Home Editorial “Ó professor, eu só estou aqui porque sou obrigado!”

“Ó professor, eu só estou aqui porque sou obrigado!”

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Apesar de todas as alterações que o covid trouxe, há coisas que infelizmente nunca mudam. O desinteresse e a indisciplina de alguns (muitos ?) dos alunos portugueses. E não comecem já a dizer que o problema está na estrutura/metodologia das aulas, há de tudo, na certeza porém, que o caminho para o sucesso não se faz com o professor a remar sozinho. Os alunos também têm que estar minimamente “ligados” com a predisposição para ao menos querer pegar no remo…

Apesar de ter quase duas décadas de ensino, ainda hoje tenho sérias dificuldades em ensinar um aluno que simplesmente não quer aprender, seja por razões cognitivas, sociais e/ou emocionais. A verdade é que esta tipologia de aluno, com as limitações que as escolas têm e o formato de ensino implementado, dificilmente ultrapassam o carimbo de caso perdido.

No caso em concreto, a oferta disponível não foi ao encontro das suas pretensões, mas é o que temos, é o que escola pode oferecer e quem sofre é quem fica na sala de aula, seja aluno ou professor.

Há efetivamente uma desvantagem para os alunos que habitam no interior do país, estes ficam frequentemente limitados à oferta que as escolas podem oferecer. Não é justo, até porque os seus pais pagam os mesmos impostos que os pais que habitam nos grandes centros.

Claro que nada desculpa a má educação e a perturbação dos colegas de turma, mas tal como um rio que logo à nascença foi poluído e que ao longo do seu percurso continuou a ser poluído, quando desagua no mar, pouco ou nada se pode fazer.

Por isso levanto a questão, até que ponto o ensino secundário deve ser obrigatório até ao 12º ano? Há alunos que dificilmente vão mudar, já ultrapassaram o ponto de não retorno, são alunos que querem e precisam de ir trabalhar. Em vez de forçar alunos a permanecer mais 3 anos nas escolas, por que não apostar numa formação com imediata integração no mercado de trabalho, algo prático, simples e direto? A escola não o permite e o choque é inevitável.

Não é com aulas de 50 minutos ou 100 minutos que se muda a vida de um aluno, mas também não se pode aceitar que em 50 ou 100 minutos, um aluno possa “contaminar” os colegas que estão a tentar fazer o seu percurso normal.

Este é efetivamente um dos grandes desafios da Escola, onde o sentimento de impotência é avassalador, mas mesmo assim, mesmo com tanta adversidade, o verdadeiro derrotado é aquele que desiste, seja ele aluno ou professor.

Amanhã é outro dia…

Alexandre Henriques

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