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“O Professor Faz Sempre A Diferença” – Margarida Gaspar De Matos

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Um retrato fiel do que se está a passar na Educação atual, com a curiosidade de surgir uma nova preocupação, desta vez para com os professores do Ensino Superior, pois também eles estão a ser apanhados pela “tempestade” da desvalorização da carreira e indisciplina dos alunos.

Uma pequena entrevista que vale a pena ler.

Margarida Gaspar de Matos: “É preciso ajudar os professores a sair da inércia”

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Hoje em dia, como é que os alunos veem o professor?
Em muitas circunstâncias, os alunos não têm consideração pelos professores. Isso é um mau sinal. É um desvalorizar do estatuto sociocultural e económico do professor. E o mesmo vai acontecer com os professores do ensino superior, considerando que desde há seis ou sete anos começámos a ter problemas de disciplina nas aulas, quando antigamente o professor do ensino superior era muito respeitado. Isto está a relacionado com as carreiras. Aliás, ainda no outro dia alguém me dizia: “vai lá para o superior dar aulas, não conseguiu arranjar outra coisa”. Estas coisas são importantes de salientar, porque quando desvalorizamos a profissão significa que estamos a destruir a imagem de quem a exerce.

 

Isso quer dizer que ser professor não é uma carreira apetecível?
A verdade é que a confiança das pessoas nas instituições está muito abalada: agora vou para a faculdade tirar um curso de três anos terríveis para depois o quê? Para depois “nada”? Depois há a hipótese de lá ficar a dar aulas, mas essa ideia para a generalidade das pessoas é ‘ai que horror, não, dar aulas não!’. Mudou muito nos últimos anos para o professor. O estatuto sociocultural e económico de um professor universitário está pela rua da amargura. Qualquer dia o senhor aluno vai dizer que o professor universitário é alguém que “não arranjou trabalho em mais lado nenhum”. Antigamente era uma carreira competitiva e prestigiada muito ligada à investigação, também à docência e à inovação na comunidade.

 

No futuro, quem vai ensinar quem?
Não sei. Quem é que vem a seguir? Teria de ter ocorrido uma entrada de novos professores para renovar os da minha geração. Por exemplo, os investigadores e investigadoras de pós-doutoramento com bolsa da Faculdade de Ciência e Tecnologia não têm garantia de contrato permanente, com sorte têm dois contratos de três anos e depois vão parar à rua por não serem funcionárias da faculdade. As pessoas mais novas aqui da faculdade, das que entraram por concurso público, têm agora cerca de 50 anos. Daí para baixo, não há ninguém que tenha entrado por concurso público.

 

O que mais pode fazer a tutela?
Deve investir seriamente na mobilização e no reconhecimento dos professores. Um professor motivado faz toda a diferença e é preciso que os professores recuperem a capacidade de galvanizar os alunos. Depois, como está a ser tentado, é preciso dar alguma autonomia aos professores para serem resolvidos alguns problemas nas escolas, localmente. Isso podia estar organizado, por exemplo, numa “plataforma”. Uma escola expunha alguns dos problemas que enfrentou e quais as soluções que utilizou. Depois uma outra escola poderia consultar o trabalho desenvolvido e perceber se este poderia ser aplicado também na sua. Poderia ainda haver um repositório com estudos de casos de escolas. Enfim, é preciso ajudar os professores a sair desta inércia, desta desvalorização, desta apatia, desta exaustão e restaurar neles a capacidade de se sentirem reconhecidos na sua profissão.

Fonte: Jornal Económico

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