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O Covid, os políticos e as escolas.

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Comecemos pelo Sr. Presidente: «fechar as escolas era liquidar o ano letivo», ora como todos sabemos o fecho das escolas seria temporário – 2 semanas a um mês – e não teria de ser para todos, logo o nosso excelentíssimo Presidente não tem a mesma preocupação (afetos seletivos!) com os alunos que temporariamente, ou seja o equivalente, 2 semanas a um mês, ficaram ou ficarão sem aulas por motivo de falta de professores contratados e/ou por doença dos professores. Nestes casos não há drama, logo está a fazer política dando chancela presidencial a uma medida do governo. Objetivamente tanto é grave uma situação como outra, isto é, estar sem aulas por falta de professores ou por causa do covid.

Além do mais surgiu uma nova evidência nos dados estatísticos recentes sobre covid, o aumento preocupante de casos covid entre os 13 e os 17 anos e entre os 18 e os 24 anos, parece cada vez mais aconselhar o fecho das escolas a partir do 3º ciclo. Assim, os arautos de que as escolas não devem fechar, Confap, representantes dos diretores, porque não há transmissão nas escolas ou é residual, preferem agradar ao poder, porque nada sustenta esta afirmação, quando se sabe que uma grande percentagem dos infetados têm origem desconhecida. Mais uma vez estamos no reino da política em nome dos desfavorecidos, apregoam, de que se esquecem a maior parte do tempo.

O nosso 1º ministro, tem o dilema de escolher entre economia e saúde, leia-se evitar que o orçamento derrape e dá-lhe jeito agarrar-se às discrepâncias dos técnicos sobre a transmissão nas escolas para as manter abertas e evitar gastar mais euros com a economia, salvo se for a estirpe inglesa ou a brasileira. Um outro fator objetivo é o facto de ter domesticado os professores com a recuperação do tempo de serviço, domesticação essa confirmada com o pouco ou nenhum impacto da última greve de pessoal docente (o STOP marcou agora outra greve), pelo que não o preocupa mais esta total falta de respeito por uma classe mesmo que envolva pôr em causa a saúde dos professores, alunos e funcionários. Já agora não deixaria de notar a falta de assertividade para colocar os hospitais privados a apoiar a saúde em comparação com a firmeza com que trata a educação, mesmo com dúvidas técnicas, ou seja, mais uma vez fraco com os fortes.

O ministro da tutela, esse está em hibernação, por isso não vou gastar palavras com quem não está presente. Nem sequer a necessidade de rastreio o faz sair do conforto do seu gabinete, que finalmente avança a partir de hoje por pressão da opinião pública.

Há candidatos à presidência e partidos políticos, os de esquerda, que aparecem a defender as escolas qualquer que seja a vertente, professores, auxiliares, rastreio, confinamento parcelar, mas na hora da verdade das votações ou de iniciativas parlamentares, têm colocado outros interesses à frente da educação ou sujeitando-se à agenda do PS neste tema. Só assim se explica que a questão da gestão das escolas defendida por toda a esquerda não PS, não tenha aparecido na agenda política.

Concluindo, a tática política tem feito passar os assuntos de educação para segundo plano, além de estar claramente patente um bloco central predominante neste setor que coloca a economia como central, com a esquerda a colocar a educação depois dos direitos laborais e do SNS, quando devia também ser prioritária e desígnio nacional.

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