Home Escola O Acesso Ao Superior | As Notas Inflacionadas | A Pressão Sobre...

O Acesso Ao Superior | As Notas Inflacionadas | A Pressão Sobre Os Professores

1592
6

A realidade do ensino atual: competitividade, resultados, exames, negócio, acesso ao ensino superior. Estas 5 palavras trouxeram uma pressão muito grande às escolas e em particular aos professores. Um dano colateral de um ensino que se tornou em parte um negócio, seja pela via do ensino privado, seja pela via das explicações particulares. Na notícia que podem ler em baixo, um aluno no Externato Ribadouro paga 500 € mensais, incluindo a alimentação. É natural que quem lá coloca os seus filhos espera resultados de excelência, que até podem ser reais, mas existe aqui um claro problema moral, ético e de equidade social.

O recente caso do Externato Ribadouro é apenas mais um exemplo da competição que existe entre as escolas, sejam estas Públicas ou Privadas. Há já algum tempo que se fala numa alteração no acesso ao Ensino Superior, não quero com isto dizer que os exames devem terminar, até porque são “fiscalizadores automáticos” das escolas. Mas a realidade é o que é, e muitas das classificações atribuídas pelos professores permitem aumentar as médias internas dos alunos, nomeadamente nas disciplinas que não têm exames nacionais. E tudo conta e pelos vistos tudo vale num “mercado” cada vez mais competitivo.

Não existe uma solução fácil, se é que realmente existe uma solução. Se calhar é escolher o mal menor, e será o modelo vigente o mal menor?

Alexandre Henriques


Colégio do Porto Suspeito De Inflacionar Notas

Num universo de 248 alunos inscritos no décimo ano do Externato Ribadouro, no Porto, 128 finalizaram o segundo período com 20 valores a Educação Física e 108 estudantes obtiveram 19 valores.

Os restantes 12, ficaram com ‘apenas’ 18 valores. Por não existirem provas nacionais para a disciplina, escapa à tutela no controlo de “alinhamento de notas”.

No entanto, este ano a disciplina de Educação Física voltou a contar para a média final de curso e para o acesso ao Ensino Superior.

Depois de o blogue ‘Com Regras’ ter divulgado as classificações, a Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) anunciou que vai abrir um inquérito para apurar eventuais atos ilícitos na atribuição das notas.

As primeiras suspeitas de inflação nesta escola remontam a 2001. Nesse ano, 38 alunos saíram do Externato Ribadouro para estudar Medicina. “O acesso ao Ensino Superior tem levado a uma pressão muito grande sobre as escolas e, em particular, sobre os professores”, afirmou ao CM Alexandre Henriques, responsável pela página Com Regras.

O Externato Ribadouro é “um caso extremo”, acrescenta. O autor – ele próprio professor de Educação Física – garantiu o acesso às tabelas através de “fontes credíveis”. E a “título informal” já lhe chegaram mais denúncias.

Em comunicado, o Conselho Nacional das Associações dos Profissionais de Educação Física e Desporto afirma que “há indícios de que esta possível inflação poderá estar a ocorrer quer nas disciplinas de componente de formação geral, quer nas de componente específica ou mesmo nas opcionais anuais”.

O Externato Ribadouro surge na lista de 14 escolas, elaborada pelo IGEC, que desde o ano letivo 2012/13 atribuíram notas acima do esperado.

O CM tentou, sem sucesso, contactar o colégio.

Pormenores

Até 510 euros por mês

Frequentar o Externato Ribadouro poderá custar, a um estudante do Secundário, 510 € por mês, incluindo alimentação. A tabela de preços para 2019/20 revela que a inscrição varia entre 190 €, para o Pré-Escolar, e 260 €, para o Ensino Secundário.

Em 18º no ranking

No último ranking de escolas CM, o Externato Ribadouro surge em 18º lugar no Secundário, com média de 134,43 pontos. No ranking do Básico, as médias do ano passado foram 3,77 a Português e 3,55 a Matemática.

Última intervenção

O colégio já foi intervencionado pela Inspeção-Geral da Educação e Ciência, em setembro de 2017, por “alinhamento” de notas: tinha um desvio de 2,06 valores face às outras escolas.

Resultados de excelência atraem alunos e lucros

Alexandre Henriques, professor de Educação Física que denunciou o caso, nota ao CM que “os resultados se tornaram prioritários, seja no Ensino Público, seja no Ensino Privado. Neste último, é evidente que melhores resultados trazem mais alunos e mais alunos significa um lucro maior para essas instituições”, pelo que “os critérios de avaliação são neste caso determinantes para as classificações”.

Diretores defendem novo modelo de acesso à faculdade

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, vê no caso Ribadouro “uma oportunidade para rever ou discutir o modelo de acesso ao Ensino Superior” que, por se basear excessivamente na nota interna, “não é o mais justo, neste momento”.

O dirigente defende “uma alteração substancial ” em que a “admissão à faculdade passe a ser da responsabilidade e coordenada pelas universidades”.

Fonte: Correio da Manhã

6 COMMENTS

  1. Bom vai ser um acesso que coque medíocres nas universidades, em vez de bons alunos… Espero que um dia sejam tratados não por médicos competentes e estudiosos mas por médicos felizes e medíocres , como defendia líder do BE… Estranhos tempos os que vivemos…. Depois admirem-se que surjam populismos e apareçam Bolsonaros em cada país da Europa! Está à frente dos olhos mas muitos não são capazes de ver a tempestade que se está a formar! Triste!

  2. A igualdade é uma utopia, nos países onde vigorou/vigora foi/é preciso usar a força para a manter com sucesso duvidoso…
    Não somos todos iguais, não é da natureza humana viver em sociedades comunitárias, em que todos contribuem para o bem comum, redistribuindo igualitariamente a riqueza, cuidando os mais fortes ou aptos dos menos aptos generosa e gratuitamente. A escola não é diferente da sociedade em que se insere, deve tentar conciliar o direito e o dever de todos, respeitando e aceitando as diferenças, mas não pode arrogar-se o direito de impor mudanças drásticas e artificiais que colidam com as convenções sociais vigentes e aceites. Por exemplo, as sociedades contemporâneas capitalistas são extremamente competitivas, logo, retirar a competição das escolas avaliando de forma qualitativa em detrimento da quantitativa não mudará per si a sociedade, antes fará com que as famílias que querem preparar os seus filhos para singrarem no mercado de trabalho, tal como ele existe, procurem outras respostas, aumentando a desigualdade. O modelo de entrada na Universidade mais justo e transparente seria existirem exames em cada faculdade com critérios transparentes e júris aleatórios independentes.
    Mesmo assim, as famílias de mais posses encontrariam sempre forma de preparar os seus filhos para esses exames, continuando a existir mercado privado adequado à procura. Os mais pobres padecem do mal de não terem posses para comprar educação/preparação para os exames e provas, e, muito mais grave, de baixas ou nulas expectativas familiares relativamente à educação escolar. Ora, as mudanças anunciadas na educação pública, do sentido de deixarem de preparar os alunos para a competição escolar e “examografia”, qualquer que ela seja, só aumentará o fosso entre ricos e pobres, no que à educação diz respeito. A escola pública deverá dar resposta a todos; aos que são competitivos e aos outros e não podem criar-se artificialmente, debaixo da capa da equidade, vias de acesso alternativo e livre à universidade, pois entre dois males, será sempre mais avisado escolher o menor.

  3. O único sistema que garantiria a equidade no acesso ao ES seria o sorteio, aceitável, havendo numerus clausus e grande procura, se fossemos todos iguaizinhos em capacidade, conhecimento, objectivos, etc, uma impossibilidade absoluta, portanto…
    Os exames são um sistema imperfeito, mas ainda não inventaram um melhor. Acresce o facto de as universidades competirem entre si no mercado, havendo poucas muito desejadas (em resultado da competição e exigência do mercado de trabalho) e muitas com pouca procura. Passar os exames para as Universidades será transferir o problema para outro sector, lavando as mãos…
    Se a escola pública deixar de preparar os alunos para os exames de acesso às universidades mais procuradas, haverá crescimento de mercado privado para essa preparação e o acesso ficará vedado aos mais pobres, que ainda vão conseguindo boa preparação na escola pública, esse acesso é muito competitivo e há quem o queira afastar da escola pública com efeitos ainda mais perniciosos… Será que nas universidades com maior procura o acesso virá a privilegiar outros métodos muito conhecidos na sociedade portuguesa e pouco abonatórios?
    O modelo de acesso tem vindo a desvirtuar-se, com vias verdes para as universidades menos procuradas e exames exigentes para as mais procuradas o que, além de ser injusto para os estudantes, tem o efeito perverso de aumentar a desigualdade, sobretudo na sociedade, com a desvalorização das qualificações superiores e consequentes efeitos no mercado de trabalho, na vida das pessoas, nas condições de aposentação, etc
    Enfim, problemas que derivam sobretudo da heterogeneidade natural, social e económica.
    Talvez o método mais justo seja eliminar o numerus clausus e selecionar os alunos do primeiro para o segundo ano da faculdade, exigindo à entrada apenas a conclusão do 12º ano, mantendo as áreas de formação secundária adequadas a cada curso/área de estudo. Continuando a existir competição e exclusão, ocorrerá na idade adulta, retirando a pressão das escolas e da vida de muitas crianças e famílias.

  4. .
    Vamos lá fazer umas contas por alto (basta saber as operações básicas).

    EXTERNATO RIBADOURO

    Número de Alunos – Aproximadamente 1.700 alunos

    Preço médio por aluno – 5.000 Euros/Ano

    1700 alunos X 5.000 Euros/ano = 8.500.000 Euros por Ano (de RECEITAS)

    Face a estes números, qual é a dúvida de se atribuir notas 20 à rapaziada (que paga forte e feio para isso mesmo)????????

    A Alexandrino Oliveira, Silva & CA, Lda. (EXTERNATO RIBADOURO) é uma grande casa. A IGEC tem lá ido repetidamente (POR VÁRIOS INDICIOS DE FRAUDE), mas não há nada que os euros não paguem. Portanto, o mais certo é a Dra. Conceição Pinheiro UNTAR as mãos aos Senhores(as) Inspetores e SIGA A DANÇA QUE O TRAULITEIRO É DE CONFIANÇA (aliás, ela tem grandes amigos na IGEC Norte).

    Este é um negócio que envolve MILHÕES DE EUROS ( venda de NOTAS e DIPLOMAS) e, como tal, não dá para brincar.

  5. Realmente é um caso extremo: Ribadouro foi no ano transato a escola a nível nacional com mais alunos a tirarem 20 valores no exame de acesso ao ensino superior de matemática, na primeira fase! Sim é verdade! E um exame dito por muitos ilustres professores de complicado! Mas essa notícia Dr Alexandre Henrique, essa não a divulgaram…. Não é sensacionalista?
    Já questionaram acerca do método de trabalho? Sim existe um método e muito diferente de outras escolas! Já questionaram do empenho dos professores e alunos? Da disciplina empregue? Da dedicação à criança e jovem? E da quantidade de alunos provenientes de outras escolas com boas notas e que pela insistência, dedicação individual do aluno com conhecimento dos pais o tornam num excelente aluno? E que também têm alunos com notas miseráveis e que não os expulsam não pelo dinheiro mas por uma questão moral (lista de espera para vaga é interminável)? Notas inflacionadas? Estão a gozar com o esforço destes alunos, professores e pais? Ou é pura ignorância?
    Caso extremo! Avalie e confirme e seja capaz de divulgar a quantidade de alunos, treinados pelos professores do Ribadouro, tiveram nota 20 no exame de matemática ao acesso ao ensino superior no ano transato. Para não falar do português.
    E não diga/digam que foram comprados…. tanta maldade é demais….

    • Mais de 120 alunos de um universo de cerca 250 tiveram 20 a Educação Física, mais de 100 alunos tiveram 19 a educação física. Alguma vez falei do exame de Matemática?

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here