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O método da professora era “Calem-se, senão mato-vos!”.E qual foi o método da escola?

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shhhO caso da professora que foi condenada com 6 anos de prisão efetiva está a dar que falar. Alguns colegas, num momento que eu só posso encarar como de “clubite” aguda, vieram logo tentar arranjar explicações para o que aconteceu, como se fosse justificável que um adulto, ainda por cima professor, possa ter desculpa para a violência exercida.

Mas o que para mim é mais grave, é o facto de esta situação ter ocorrido durante tanto tempo sem que a docente tenha sido suspensa preventivamente. Não julguemos que este é um caso virgem, infelizmente a cultura da bofetada ainda persiste em meio escolar, principalmente no 1.º ciclo.

Uma breve nota: não pensem que sou puritano e que nunca dei um “empurrão” à fralda da minha filha, ou que nunca tenha feito uma “meiguice” a um aluno meu (com o qual tenho confiança suficiente para que encare o gesto como um “incentivo” e não como uma agressão). Este tipo de gestos são socialmente aceitáveis, direi até saudáveis, mas utilizar a violência, a injúria e a humilhação como estratégia de ensino, é simplesmente criminoso.

Retomando.

Os outros colegas não ouviram o que se passava naquela sala? Os assistentes operacionais não sabiam o que se estava a passar? Os encarregados de educação não ouviam as queixas dos seus educandos? A direção como que por magia, escapou sempre ao “sururu” que este tipo de situação causa sempre? Porque razão é que foi só a professora condenada? Tão grave é quem comete como quem omite e pactua com o seu silêncio…

Quando estamos muito tempo no mesmo sítio, quando a anormalidade passa a normalidade, quando o “Meu Deus, como é possível?”, passa a “lá está ela outra vez”… É sinal que apaziguámos a nossa indignação, ficando até confortáveis com a situação. Porquê? Porque nada acontece, o amanhã está sempre presente e à noite deitamo-nos na nossa caminha fofinha, esquecendo as atrocidades que vimos no dia-a-dia. Como um vírus, a violência vive connosco, caminha ao nosso lado como se nada fosse, e só quando vemos algumas situações esparramadas nas capas dos jornais, é que ficamos chocados e indignados. É pena que esta indignação não surja para os crimes, sim crimes, que vão acontecendo na nossa cidade, na nossa vila, na nossa escola... Ou acham que é só aos outros que isto acontece?

Fica um excerto do que se passou:

Os meninos, na sua maioria com seis anos, alguns com necessidades educativas especiais, relataram bofetadas, ameaças, pancadas, “insólitas situações de cadeiras e livros de ponto a voar”. Uma mãe contou aos juízes que viu a professora dirigir-se às crianças nos seguintes termos: “Calem-se, senão mato-vos!”

Um dos menores, a quem a docente chamava “almôndega”, relatou como, num certo dia, “por não saber resolver as contas”, ela lhe “empurrou a cabeça contra o quadro”. O mesmo rapaz terá sido vítima noutras ocasiões: uma vez, “uma pancada com um pau de vassoura”; “uma chapada na face”, noutra ocasião; “uma pancada com um livro de História”, noutra ainda. A outro aluno a docente disse que lhe furava os olhos se contasse algo sobre o que se passava naquela sala de aula.

…métodos desta professora que comia cereais com leite enquanto dava aulas.

um aluno disse que levava “carolos” quando não conseguia ler os textos; outro ficou com uma marca tal na mão, depois de uma pancada, que a docente usou “pomada na região atingida para tentar disfarçar”; outro foi atingido por uma cadeira que ela atirou “para o ar para amedrontar”.

Andreia Sanches (2015). “O método da professora condenada: “Calem-se, senão mato-vos!”. www.publico.pt/, 16 de junho

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