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O primeiro dia de muitos

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Oficialmente o ano letivo começou na semana passada, quarta feira, dia 16. Em termos funcionais começou dia 18 em muitas escolas da zona onde vivo e trabalho, mediante a receção a alunos e encarregados de educação.

Volta às aulasMas hoje, dia 21, é que efetivamente começam as aulas, se dá início prático ao ano letivo, se começam a contar os dias.

Para muitos, rotina habitual que se repete por mais um ano. Neste conjunto, para uns quantos, a “chatice”de regressar à seca das aulas mas, em contrapartida, o prazer de voltar a (re)ver amigos e conhecidos, a regressar a um espaço de convívio e descoberta. Para outros, contudo, e respetivas famílias, é o primeiro dia do resto da vida. O primeiro dia de aulas.

Quem não se lembra do seu primeiro dia de escola?

Lembro-me como se tivesse sido há pouco tempo.

Naquele tempo a escola começava em outubro, as férias eram mesmo grandes. De acordo com o que me dizem e com pesquisas feitas por mim, o meu primeiro dia de escola foi a 7 de outubro. Era uma segunda feira a dar entrada no outono, manhã de nuvens, cinzenta, marcada por um vento fresco que anunciava a nova estação.

Há já algum tempo que tinha o material necessário, uma mala toda pimpolha que podia colocar às costas (direi que uma modernice ao tempo), os cadernos, os lápis, as canetas, borrachas, enfim, toda a parafernália necessária para uma labuta diferente e que, naquele dia, começava. E que eu, como quase todos certamente nessa mesma situação, anseava.

Desse tempo recordo a curiosidade que sentia sobre o que ia aprender, o espanto de como ia eu aprender a ler, a escrever, a conhecer outras coisas.

Recordo que muito antes dos meus pais estava eu pronto, mala pronta, bibe vestido, qual bata branca de um conhecimento quer se dissecava em sala de aula. Ansioso e expetante esperava sentado na bordadura do jardim que estava de fronte da minha casa. Ali, lembro-me de, enquanto esperava e para apressar o tempo, tirar um caderno por estrear e ensaiei o princípio do que seria o primeiro dia.

Passados anos experimentei, com os meus filhos, estas mesma sensações, agora assumidamente mais racionalizada, mais pensada. Mas não deixei de sentir a expetativa do primeiro dia, a curiosidade do futuro e do conhecimento, de pensar sobre o papel do professor e do aluno, as novas e diferentes funções da escola comparativamente aquelas em que, ao tempo, se esperava de uns e de outros.

Não falharei muito se pensar que por estes primeiros dias de aulas muitas famílias passam pelas mesmas expetativas, ansiedades, curiosidades, gostos e desafios. Não estarei muito errado por pensar que muitos recordam com os seus aqueles que foram os seus primeiros dias de aula. Não estarei muito longe das ideias que se tinham e que agora se têm. Do que se sentiu em tempos e do que se sente. Das expetativas goradas e agora recriadas.

A escola é isto mesmo, um eterno recomeço que nos atira sempre para o futuro em função do que nós fomos e somos.

Para todos, votos de um ano letivo.

manuel dinis p. cabeça, setembro, 2015

Imagem retirada daqui.

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