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O Estranho Funcionamento Das Atividades Náuticas Nas Aulas De Educação Física

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Os programas de Educação Física permitem a abordagem de modalidades náuticas, enquadradas na área da Exploração da Natureza.

O Desporto Escolar conta, atualmente, com 67 Centros de Formação Desportiva, dos quais 52 destinados a atividades náuticas.

O funcionamento dos CFD Náuticos é muitas vezes assegurado por professores de Educação Física com formação específica e/ou experiência consistente nas respectivas modalidades náuticas (TPTD-Título Profissional de Treinador de Desporto, atletas/ex atletas federados, Carta de Marinheiro/Patrão de Vela e Motor, etc.).

Lê-se, no regulamento de candidatura à constituição dos CFD, o seguinte:

«Os Clubes do Desporto Escolar através dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas podem constituir polos de desenvolvimento desportivo, dinamizados, em parceria com federações, municípios e parceiros locais, que visam a melhoria do desempenho desportivo através da concentração de recursos humanos e materiais em locais para onde possam convergir alunos de vários agrupamentos, quer nos períodos letivos, quer em estágios de formação desportiva especializada nas interrupções letivas.»

Neste sentido, quando ocorre a parceria em período letivo (leia-se: durante as horas de aula da disciplina de Educação Física) – e especialmente nessa situação – a lecionação destas modalidades deveria enquadrar-se sempre neste envolvimento, permitindo que o professor de Educação Física titular de cada turma trabalhasse em coadjuvação com os professores do Centro de Formação Desportiva.

Assim, além dos recursos físicos (centros de prática), materiais (equipamentos, embarcações) e organizacionais (transportes e logística) assegurados pelas Câmaras Municipais e Clubes Desportivos, deveriam estar, de igual forma, assegurados os recursos humanos adequados.

A realidade, contudo, é diferente e as coisas acontecem frequentemente de outra forma:

– As atividades náuticas nas aulas de Educação Física ocorrem em muitas Escolas, fora do contexto dos CFD.

– Verifica-se que, num grande número de situações, são clubes desportivos e os seus técnicos quem desenvolve as atividades com os alunos, ficando o professor titular das turmas envolvidas como mero observador. Ou, por vezes, tendo ao seu cuidado apenas os alunos que não participam nas actividades.

– Há casos de escolas onde, na falta do docente, um funcionário acompanha os alunos durante a “aula”.

– Os programas previstos para as respetivas modalidades acabam, frequentemente, por ser mais “flexibilizados” do que as pernas do Jean Claude Van Damme.

– Os pré requisitos para a prática de atividades náuticas não são observados, nomeadamente o domínio da natação.

– Os meios de salvamento – nomeadamente em meio aquático – raramente estão contemplados na sua totalidade, verificando-se situações em que há falhas graves na área da segurança.

* Artigo recebido com pedido de anonimato.

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