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O pai da minha filha em vez do meu Ex.

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divórcio

Uma expressão por demasiado ouvida é “o pai da minha filha”, ou “ a mãe do meu filho”, em vez de o “meu ex-marido” ou, a “minha ex-mulher. Parece haver um certo pudor em dizer publicamente, que para terem feito “aquela criança”, tiveram uma “relação” , que até pode não tersido sexual – proveta? – , até nem de amor, mas, da qual resultou um filho, uma filha. Mesmo que tenha acabado, hoje, tão fácil, hoje tão usual, não se imagina que foi tudo feito por inseminação artificial, entre desconhecidos.

Mais são as mulheres insistem em não dizer “Ex”! Até por na práctica e na teoria, serem quem continua privilegiadamente a ficar com a guarda das crianças num divórcio, numa separação. Está provado! Há de facto uma necessidade de afirmar que o filho, a filha são “seus” mas que a mãe ou o pai, nada tendo – hoje – a ver consigo, parece nunca terem tido – antes, tudo se apaga, todo se esquece, tudo se desmemoriza!

Talvez o relacionamento via filhos, debaixo para cima, seja o único que “hoje existe”, sendo que, presume-se que esse relacionamento possa, até hoje, ser mais facilitado com o assumir que a relação – antes – existiu e acabou. Mas houve.  E houveram “ex´s”. E tanto existiu que está ali, aqui, a filha, o filho dessa relação e foi feito/concebido supostamente dentro da relação. E, não fora. Parece haver uma imperiosa necessidade, em demasiadas situações de “filtrar”, de apagar pedaços da vida, da memória, não os assumindo abertamente como tendo existido. Tendo acabado, parece que só conta o “resultado”, que foi a criança.

Talvez seja conveniente as pessoas que tiveram um relacionamentos, não se odiaram tanto, mas tanto, mas tanto, que esquecem intencionalmente o que houve, e ficam pelo que ficou, como se nada tivesse havido.

Houve, acabou, pode haver – agora – outro. Mas num tempo houve aquele e ficou aquela criança. E esta criança é resultado de dois “ex-s” que hoje já não existe, por antes terem sido! Estes conceitos – preconceitos? – estão tão instalados e tão verbalizados, que também ajudam e de que maneira,  as crianças a serem  joguetes entre ambos os progenitores, quando o não deviam ser e talvez assumindo o passado com “ex´s “, ajude a não fazer o que de errado tantas vezes é feito, por vingança, por ódio, por amor mal-acabado e as crianças é que sofrem….logo: o pai da minha filha”, ou “ a mãe do meu filho”, em vez de o “meu ex-marido” ou, a “minha ex-mulher.

Augusto Küttner de Magalhães

Imagem de: http://bloguedoscafes.blogs.sapo.pt/24591.html

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