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O que faz um aluno ter maus resultados?

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O que faz um aluno ter maus resultados

Esta é a pergunta a que milhares de profissionais de educação procuram responder no seu dia-a-dia. Embora a OCDE afirme que Portugal está entre os 6 países, dos 64 analisados, com piores níveis de empenho dos professores nas suas escolas. E que a escola (leia-se também, espectativas e trabalho que o professor faz com os seus alunos) terá uma influência de cerca de 35% nos resultados. Eu ainda sou daqueles que acredita que a grande maioria dos Assistentes Operacionais, dos Professores, dos Diretores e de todas as pessoas que trabalham para a evolução do sistema educativo tem como centro das suas preocupações profissionais o aluno.

Pelo gráfico que acompanha esta peça, podemos verificar que os resultados dos nossos alunos continuam a estar abaixo da média da OCDE, o que nos deve preocupar e levar a trabalhar no desenvolvimento de estratégias para convergir mais rapidamente. Verificamos também que a principal causa dos maus resultados em Portugal, e também noutros países referidos no estudo, é a reprovação prévia. Um aluno que chumba tendencialmente piora os seus índices escolares após a reprovação.

Perante esta evidência sou levado a concluir que uma avaliação punitiva e condicionadora das estratégias de ensino, extremamente formatada, como a que existiu nos últimos anos é nociva para o sistema. Exigir a um coxo que corra os 100m tão depressa e da mesma maneira que uma pessoa sem problemas nas pernas só terá como consequência a sua frustração, nunca levará a que consiga correr como os outros. Não tenho dúvidas que o resultado final de alunos com características diferentes poderá ser o mesmo, mas temos de dar autonomia ao professor para construir o caminho para que cada um lá chegue e isto significa compreender que é também competência do professor aferir a evolução do seu aluno e do caminho trilhado. Não podemos continuar entre os 10 países com o maior índice de reprovações.

Mas mesmo perante estes resultados, preocupantes na minha ótica, existem dados que constatam o bom caminho que percorremos no passado, em especial entre 2003 e 2012. No decorrer deste período ficamos entre os 9 países que mais reduziu a percentagem de alunos com resultado abaixo de 2 nos testes PISA (resultado negativo e que revela impreparação para a exigência da sociedade). Em linha com a Alemanha, a Itália ou a Rússia.

Mas tão importante como perguntar “o que faz um aluno ter maus resultados?” é perguntar quais as consequências para os alunos e para o país destes maus resultados?

É na resposta a esta pergunta que se verificam as consequências dramáticas de insistirmos em modelos desadequados da resposta que queremos obter. Não basta olhar para os anos 60 ou 90 do século XX, ver o que funcionou e tentar reproduzir. É necessário compreender que o mundo que envolve a escola mudou e exige uma resposta diferente do sistema educativo.

O fracasso escolar tem consequências graves para o individuo, levando a uma deficiente preparação pessoal e social condicionando a sua capacidade de resposta perante as exigências que vai encontrar no momento em que abandona a escola e ao longo da sua vida. Mas o problema não se estingue nas consequências pessoas, o país é profundamente marcado na sua capacidade competitiva a longo prazo. Se uma fatia significativa da sua população abandona o sistema educativo de forma precoce então a capacidade de no futuro se criarem os alicerces de uma sociedade moderna, dinâmica e tecnologicamente evoluída fica profundamente comprometida, sem contabilizar o investimento que é feito nas pessoas que abandonam o sistema precocemente e que assim se perde.

Consulte aqui o artigo:

Ser rapariga, imigrante e ter chumbado contribuem para fracassar a Matemática

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