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O futuro, ainda não é hoje!

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capa-Reprodução3Numa altura em que muitos portugueses se encontram de férias e nós, professores, vamos fazendo o aquecimento para as merecidas, nalguns casos muito bem merecidas tardes de ver o pôr do sol, este artigo cai que nem uma luva em cima de todos os bares, esplanadas, restaurantes e seus derivados, espalhados por este nosso país.É óbvio que tudo isto se encaixa perfeitamente em todo e qualquer lugar por todo o mundo. Vivemos tempos de mudança em todas as áreas e como sabemos mudança implica “morte e nascimento” ou se preferirem “nascimento e morte”. Haverá sempre quem represente o fóssil institucionalizado, o que por cá temos em abundância, e quem represente o futuro, o conhecimento, a inovação, a evolução. A história bem que nos aconselha a ver os sinais que a humanidade tem deixado ao longo dos tempos, mas o ser humano tem uma predileção especial para se agarrar ao que conhece e rejeitar tudo o que é novo e então, se ocuparem cargos representativos do poder é vê-los a pregar aos ignorantes a estupidez em forma de futuro e qualidade de vida. Teremos nós todos, os que conseguem pensar com a sua própria cabeça, noção do que estamos a criar ou deixar criar? Não é por ter levado umas boas palmadas na altura certa que deixei de amar os meus pais. Teremos nós consciência das regras que estamos a incutir? A palavra NÃO é importantíssima na educação de qualquer ser humano, até os animais o “dizem” quando criam os seus filhotes. A estupidez tem um preço demasiado pesado, será que o queremos suportar? Convém não esquecer que os filhos de hoje serão os mesmos que irão cuidar de nós quando chegar a nossa hora. Ao que vamos assistindo, creio ser, no mínimo, preocupante.

O uso e abuso dos Currículos Específicos Individuais – CEI – não é de agora, embora tivessem outra designação. Se recuarmos uns anos e atentarmos ao falecido Decreto-Lei N.º 319/91 o problema era exatamente o mesmo. Chegou a um ponto tal, que em reuniões de conselho de turma e mesmo departamento se colocava, antes de outra qualquer hipótese, a integração  do aluno no 319.  Porquê? Fácil. O aluno dava chatices ao professor A, B ou C e como esses mesmos professores tinham mais poder, quer por antiguidade quer por compadrio, a decisão era logo tomada. 319 com ele, saía da sala de aula e todos ficavam contentes. Os professores das áreas artísticas e Ed Física, não eram tidos nem achados, dado que essas disciplinas, normalmente, estavam arredadas desse conluio. É lógico que para esses colegas, e o mesmo ocorre atualmente, nessas disciplinas consideradas “menores” basta saltar à corda, bater umas palminhas ou fazer uns rabiscos. Nos dias que correm o menosprezo pela componente artística continua, salvo em algumas escolas em que a direção mostra sensibilidade e valoriza culturalmente a educação dos alunos, mas isto será matéria para outra reflexão. Com a introdução de Decreto-lei n.º 3/08 e apesar de toda a celeuma (lembram-se dos fósseis?) ocorrida aquando da sua implementação, houve alguma honestidade quanto à integração dos alunos com NEE em CEI, mas depressa tomou as proporções que atualmente conhecemos. Sempre que surge uma reunião de conselho de turma lá vem a frase – este miúdo tem que ter um CEI, já ninguém o aguenta! Somos peritos em transformar desgraça em calamidade. Reduzir à insignificância miúdos que nunca conheceram o sinónimo da palavra estruturado, condicionar o seu futuro somente para termos salas de aula “limpas” de ruído e má educação e ficar com a consciência tranquila com este tipo de ações. Nós, professores, somos mesmo bons não somos?

Por último dou relevância a este artigo, que me divertiu – a leitura é e devia ser assim, sempre, divertida! O ME traz-me à memória a mitologia grega e associo-o ao monstro Hidra e o autor deste artigo dá-nos a conhecer uma das cabeças desse mesmo monstro, embora discorde das duas legislaturas sem alterações para que qualquer política educativa dê frutos. Variadíssimos estudos apontam em torno dos dez – doze anos para esse fim, mas já me daria por contente, embora discordando, se realmente conseguíssemos os oito. A política educativa no nosso país é efémera. Os nossos políticos estão muito mais preocupados em alicerçar poderes conquistados através da venda de profetas e panfletos defendendo tudo e mais alguma coisa em detrimento do que realmente importa para a educação e credibilização de uma consciência coletiva culta e digna. A degradação verbal, social e cultural a que chegámos é fruto das nossas elites amorfas, anafadas, atadas a ideologias bacocas ou pseudo-ideologias, as quais não têm escrúpulos em criar problemas a todos nós para continuarem a deter o Poder. Pesa-me esta nossa ignorância. Todos nós temos um Hércules, se os juntarmos Hidra padece e o mofo também.

A forma como trata um empregado de mesa revela a sua personalidade

(Lifehack)

Currículo específico só para alunos com deficiência profunda

(Público)

M(in)istério da Educação

(Filinto Lima)

2 COMMENTS

  1. Não sei por quais escolas tem andado o autor do post, mas eu, que já ando nisto há uns bons anitos, nunca vi aplicar um CEI a um aluno que não tivesse passado primeiro por adaptações curriculares ou na avaliação.

    Também não me parece que a medida seja solução genérica para problemas de comportamento: o aluno tem de estar referenciado como tendo NEE para poder ter CEI.

    E finalmente, um aluno com CEI pode e deve frequentar outras disciplinas que não apenas as “expressões”: é uma avaliação que deve ser feita caso a caso, disciplina a disciplina, sempre na perspectiva do superior interesse do aluno.

    Não me parece correcto que num blogue de professores se amplifique, sem as analisar criticamente, as acusações generalistas e demagógicas de uma secretária de estado que nem sequer tutela o sector.

    E acho que andaríamos melhor se nos empenhássemos mais em corrigir as más práticas com que nos deparamos profissionalmente do que em presumir que todos os outros cometem os mesmos erros.

    • Caro António, é exatamente com o seu último parágrafo que reitero tudo o que escrevi. Ah! Também por cá ando há um bom par de anos.

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