 70% dos portugueses estiveram a favor de que o Governo mantivesse o roubo os professores? Pois bem, engoliram as mentiras das mordomias (que nunca existiram, a não ser as de gastar salário para exercer a função, comprar computadores e impressoras, tinteiros, para servir as escolas, etc… etc…). “Pobre Povo, Nação Nojenta… “

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here