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O dia do aceno (aos sindicatos)….

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A RTP anuncia, naquele estilo que a torna única e que dizem que é o serviço público, “Ministério acena com avanço importante”. (ver aqui )

A reunião para entreter que se fez hoje, segundo dizem os sindicatos, foi muito útil. Andar entretido é sempre bom.

Enquanto há professores que estão sob grave coação de inspetores e diretores, a lei da greve é triturada e feita em papa pela máquina do ministério e o sistema de avaliação de alunos, centenário, é destruído em 3 ou 4 dias, os sindicatos da plataforma deram em interpretar “acenos”.

No Brasil, há o Dia do Fico. Este será o Dia do aceno… E um aceno é nada….

A vaga visão das vagas

No comunicado sobre a reunião, os sindicatos falam do grave problema das vagas. Haver vagas em alguns escalões faz com que a recuperação de tempo que consigam seja completamente destruída por um ato simples do Governo (que determina as vagas do 5º e 7º escalões, sem qualquer limitação) e aplica dois filtros a meio do processo.

Quem vai subir ao 8º, 9º e 10º (que me quer parecer serão muitos dos negociadores) não tem esse problema, mas eu e milhares, do 2º e todos até ao 7º, sabem que os 9 anos podem ser erodidos dessa forma, que nem se vai dar por ela nas notícias.

A ILC, que foi feita por gente com a cabeça no lugar, prevê expressamente esse problema com que se acena agora, e com muitas dúvidas, no comunicado sindical.

O que dissemos no projeto de lei foi que a recuperação do tempo se faz toda de uma vez, em 2019, em janeiro. Já devia estar feita em 2018 e, por isso, sempre irá atrasada. Os senhores deputados nisto das vagas, pelo menos, deviam reparar…

Como o orçamento é de todos os portugueses, a educação é uma despesa geral da nação, os professores não são missionários e a despesa do seu salário justo tem de ser acomodada com outras no global do orçamento. “É preciso pagar aos professores, onde se corta?” Não faltarão sítios.

Devia ser esse o discurso de quem nos deve dinheiro e não quase dar a entender que nós é que estamos em dívida. E o discurso de quem negoceia por nós, em vez de vir de dizer que fasear é que é bom (em nome da “sustentabilidade”, que mais parece conversa de catequista tímida).

Anselmo (o santo) é que dizia que Deus existia porque, por termos essa ideia de perfeição na cabeça e sendo imperfeitos, ela só podia vir da perfeição de Deus. A sustentabilidade não passa a ser problema por causa de só surgir na cabeça dos políticos quando se lembram dos professores. 

E a sustentabilidade da vida das pessoas comuns que são professores?

A ILC inclui solução para a questão das vagas

Mas, mesmo quem acha o faseamento entusiasmante, se ler bem a ILC, vai-lhe descobrir uma virtude.

Lembramo-nos, logo no início, deste problema das vagas: e como não somos de negociatas, escrevemos a única solução justa. Na recuperação de tempo congelado, não há vagas a aplicar.

Que sentido faz, do ponto de vista da justiça, que se diga que se repõe tempo e, depois, fazer marcar passo? Quem explica, em 2019, a quem já devia estar, por exemplo, no 7º escalão, e está no 2º, que ao chegar ao 3º (5 ou 6 anos depois do previsto) vai marcar passo até que o Governo, que diz que repôs o tempo, determine as vagas para chegar ao 4º?

Confusos? Quando o problema vos bater à porta, como bate a alguns que agora estão a receber as avaliações deste ano, vão perceber do que falo e com rigor.

E depois agradeçam aos sindicatos. As pizzas já estão no forno.

Lá para setembro, os que estiveram quietinhos e ordeirinhos, quando os sindicatos da plataforma puxaram a trela, acenem ao dinheirinho…..

Quem tiver problemas com as vagas na recuperação de tempo de 5º e 7º escalão e perder aí 1 ano, em cada, à espera de vaga, só recupera o que já deveria ser seu em 2018, mesmo com os 9 anos, em 2025 (20 anos depois de os cortes começarem), e se recuperar….

Já sei que me vão dizer que o post é longo (podia explicar com mais dados, mas fiz questão de ficar pelas 750 palavras). O problema das senhoras e senhores professores, caros colegas, é que entregam os seus interesses a “representantes” de eficácia e legitimidade duvidosa e que prestam poucas contas (explico depois como provo isto) e depois não querem é que os chateiem com muitas explicações.

Quem deixa que outros decidam o seu caminho não se pode queixar da viagem.

5 COMENTÁRIOS

  1. Alvíssaras! Finalmente mais alguém que chama a atenção para a questão das vagas nos 4º e 6º escalões…! Mesmo que ocorra a recuperação milagrosa dos 942, seria diluída ou anulada por causa das vagas. Por isso, teria de existir recuperação com suspensão das vagas; aliás, a reivindicação também deveria passar pela eliminação das vagas, a verdadeira barreira na progressão.

  2. Nunca imaginei que no 10º aniversário da 1ª Grande Batalha Docente, surgisse a 2ª Grande Batalha Docente, ainda mais fratricida que a 1ª; eis uma temática a abordar pelos docentes de História, no âmbito desta nova flexibilidade curricular… 😉
    Ficará na história o ano 2018 da graça do Senhor, onde as convocatórias das reuniões chegaram à casa das dezenas (58 no caso concreto…) e em alguns casos, nas centenas. Mas também ficará na história, que os docentes ficaram no grupo dos vencidos…embora derrotados em pé…
    Os que não conseguiram ‘adesivar, ‘aliar ao sistema’, ‘compadriar’, vão ter uma penosa travessia profissional, qual deserto sem horizonte e onde só pontuam miragens de progressão profissional…

  3. Fiz greve, mas mais ninguém na minha escola, tanto quanto sei fez. Se a esses colegas tirassem 18 anos…, se calhar ainda batiam palmas. Não sei se na minha escola tenho colegas ou se tenho néscios. Mas são esses que passam todos ao alunos, se têm medo de alunos que fará da direção, do ministério…

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