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O Drama Do Fim Do 1º Período

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«O primeiro período está a chegar ao fim e com ele o drama das notas que não foram alcançadas. Vivemos numa cultura educacional obcecada pelas notas quantitativas. Às vezes, nem interessa bem que estratégias se usa, o que interessa é o resultado, sendo que há resultados que só são isso mesmo, resultados, sem grande aprendizagem nem crescimento.

Valorizamos quadros de mérito e amostras de desempenho como se fossem currículos de futuro de sucesso, que na realidade não sei bem se o traduzem, e qual a intenção real de quem os cria. Vivemos num ambiente escolar altamente competitivo, focado na comparação, onde os alunos que estão dentro de um padrão de desenvolvimento valorizado pela escola se destacam, e os outros nem por isso. Como se a inteligência e o sucesso fossem um resultado exclusivo de um quociente de inteligência demostrado por notas quantitativas, numa escala métrica. O mais engraçado é que quando vamos avaliar adultos de sucesso, o seu sucesso não é só o resultado da sua inteligência cognitiva, nem do seu percurso escolar, mas de uma séries de outras ferramentas que foram desenvolvendo dentro e fora da escola. Acredito que, mais do que nunca, é urgente repensar na escola, na forma como todos a vivemos e nas leituras que vamos fazendo dos resultados alcançados.

Acredito também que deve haver em cada educador a consciência das suas escolhas, dos seus comportamentos e das mensagens que passa ao seu educando. Mais do que uma nota quantitativa é preciso perceber qual a disponibilidade emocional para a criança crescer e aprender, como se sente com ela própria, como se sente vista pelos seu pais e professores, e o que está em causa e manifesta um resultado escolar. Seremos sempre muito mais do que notas…e enquanto adultos talvez ninguém queira a vir saber que notas se teve na escola, mas como se construíu a resiliência, o amor, a determinação, a disciplina, os hábitos de sucesso e como se soube lidar com as várias frustrações ao longo da vida.

Queremos mesmo ensinar o quê, com que intenção e com que objetivos? Os nossos filhos e alunos precisam de espaço para crescer, falhar, aprender e recriar. As notas sem si são um espelho…esperemos que um espelho de seres humanos em construção e não de pais e educadores obcecados por controlar e mostrar os resultados escolares.»

Texto de Diana Gaspar

2 COMENTÁRIOS

  1. Isto é uma Escola; tem um currículo; tem uma História, que remonta à Grécia antiga…
    ”’o seu sucesso não é só o resultado da sua inteligência cognitiva’ ”… claro que não… Para os empregos menos qualificados, e mais mal pagas, é preciso conhecer muito pouco…
    A ideia expressa nesta opinião faz parte de uma corrente nefasta chamada de Psicologia Positiva e que é um braço do neoliberalismo, camuflando-se de cara Humanista… Aconselho a leitura da ”Ditadura da Felicidade”: é preciso mais sociólogos na escola e menos pseudo-ciência…
    O mundo ocidental passa por uma crise de identidade, de rumo, sem limites… vai passar muito mal com a ascensão da China e da Índia! O conhecimento, a ciência, a tecnologia, é fundamental para formar cidadãos lúcidos e autónomos. Tal passa pelo domínio de conhecimentos na área curricular e nada disso se faz sem um duro esforço … Dizia um velho bardo que ”viver não era para cobardes, morrer menos” , alguns querem viver num mundo da carochinha e sacralizar a ignorância!

  2. Aconselho muito, aqueles que navegam por essa pós-modernice que é o coaching e o positivismo feliz, em geral, a lerem o livro : ” A ditadura da felicidade ”, onde se explica de modo brilhante como a economia da felicidade, entrou na vida pessoal de cada um, entrou nas empresas, e prepara-se, já lá está… , para invadir o mundo da educação… Baseada em teorias esotéricas esta área da pesudo-ciência centra as questões do sucesso nos indivíduos e numa espécie de auto-realização interior: ficaremos, pois contentinhos, para esquecer as grandes questões da Humanidade, como a profunda desigualdades de salários, de acesso a bens, da destruição da classe média no Ocidente… Da depressão que advém, precisamente, de um mercado desregulado e que não deve ser resolvido por umas tretas , para calar os oprimidos, mas com mais justiça social, mais conhecimento, maior acesso a cuidados de saúde, leis laborais que permitam aos pais estar com os filhos. E, não por último, uma Escola Pública de qualidade que ensine os grandes Clássicos , a Matemática, a História, as grandes correntes artísticas; a Filosofia; as Religiões … As grandes questões do nosso tempo são colectivas, são necessárias a toda a Humanidade, e não se resolvem num engano individualista que se tornou num grande negócio (o chamado negócio da felicidade ) para uma sociedade sem rumo…

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