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Ó Faz Favor! É Uma Dose De Critérios E Descritores Para A Flexibilidade Curricular!

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Após o primeiro embate da Flexibilidade Curricular, começaram a surgir naturais divergências e problemas internos nas escolas pois a teoria diz algo e a prática nem sempre sustenta essa mesma teoria. Falo da organização das salas, da incongruência entre o Ensino Básico e Secundário, da falta de condições materiais, dimensão das turmas, dos exames e não menos importante, dos critérios de avaliação e seus descritores.

Pois bem, quem está a passar pela vaga de formações de Flexibilidade Curricular já se deve ter apercebido que a teoria é transmitida como verdade absoluta, onde os formadores acreditam realmente no que estão a dizer (e ainda bem), mas quando chegamos à parte prática, a “bola” é sempre atirada para o lado dos professores, ficando aquela sensação que falta aqui qualquer coisa…

Quando questionamos por exemplos práticos, a conversa começa logo a derrapar e aquilo que é transmitido é que há escolas que já os têm. Mas quais escolas? Onde estão essas escolas? Onde estão esses critérios?

No ComRegras publiquei dois artigos sobre a Escola de Abrantes que já possui critérios “flexíveis”, mas mesmo a Escola de Abrantes ainda tem muita pedra para partir.

Exemplos De Critérios De Avaliação Que “Abraçam” A Flexibilidade Curricular

“A escola do conhecimento apela à criatividade dos seus agentes educativos e dos seus alunos” – Entrevista com o diretor da Escola de Abrantes

É verdade que os professores são peritos em criar documentos, muitas vezes até em complicar documentos, mas não seria muito mais fácil e rápido, se quem ensina mostrasse exemplos práticos do que se pretende? É que a apresentação prática de algo que apoia a teoria é essencial para dar uma certa credibilidade às ideias que se querem implementar. Ficar apenas na teoria e não mostrar as cartas todas, cria uma certa desconfiança no ar e leva-nos a questionar que se calhar, os cérebros desta ideologia não passam de teóricos que afinal sabem menos do que os professores do terreno, pois é a eles que lhes está a ser pedido para servirem de cobaias e testarem as suas… teorias.

Cai muito mal saber que experiências estão a ser feitas em crianças e jovens que estão a leste do paraíso e seus pais não fazem a menor ideia que os teóricos estão um pouco aos papéis, pedindo a determinados professores para fazerem experiências e recolherem informação para depois ser analisada. E se isto correr mal? Os pedagogos vão dar a cara aos papás e alunos, ou vai ser o professor que vai ter de (novamente) aguentar o barco de mais uma reforma educativa?

Já sei que me vão dizer que o Ministério da Educação quer fomentar a autonomia escolar e dar liberdade às escolas e essas coisas todas bonitas, mas de autonomia e liberdades o que as escolas realmente precisam é da dotação de professores necessários para os seus projetos, a gestão orçamental, um novo modelo de eleição do diretor, autorização para contratar funcionários, etc.

E não deixa de ser preocupante que ao fim de 3-4 anos de Flexibilidade Curricular, só agora as escolas, e não são todas, estejam a trabalhar em algo que devia vir de raiz, critérios de avaliação, ponderações e seus descritores.

Ó Alexandre, mas tu falas muito mas também não dás exemplos práticos?

Calma… uma coisa de cada vez, darei sim, apesar de não ter obrigação nenhuma para o fazer pois não fui eu que implementei a Flexibilidade Curricular. Mas quem me conhece sabe que não gosto de falar sem apresentar propostas, ajustadas naturalmente à minha conceção de escola e aquilo que considero ser adequado à sua realidade e necessidades dos professores do terreno.

Até lá, fica o pedido aos 40 mil seguidores do ComRegras, para partilharem a sua dose de critérios de avaliação e seus descritores.

Obrigado!

Alexandre Henriques

[email protected]

3 COMMENTS

  1. Texto pejado de condicionalismos funcionais. Afinal andamos aqui à quarenta anos e ouvimos sempre este lamechismo das condições objectivas, como se as expectativas de mudança fossem iguais para todos e ao mesmo ritmo. Nunca foi assim! … não existe uma escola em portugal, nem professores iguais. Felizmente os professores têm as suas próprias idiossincrasias e com elas constroem as suas realidades, (umas melhores outras piores, mas sempre foi assim e ninguém foi condenado por isso!).
    E ainda há gente quem pretenda falar pelos professores!

  2. A idiossincrasia na flexibilidade é esta: um fracasso pregado por académicos da treta! No final a catástrofe! Parabéns… ”Amande-lhe” ou não os critérios a coisa vai dar ao mesmo…

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