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O processo de avaliação docente: um caso.

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Passou um mês após o processo de avaliação docente respeitante a 2018/19 estar concluído, pelo que é altura de se fazer um balanço baseado na minha experiência pessoal.

Com o fim do congelamento e com a reposição (injusta) dos 2 anos e 9 meses quase 2/3 da escola foi sujeita a avaliação.

A prioridade para acesso aos MB e E foi dada aos professores em vias de transitar para os escalões com barreiras (5º e 7º) foi uma opção correta. Mas realço que não foi uma opção absoluta, ficando de fora alguns casos com pouco empenho para com a escola.

Depois foram premiados os professores com cargos e que os desempenharam com rigor e empenho, mas aqui noto que enquanto para os coordenadores há um universo próprio e portanto há quotas, os elementos da direção, tendem a ficar todos premiados, à custa do universo geral. Assim, é necessário haver também um universo para este grupo, como há para os coordenadores.

Poucas vagas sobraram para os professores sem trabalho de coordenação e ligados à direção, mas com muita dedicação à escola, bastantes vezes com sacrifício familiar.

Depois começam as injustiças, como selecionar entre professores com trabalho meritório os que ficam na conta dos 25% com direito a mais do que bom? Tenho plena consciência que as injustiças levam aos desânimos, como alguns colegas desabafaram comigo e me disseram que para o futuro não se iriam empenhar mais, mas fazer o mínimo, pois façam pouco ou muito só têm o Bom.

Este é o perigo do atual sistema, provoca desmotivação e desânimo para quem cumpre, dedicando algumas semanas mais do que 60 horas à escola e não têm quota. Este processo de avaliação ao decretar que somente um em cada quatro professores pode ver reconhecido o seu trabalho corre o risco de criar somente esta percentagem de professores empenhados. Premiar o mérito de forma a desmotivar quase tantos professores como os premiados é prestar um mau serviço à escola, pois uma escola de qualidade não poderá ter somente 25% do seu corpo docente motivado. Nem tão pouco 50%, senão não tem qualidade.

Concluindo o atual sistema de avaliação de professores pode e está a criar desmotivação no corpo docente das escolas. Isto não se sentiu no passado com a carreira congelada, mas agora ficou claro que esta forma de avaliação a prazo pode diminuir a qualidade média das escolas à medida que os professores não virem o seu esforço reconhecido e isto pode acontecer com 75% dos professores.

Rui Ferreira

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12 COMENTÁRIOS

  1. Um sistema muito injusto e os avaliadores podem ser pressionados pelos elementos da direcção no sentido de dar uma melhor classificação a alguns e não a outros! Mas há mais que muitos não sabem; quem saiu das listas porque conseguiu vaga para o acesso ao 5º ou 7º escalão a 14 de Junho estão com um problema que os sindicatos silenciam. Estes colegas podem requerer os 2 anos e 9 meses e portanto, voltar a mudar de escalão no próximo ano. Mas, o que acontece, não bastou estes docentes estarem um ano na lista para neste momento o nosso ministro das finanças não dá “luz verde” a essas progressões e, como tal, as Escolas com docentes nesta situação estão num impasse pois não é só aumento que não estão a receber (são 8 meses + subsídio de férias) mas também não poderem avaliar estes docentes porque oficialmente para as escolas eles ainda não progrediram e , portanto, não podem beneficiar da bonificação. Uma bela confusão criado apenas porque o Dr. Mário Centeno está apenas preocupado com a sua imagem de bom gestor!

  2. Tem toda a razão o Alberto Veronesi (4 setembro, às 19:45). Acrescento que, mesmo sendo tremendamente desprestigiante para os professores, neste momento, com a postura dos governantes, dificilmente alguém se colocaria ao lado dos professores. Já há mais de 10 anos que denuncio provas da estupidez que é este tipo de avaliação. Nas organizações de docentes em que participo, assisti a discursos de colegas favoráveis á avaliação docente… E diziam que, “como estava é que não podia ser” porque não somos todos iguais e há que distinguir os melhores.”
    Isto, até que um dia, uma das autoras deste discurso (pensando que seria ela a ter o Excelente ou Muito Bom!) foi avaliada com BOM. E veio reclamar pela injustiça (tal como o Rui Ferreira aqui denuncia). Nesse momento, apenas lhe respondi: “Não eras tu que dizias que não éramos todos iguais! Pois agora já há diferenciação. Uns são excelentes, outros Muito Bons e outros apenas Bons. Logo, pouco importa a quem decide se as atribuições das classificações (tal como as notas finais de curos universitários!) são justas ou injustas…
    TEMOS O QUE MERECEMOS…
    Caro Rui Ferreira. compreendo perfeitamente a indignação…! Apenas um reparo que se relaciona com o reverso da medalha (com consequências no prestígio da classe docente) relativamente a algumas das afirmações (analise e compreenderá porque não as quero aqui expor, obviamente) contidas na análise que apresenta.

  3. Esta avaliação é um embuste. Dão atropelos atrás de atropelos. A coisa é tão caótica que chega ao ridículo: na minha escola nem sabem que professores devem avaliar. Depois da avaliação concluida e da aplicação de cotas retiraram e anularam avaliações porque chegaram à brilhante conclusão de que A, B e C não precisava de ser avaliado! Kafkiano!
    Arlindo, admitir que
    “A prioridade para acesso aos MB e E foi dada aos professores em vias de transitar para os escalões com barreiras (5º e 7º) foi uma opção correta.” é desvirtuar completamente o sentido de qualquer avaliação! É um escândalo! É selecionar à priori a quem será atribuida a melhor avaliação com critérios adhoc que não estão na lei, que nem foram definidos pela escola oficialmente ( ilegais ,pelo que nem poderiam ser).
    Onde está a IGEC. Estou boquaberto! A avaliação tornou-se na sorte da santa casa? Dá-se o jeitinho só porque sim? Sabemos que muitos colegas estão nessa situação ( à espera de vaga) pq no passado, por opção, não quiseram ser avaluados. Não quiseram sujeitar-se a aulas assistidas. E agora? Vai de barato, toma lá a nota para conseguires mudar de escalão???!!! E os outros ficaram sem ‘mérito’ de repente? De Excelente passaram a bom? Brincamos?
    Onde está a IGEC?
    Estou boqueaberto! E os professores prejudicados assistem impávidos e seremos? Estupidificaram de vez?

    • Comigo não sabiam que tinha que ser avaliada.

      Esperavam que fosse a escola onde estou no quadro a informar

      Mas estava tudo no meu processo bastava ver
      Entreguei todo o que devia entregar e no fim….

  4. Como compreendo a tua indignação caríssimo colega Rui Ferreira!
    E agora que passou mais de um ano e meio sobre o descongelamento (janeiro de 2018), altura em que eu devia ter mudado para o 7º escalão e não mudei?!
    Isto porque a minha Diretora, da Morgado de Mateus – Vila Real, que também privilegiou os do 4º e 6º escalão com Muito Bom a mim, que bonifiquei de um ano por ter feito mestrado durante o período de congelamento, não me avaliou e deixou-me apenas com o Bom da Lei do orçamento de estado!
    Imaginas a minha revolta?! Não me conformo com este bloqueio na minha carreira de 31 anos de serviço efetivo prestado.
    Como é que é possível a DGAE servir-se de alguns dados lançados na plataforma SIGHRE e não dar qualquer importância a outros!
    É que aquando do recenseamento feito em sede de preenchimento da plataforma SIGHRE, logo após o descongelamento em 2018, não concordando com a minha avaliação de desempenho de Bom, nos termos do nº 2 do artigo 18º da Lei nº 114/2017, de 29 de dezembro – Lei do Orçamento do Estado para 2018, reclamei deixando claro, passo a transcrever as minhas palavras ali registadas:
    “Essa avaliação meramente administrativa pode inviabilizar, desde já, a minha progressão para o 7º escalão da Carreira Docente na medida em que fico sujeito ao requisito da obtenção de vaga …”
    Não servirá este dado ali registado como prova a meu favor? Afinal a responsabilidade é-me de todo alheia?
    Alguém imagina o prejuízo que isto me está a causar?
    Não paro de procurar ajuda e já só me resta a da Provedora de Justiça! Sim, porque quanto a bom senso da parte da tutela, já nós estamos habitados.
    Desculpa este desabafo, mas que sirva pelo menos para minimizar em parte o teu sofrimento!

  5. Caros colegas… Este modelo de add é tal e qual o sistema político que temos assente numa democracia…. Não é perfeito e pode ser melhorado, mas ainda não foi implementado em tempo “normal” de carreira para poder ser avaliado e aperfeiçoado. Não podemos andar sempre a fazer tábua rasa dos diferentes sistemas de add sob pena de darmos razão a todos os nossos detratores, em particular daqueles mentecaptos fazedores de opinião como o MST que ainda afirmam que não somos avaliados…. Não devemos dar tiros nos pés, devemos sim pegar no que existe, avaliar e aperfeiçoar.

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