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O retrato “doente” das nossas escolas.

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À exceção de uma pequena minoria de alunos, ainda respeitadora da escola e dos profissionais intervenientes no sistema educativo, é notável que, de ano para ano, cresce o número de alunos que revelam comportamentos desviantes e violentos.

Entre as atitudes mais comuns de indisciplina podem referir-se as seguintes: uma postura de provocação constante, desobediência, desrespeito e agressividade para com os docentes, mas também com os auxiliares de apoio educativo e os colegas; outros manifestam-se ainda revoltados, irrequietos, irreverentes e muito barulhentos, não obedecendo a regras básicas fundamentais de convivência e civismo, nem dentro nem fora da sala de aula.

Como se isto não bastasse, os casos de as agressões verbais e físicas de alunos e pais de alunos para com professores, também se tornam cada vez mais frequentes. Geralmente, as crianças ou os adolescentes são superprotegidos pelos pais, independentemente da gravidade do seu comportamento na escola; o que resulta em agressões a docentes.

Muitas vezes, há alunos que são retirados do contexto da sala de aula, (com participação disciplinar), sendo impossível lecionar devido à sua indisciplina reincidente, mas voltam ainda mais vitoriosos, aos pontapés a tudo que encontram pela frente. São infinitos os casos de indisciplina que se poderiam contar aqui, mas não há espaço para tanto…

Desnecessário será dizer que a tarefa dos docentes, hoje mais do que nunca, é extremamente árdua, stressante e muito desgastante, pois aos fatores já mencionados, acresce ainda: a elevada carga burocrática, as várias reuniões agendadas, a preparação e lecionação de aulas, a correcção de fichas de avaliação e exames, entre de outros muitos trabalhos corrigidos, os apoios educativos, o desempenho de cargos atribuídos e a formação continua. São inúmeras horas de trabalho em casa, superando sempre, aquelas que o horário letivo estabelece, o que se repercute negativamente na saúde dos docentes.

O corpo docente está cada vez mais envelhecido, cansado, doente e sente-se desamparado por todo o sistema; a situação torna-se cada vez mais insustentável e caótica. Elevado número de professores recorre a antidepressivos, ansiolíticos ou calmantes para poder conseguir exercer a sua profissão, para conseguir camuflar a exaustão física e psicológica que os vai minando por dentro. Uns sofrem em silêncio, outros estão de baixa psiquiátrica, com sintomas depressivos severos, com amnésia ou crises de ansiedade. É o panorama que ninguém mostra lá para fora, porque nos envergonhamos de já não ter mão neste caos assustador.

As direções das escolas, essas permanecem incapazes de pôr termo a esta problemática, deixando-se subjugar por “ordens superiores”. A maioria dos Diretores apenas dissimulam ou ocultam os inúmeros problemas de ordem disciplinar, de modo a manter a falsa “imagem da escola impoluta”. Exercem apenas para mostrar resultados ilusórios, toleram e desculpam o que está mal e camuflam por conveniência.

Este tipo de gestão é o maior dos problemas; a impunidade face a comportamentos desviantes dos discentes acaba por ser a “regra de ouro”. Atenuam-se ou encobrem-se ocorrências graves, usando as desculpas esfarrapadas de sempre:  “o aluno tem problemas, é hiperativo…” . É o retrato real de uma escola que está “doente”!

Perante isto, e com tais alicerces…

– Como promover nas crianças e nos jovens valores éticos, regras básicas de convivência, civismo?  

– Como incutir-lhes o respeito pela autoridade docente no cumprimento de suas funções?

– Como recuperar o respeito e a valorização da nossa profissão?

– Que geração futura estamos a formar Sr. Ministro da Educação e Sr. presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares?

Mónica Guimarães

3 COMMENTS

  1. Reprimir o intolerável não está na moda… As crianças não têm falta de educação … os professores é que não sabem criar estratégias para entreter os pubescentes! E claro, principalmente na classe média, os rebentos são , quase todos, candidatos a génio e de personalidade muito forte…

  2. infelizmente olhando para a sociedade de hoje em dia e para a sociedade que irá vir num futuro próximo só vejo a situação a piorar, pois o centro do problema começa em casa, enquanto não se mudar a mentalidade da maioria dos pais de que os seus filhos são especiais e incapazes de ser mal comportados, e sempre com uma desculpa pronta para a falta de educação (que os mesmos não souberam passar) as crianças vão continuar a crescer e viver num mundo em que tudo lhes é perdoado e como tal podem continuar a testar a autoridade e abusar da impunidade de saber que nada lhes acontece porque “são só crianças”. E depois muitos já têm pais saidos duma geração com esta mentalidade e como tal só seguem o exemplo que vêm em casa.

  3. Bravo, Bravíssimo! Será que o ME tem este problema em conta? Falam no sucesso , na diminuição dos currículos , na Educação da a Cidadania que na minha escola ainda se mantinha(mas da qual não se vê efeito algum),

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