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O Ministério Da Educação E As Suas (Des)Orientações

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Recordo que o governo decidiu suspender as aulas presencias numa quinta-feira, dia 12 de Março com efeitos a partir da segunda-feira seguinte.

Durante sábado e domingo o trabalho foi intenso, verifiquei que todos os professores se preocuparam em preparar o ensino remoto de emergência. Em dois dias, dependendo das plataformas já utilizadas pelas escolas em emails institucionais, da Microsoft ou da Google, os professores estudaram as potencialidades do Teems, do Classroom ou de outras aplicações como o Zoom.

Na segunda-feira estavam já a trabalhar com os seus alunos.

O ministério nesses dois dias disse nada! Foi inexistente.

Depois apareceram as já habituais ações de propaganda como “estamos on”, ”brigada de apoio às escolas” e as múltiplas orientações elaboradas por quem desconhece em absoluto o funcionamento das escolas e a realidade escolar.

Nunca fui contactado neste âmbito para qualquer tipo de apoio aos meus alunos.

Também não vou comentar as orientações ministeriais, pois no passado já li muitas e sei que são autênticos tratados de incompetência. Desta vez fiz uma experiência, não li nenhuma, absolutamente nada!

Considero que não fizeram falta. O seu efeito é portanto nulo!

Preferi a formação de forma autodidata.

Estando eu já a trabalhar com os meus alunos por videoconferência, considero que as orientações do ministério não iriam fazer qualquer diferença na realização do meu trabalho. Estou demasiado habituado a leis, decretos, portarias, despachos que depois requerem um número verdadeiramente excessivo de circulares, esclarecimentos e notas, porque os primeiros são de qualidade miserável e os segundos não são melhores.

Não li nem vou ler nada!

Para além das datas de início e final de ano letivo ou ainda as datas de exames, nada mais me interessa ler do ministério da educação, tenho sobretudo aversão às fábulas da flexilhaçada e da inc-ilusão.

Verifico no entanto que a dívida do estado aos professores aumentou significativamente. Os professores estão a trabalhar com equipamentos informáticos, software e mensalidades de acesso à internet pagos pelo orçamento familiar. De acordo com o artigo 168º do Código do Trabalho “presume-se que os instrumentos de trabalho respeitantes a tecnologias de informação e de comunicação utilizados pelo trabalhador pertencem ao empregador, que deve assegurar as respectivas instalação e manutenção e o pagamento das inerentes despesas”.

Deve ser exigida a compensação devida. Nada ainda foi dito sobre este assunto pelos responsáveis ministeriais. Mais uma vez o ministério é inexistente e nulo.

Não é por estarmos a sofrer uma pandemia que nos devemos alhear de exigir, de forma permanente, melhores condições de trabalho, para todos, num mundo cada vez mais desigual na distribuição da riqueza. A liberdade e as condições de vida que hoje ainda vamos tendo foram conquistadas num passado recente por trabalhores(as), que levaram porrada, foram torturados, condenados ao desterro e à prisão e outros foram abatidos sem apelo nem agravo. A sua memória deve estar presente.

Porque os especuladores, os exploradores e os políticos não dormem em tempo de pandemia, tudo farão para depreciar o valor do Trabalho para o transferir para pagar as suas mordomias e os buracos na banca que eles próprios criaram. (Na semana passada deitaram mais 850.000.000€ para o buraco do novo banco).

Ainda uma palavra aos enfermeiros que ainda há poucos meses exigiam melhores condições de trabalho e foram apelidados de criminosos e de selvagens.

Na altura tiveram toda a minha compreensão. Hoje não lhes bato palmas porque as palmas não pagam contas. Mas se após a pandemia a Senhora Bastonária empreender nova greve financiada por crowdfunding estou disposto a fazer uma transferência no valor do meu vencimento de férias. Esta será uma das formas de expressar o meu agradecimento.

Relativamente ao processo de desconfinamento e parafraseando os finais de briefing da antiga série Hill Street Blues “muito cuidado quando estivermos fora de casa”.

Sr. Professor Zé

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