Início Rubricas O estranho caso do ex-diretor da escola do Curral das Freiras: um...

O estranho caso do ex-diretor da escola do Curral das Freiras: um exemplo contra a autonomia das escolas.

1458
0

Um docente construiu uma imagem pública como diretor da escola do Curral das Freiras, umas das zonas mais isoladas da Madeira. Em 2015, surpreendeu o país ao colocar a escola entre as melhores nos rankings, sendo apontada como exemplo de inclusão e aprendizagem. Será que este docente foi louvado ou condecorado?

Não, foi alvo de um processo disciplinar de que resultou uma pena de seis meses de suspensão. Em primeiro lugar foi afastado da direção da escola – antes do início deste ano letivo já tinha sido afastado da direção da “escola-modelo”. Depois da Secretaria Regional da Educação ter decido avançar com a fusão daquele estabelecimento do concelho de Câmara de Lobos com a EB 2,3 de Santo António, no Funchal, foi considerado culpado de 11 das 12 infrações que constavam do processo disciplinar.

Em primeiro lugar temos aqui uma fusão de escolas em dois concelhos o que é de facto um atentado à gestão autónoma das escolas e até contra a lógica da municipalização em implementação. Portanto, nem autonomia pedagógica, nem autonomia administrativa e financeira ao nível municipal. Este despudor anti autonómico promovido por um governo regional com autonomia terá sido para facilitar a nomeação de instrutor do processo que garantisse uma condenação?

Em causa, no processo disciplinar, estão questões burocráticas relacionadas com o funcionamento da escola, como o controlo da assiduidade de professores (foram substituídas horas extraordinárias por descanso, que garantiam a existência de apoios pedagógicos), a abertura de uma sala de pré-escolar ou a promoção do abandono escolar (aceitou a anulação da matrícula de um aluno de 17 anos que se transferiu para um curso profissional antes de chegar o comprovativo).

Este processo disciplinar visava garantir a prevalência dos normativos sobre iniciativas criativas que asseguraram um maior sucesso escolar. Ou seja, garantir que o sistema de educação continua a ser centralizado e de acordo com os normativos. Quem tem de pensar a educação é o senhor secretário regional e não o senhor diretor (ou os professores nos seus órgãos próprios), mesmo que os resultados provem o acerto das decisões tomadas.

Concluindo, para quem se deixa iludir, o sistema de ensino em Portugal é fortemente centralizado (regionalmente ou no ME) e sem autonomia. Penso que este governos das esquerdas falhou na alteração deste estado de coisas, a pretensa autonomia municipalizada é antes de tudo uma desresponsabilização financeira do Estado central. Falhou também na alteração da gestão das escolas, também ela centralizada no diretor, criando-se órgãos coletivos de gestão e maior autonomia pedagógica (que este diretor tentou concretizar) colegial.

Rui Ferreira

Fonte: https://www.publico.pt/2019/03/26/sociedade/noticia/director-escola-modelo-suspenso-durante-seis-meses-salario-1866782

COMPARTILHE

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here