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O que é uma escola democrática?

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Vou voltar a este assunto porque numa ação de formação curta dada pelo Prof. Eusébio, sobre avaliação, aparece o conceito de avaliação democrática.

Para este autor avaliação democrática é uma avaliação essencialmente formativa que se carateriza por colocar o acento tónico na deteção das insuficientes dos alunos, quer do domínio do conhecimento, quer de competências, com vista a tentar superá-las, quer pela ação pedagógica do professor, procurando que a avaliação se adeque às caraterísticas do aluno, no sentido de este ter uma pedagogia diferenciada e uma avaliação em sintonia com as suas caraterísticas, quer que o aluno tenha feedback do que precisa de melhorar. Esta visão implica que se analise o mérito do aluno em relação ao seu ponto de partida, pelo que o melhor aluno de uma turma pode não ser o que tem 18, mas o que teve 11 e partiu de um patamar negativo e com muito esforço chegou à positiva. Nesta perspetiva, os quadros de mérito e excelência dão sinais errados, logo não devem existir, ao irem para lá os alunos que entraram na escola com vantagens económicas, culturais e mesmo educativas, pelo apoio dos pais ou explicadores, em vez dos alunos que superaram as suas limitações de partida no âmbito do processo pedagógico normal. As reuniões de início de ano onde se carateriza socilogicamente os alunos não fazem sentido, pois pode-se estar a passar a mensagem de quem devem ser bons alunos e os outros, o que vai condicionar a avaliação dos professores. Esta visão da avaliação a que chama de democrática está em contradição com o papel dos exames e articulada com o perfil do aluno.

Mas será que uma escola democrática passa somente por esta nova visão da avaliação ou esta alteração, mesmo que importante, será parcelar, porque uma escola democrática passa pela prática da democracia, com um modelo de gestão que incentive a participação, dos alunos e professores. Hoje existe um sistema centralizado, em que o ministério controla as escolas e os diretores são órgão uninominais, que reduziu a participação dos alunos na vida escolar e os professores são cada vez mais tratados como correias de transmissão, em vez de seres pensantes autónomos.

Não sejamos tentados a pensar que ao aplicar esta ‘avaliação democrática’ estamos a criar uma escola democrática em contraponto ao modelo de gestão gerencialista (termo usado pela sociologia da educação na UMinho) atual, pois se o fizermos estamos a ignorar que o essencial da escola democrática é praticar a participação democrática universalmente, com mais autonomia e não restringi-la à avaliação. O processo democrático é acima de tudo de baixo para cima, respeitando os seus intervenientes como seres reflexivos e o modelo de gestão atual é de cima para baixo (somente neste contexto o conceito de liderança faz sentido) e esta proposta de avaliação, colocando aida assim problemas pertinentes, está a ser imposta de cima para baixo, como consequência do 54 e 55, como o prof. Eusébio fez questão de realçar. A liberdade de se procurar formação em vez de se impor formação é outra vertente que me faz urticária na utilização do termo «democrática», em certos contextos.

Preferiria que se usasse o termo avaliação universal em vez de democrática, para caraterizar a proposta do prof. Eusébio, em contraponto à avaliação meritocrática.

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