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O Dia da Mulher

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Por acreditar que as mulheres merecem mais e também elas precisam de agir de forma diferente, republico um artigo da minha amiga Elisabete Fiel, no qual me identifico a 100%.

O Dia da Mulher

fotografiaA profissão de professora é muito comum no universo da educação. Ao entrar em qualquer escola, em qualquer sala de professores e também professoras, até o visitante mais distraído consegue perceber que as mulheres estão em maior número. No entanto, ainda são poucas as mulheres que chegam a diretoras, a reitoras de universidades e talvez o que me assuste mais: é preciso uma quota para que algumas mulheres integrem as listas de partidos, dominados por gravatas e fatos escuros. Nem sempre fiquei contente com a atuação das mulheres na política ou na educação, muitas vezes os homens até defenderam ideias mais interessantes e que beneficiaram as mulheres mais, que as próprias mulheres. No mínimo é estranho, muito estranho, mas verdadeiro.

O meu espanto é grande, quando as mulheres podem mudar as mentalidades e não o fazem, porque também elas têm pensamentos machistas, se não, porque é que a educação dominada por mulheres não consegue chegar à igualdade? Para mim este é o desafio, o verdadeiro desafio que enfrento todos os dias que entro na minha sala de aula.

As diferenças de género sempre me inquietaram, porque não as entendo. Assim, decidi incluí-las nos meus estudos de doutoramento e constatei que o rendimento escolar é superior em todas as áreas nas raparigas, mesmo na matemática. Crescemos a ouvir dizer que as mulheres têm mais jeito para as letras e os homens para as ciências e são estas “verdades” distorcidas que vão moldando a personalidade, a autoestima e a capacidade de luta das mulheres. Temos que começar por algum lado e eu começaria por mudar o estigma dos contos, das cores na infância…as dicotomias da beleza e da inteligência, da boa disposição e da seriedade, da estética e da leviandade.
Nunca pretendi superioridade, domínio, apenas equilíbrio, igualdade e respeito pela multiplicidade. Aprendi desde cedo a vantagem da igualdade, com os meus pais…pasmem…porque são pessoas de 75 e 80 anos. Mais, aprendi com eles a respeitar todas as mulheres, de todos os credos, de todas as áreas políticas, de todos os estratos sociais, desde a professora à prostituta. Portanto, mudar está nas mãos de quem educa.

Agradeço a todas as mulheres e homens que se cruzam no meu caminho e me mostram a essência do caminho.

Elisabete Fiel

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