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O problema do ME é não ter verbas para gastar: no reino do se for possível.

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Analisando o que vem a público chego à conclusão de que a educação não teve aumento orçamental para lidar com a pandemia. Vejamos, tendo em conta o que se passa na minha escola.

A dimensão das turmas não foi reduzida, como aconteceu noutros países, para criar «bolhas» de alunos de dimensão mais reduzida para não penalizar tantos alunos em caso de surto.

Não houve compra de carteiras individuais para substituir as de dois lugares e desta maneira cumprir algum distanciamento social.

Não houve reforço do equipamento informático para permitir aulas adequadas a algumas matérias dos cursos profissionais, obrigando os professores a procurar uma solução pedagógica de recurso, já que os alunos não podem mudar de sala (exceto em moral!).

Reforço de funcionários para assegurar uma higienização eficiente só aparece, ainda como promessa, em cima do início do ano letivo. Por exemplo, na minha escola não há funcionários para vigiar os recreios pelo que se veem, ocasionalmente, alunos sem máscara. Nos recreios os funcionários estão a higienizar as salas e não a vigiar os alunos. Também não é possível abrir os portões da escola mais cedo, só abrem às 8:25, cinco minutos antes das aulas começarem, porque não há funcionários para vigiar, pelo que se formam aglomerações do lado de fora dos portões, parecendo que é um problema da escola segura (PSP e GNR), quando afinal a raiz do problema está na falta de funcionários que não permitem deixar os alunos entrarem à medida que vão chegando.

Até na questão do «take away», relacionado com o funcionamento das cantinas, surgiram instruções da DEGEST, na sexta feira dia 18, para que esta solução milagrosa, prometida pelo ministério em julho, fosse reduzida agora para os escalões A e B, porque afinal é onerosa e pouco amiga do ambiente, uma vez que os recipientes para embalar a refeição, um para a sopa e outro para o prato, ficavam quase ao preço das matérias primas para confecionar a alimentação, com a contradição de se estar a usar o plástico em eco-escolas e por isso não ser ambientalmente justificável. Solução: reduz-se ao mínimo o «take away» que antes era a panaceia para o funcionamento das cantinas em pandemia.

Tudo isto prova que a educação não tem verbas para gastar, pelo que esta é a verdadeira explicação para quase tudo continuar na mesma na educação e só haver adaptações às necessidades de lidar com a pandemia, se for possível, dentro de um orçamento curto para as necessidades.

Rui Ferreira

2 COMMENTS

  1. Pois isso sabemos nós. Não há €€€€€ pq não foi orçamentado para a Educação, teve outros destinos.

    Mas assumam. Digam abertamente, asssim o povo analisará e dará as consequências devidas nas eleições.

    A encenação que atualmente há nas escolas é que é decadente e mentirosa.

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