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O meu filho é um exemplo!

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O-Amor-e-cego-e-a-Loucura-acompanha-o-sempreUma das dificuldades que muitos pais demonstram, é conseguir separar o desejo da realidade. O desejo de ter um filho exemplar, que se destaque dos outros, pode muitas vezes levar à cegueira, chegando mesmo ao ponto de convencer a criança de algo que não é.

O artigo que se segue, do site Observador, aborda a sobrevalorização da criança e as suas consequências.

É melhor não dizer ao seu filho que ele é especial

Não é que o seu filho tenha de deixar de ser único para si, mas dizer repetidamente à criança que é especial pode contribuir para uma personalidade narcisista e egocêntrica. A conclusão é de um estudo e foi adiantada pelo The Guardian.

O estudo em causa foi efetuado junto a 565 crianças e suas famílias, na Holanda, durante um ano e meio. O objetivo da pesquisa era perceber a origem do egoísmo. Os resultados foram publicados inicialmente no jornal americano Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os investigadores descobriram que os pais sobrevalorizam os seus filhos de tal modo que a maioria deles concordava com a premissa: “O meu filho é um grande exemplo a seguir pelas outras crianças”. Segundo o co-autor do estudo, Brad Bushman, os miúdos tendem a acreditar nos pais o que “pode não ser bom para eles, nem para a sociedade”.

Há formas de contornar esta questão: é mais saudável que os pais se dediquem à proteção e ao estímulo do que a dilatar o ego dos seus filhos. O resultado são crianças que se sentem mais amadas e cujos comportamentos são mesmo narcisistas.

Outra conclusão do estudo é a de que as crianças com autoestima elevada não se sentem mais especiais que os seus semelhantes, como os pais crêem. Mas demonstram serem menos felizes.

É aqui que reside a diferença entre os dois estados comportamentos: “Pessoas com autoestima elevada acreditam ser tão boas como as outras, enquanto os narcisistas julgam-se superiores aos outros”, conforme explica Bushman.

Eddie Brummelman, o autor do estudo e investigador pós-doutorado na Universidade de Amesterdão, explicita que os pais não agem propositadamente quando dizem aos filhos que eles são especiais, mas a consequência pode ser que estejam a educar crianças narcisistas, não confiantes.

A culpa não está exclusivamente na educação que os pais escolhem. Conforme Brummelman explica, “o narcisismo é parcialmente genético e pode advir dos traços temperamentais da própria criança”.

O estudo, que começou na década de ’90, deixa claro que “é necessário encorajar os filhos, mas sobrevalorizá-los promove atitudes narcisistas”.

 

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