Home Sociedade O Eduquês e a plebe

O Eduquês e a plebe

90
2

ArroganteNão sou um especialista da língua materna, longe disso, tenho perfeita consciência que de vez em quando lá dou o meu pontapé na gramática. A minha formação na língua materna, como a de milhões de portugueses restringiu-se ao ensino não superior sem qualquer tipo de especialização. Outros porém são verdadeiros especialistas, que até tiveram a sorte de enquanto crianças serem orientados e “financiados” para aquisição de literatura.

As dificuldades na oralidade e na escrita é sobejamente (re)conhecida em Portugal. Temos um longo caminho a percorrer nesta área e cada um de nós deve fazer um esforço, nem que seja enquanto adultos, para nos expressarmos de forma correta e que terceiros o consigam entender.

Mas esta dificuldade não é exclusiva de quem pouco sabe, como eu apelidei carinhosamente no título deste artigo de “plebe”. Existe muito especialista da nossa língua, que apresenta índices de cultura ao nível da estratosfera e que do alto da sua sabedoria, levanta a caneta da altivez e arrogância, malhando graciosamente ao constatar o erro alheio. Este ser que faz questão em proferir palavras que quem o ouve fica sempre na dúvida se está a ouvir outro dialeto, revela uma inteligência ligeiramente inferior a uma criança de 4,5 anos, pois esta, ao contrário do especialista,  consegue fazer algo tão simples como… comunicar!

E exemplos não faltam por aí…

Este programa deverá assentar numa maior integração das respostas na perspectiva de quem se dirige ao sistema, tornando, na óptica do formando, coerente e unificada a rede e o portefólio dos percursos formativos, que no percurso individual devem ser passíveis de combinação personalizada.

*Retirado do programa de educação para adultos.

 

2 COMMENTS

  1. Meu caro Alexandre Henriques, repare… esse mau uso da língua materna a que alude, inicia-se logo no exemplo de quem dirige os destinos deste país, de quem legisla e faz aprovar legislação, de quem acha que os outros devem justificar tudo, mas a eles basta-lhes “darem a sua palavra”, de quem tem a “verve” de justificar o injustificável… Eu, apesar dos meus “índices de cultura ao nível da estratosfera”, do alto da minha sabedoria, só posso referir-lhe que, no início do segundo parágrafo, a frase apresenta um erro morfossintático. Passo a explicar:”As dificuldades na oralidade e na escrita é sobejamente (re)conhecida em Portugal” se são as dificuldades na oralidade + as dificuldades na escrita logo são dois tipos de dificuldades, plural… o verbo empregue deveria ser então “são” e não a forma singular que usou. Há muito tempo atrás, qualquer jornal tinha um profissional dedicado a ler os artigos e a assegurar que o uso da língua fosse correto, chamava-se “revisor”…Recolho agora a minha “caneta da altivez e da arrogãncia” e desejo-lhe… um bom dia!

    • Adorei o tom do raspanete Sofia. Eu bem disse que não era perfeito e até calhou bem. Mas cara Sofia, devo desde já dizer-lhe que a nossa língua é muito complexa, picuinhas até e agora que estou a acompanhar novamente o 1º ciclo através da minha filha, deparo-me com perguntas tão simples como “Pai, se se diz “i” porque é que tenho de escrever com “e””. Sou uma pessoa muito prática e por vezes assisto a colegas a fazerem grandes cavalos de batalha por futilidades.
      Acima de tudo bom senso… E a perfeição é dificil de atingir…
      Não sei o que será pior, dar um erro morfonãoseidasquantas ou não conseguir calcular uma média, criar uma tabela em excel, ou simplesmente falar de forma fluída inglês. Um erro é um erro mas pelos vistos há erros que são permitidos e outros não.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here